Quatro segredos dos vinhos produzidos na região do vulcão Etna

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Entenda por que o mais alto vulcão da Europa é capaz de originar vinhos singulares e de personalidade marcante

Os apaixonados por vinhos sabem que os exemplares mais refinados são aqueles produzidos em locais mais elevados que o nível do mar. Mas algumas regiões guardam segredos únicos que tornam a bebida ainda mais surpreendente e digna de ser amplamente premiada.

É o caso da região do Etna, vulcão ativo situado na parte oriental da Sicília, na Itália, entre as províncias de Messina e Catânia. Trata-se do mais alto vulcão da Europa, e um dos mais altos do mundo, com aproximadamente 3.357 metros de altitude e com a possibilidade de crescer ainda mais de forma gradual, por conta das frequentes erupções.

“O Etna é um dos vulcões mais ativos do mundo e está em constante erupção. Normalmente, não oferece grande risco à população; em contrapartida, propicia um solo excelente para a agricultura, com vinhedos e hortas espalhados nas faldas da montanha e em toda planície de Catânia”, explica Giuseppe Russo, enófilo e fundador da Sicilianess, importadora especializada em vinhos italianos.

A empresa é a única no Brasil a trabalhar com os exemplares da Vinícola Generazione Alessandro, pertencente à quarta geração de uma família de enólogos, formada por três primos que cresceram nas vinhas de seus pais. Uma paixão pela terra e pelo vinho que os levou a se especializar e a levar a cabo um ambicioso projeto no Etna. Lá, se estabeleceram desde 2015 e hoje já colhem excelentes frutos desta realidade. A linha Trainara, que está em suas Safras de 2018 e 2019, vem arrebatando vários prêmios e reconhecimentos de destaque.

Giuseppe revela por que os vinhos produzidos por ali são tão singulares e repletos de personalidade. Confira:

1 – Vinhos produzidos em localização icônica

Considerado Patrimônio da UNESCO, o Etna está situado na maior montanha localizada em uma ilha, sendo o 5° vulcão mais ativo do mundo – condições que tornam os vinhos produzidos nas vinícolas da região bastante elegantes e refinados.

Os vinhedos do Etna se encontram em regiões de solo bastante irregular como se nota pelas enormes pedras “atiradas pelo ciclope” e muitas vezes incrustradas entre as parreiras.

2 – Identidade própria

Os vinhos da região do Etna têm como característica a capacidade de preencher a boca em sua totalidade, com gosto persistente e retrogosto elegante. São intensos, luminosos e ao mesmo tempo refinados, traduzindo a identidade do local onde são produzidos.

“O Etna é parte majestosa do cenário siciliano, aparecendo pelas manhãs através das janelas das casas locais e ajudando a ornamentar uma paisagem singular. Tudo isso compõe a alma dos vinhos locais”, diz Russo, lembrando que os exemplares conferem a paixão pela terra e pelo vinho. Segundo ele, esta identidade pode ser comprovada ao degustar os vinhos da Generazione Alessandro, que possuem sabor peculiar e exclusivo.

3 – Uvas singulares

A Nerello Mascalese é uma variedade de uva tinta amplamente cultivada nas encostas vulcânicas do Monte Etna, na Sicília. Os vinhos elaborados a partir desta uva receberam ampla notoriedade na última década por serem frescos, com aromas frutados e herbáceos, bem como excelente mineralidade e uma nuance terrosa. Outra uva utilizada para compor os vinhos são a Catarratto e Grillo. “A Catarratto é uma uva branca amplamente cultivada na Sicília, utilizada na elaboração de vinhos brancos frescos e leves.

Já a uva Grillo pertence a uma casta originada por meio de um cruzamento natural entre as uvas Catarratto Bianco – cujas vinhas são vigorosas e os bagos possuem amadurecimento médio a tardio – e Moscato de Alexandria. Possui três sinônimos: ariddu, riddu e rossese bianco (cultivada em Riomaggiore, na Ligúria). Existem algumas outras uvas com o nome de Rossese Bianco, porém a única que tem o mesmo DNA da Grillo é a de Riomaggiore.

4 – Uma terra mineral

Por estar constantemente expelindo fumaça, o Etna é como uma panela de pressão em funcionamento, cuja lava costuma escorrer e não explodir em violentas erupções. A lava escorre lentamente e, após esfriar, ela se torna preta e vai esbranquiçando com o tempo. Durante os primeiros 30 anos, esse solo não será fértil; mas depois deste período, o terreno vulcânico vai favorecer a agricultura e a produção de vinhos com sua instigante personalidade mineral.

O solo é formado pela lava, cinzas e areia, com presença de cobre, fósforo, magnésio e outros minerais, que favorecem os vinhedos.

As encostas do Etna e a água do degelo da neve garantem EM GERAL a umidade para o cultivo da vinha.“Nessa região, a vindima é tardia, sendo que, quanto mais alto, mais tardia”, conclui o enófilo da Sicilianess.

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