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Bares comandados por mulheres participantes do ‘Comida Di Buteco’

Transformando desafios em oportunidade e conquistando o seu espaço no mercado, elas ocupam posição de destaque na edição 2024 do concurso

Comida mineira e protagonismo feminino são histórias que se confundem e se entrelaçam por expertise e tradição. Na 24ª edição do concurso “Comida di Buteco”, por exemplo, o destaque da mulherada não poderia ser diferente: 56% dos bares inscritos no concurso nacional em 2024 são comandados por elas que, com talento e criatividade, comprovam o potencial empreendedor do grupo.

Seja por meio de uma receita que passou de geração a geração, do atendimento com gostinho de casa ou da habilidade em desempenhar mil e uma funções ao mesmo tempo, ver uma mulher à frente de um bar é como encontrar um baú repleto de histórias e inspirações. Esse é o caso de Riri Swandhina, mais conhecida como Lili, que há mais de 10 anos é responsável pelo Barrigudinha Buteco Gourmet, localizado no bairro Castelo.

Lili é da Indonésia e viveu no Japão por anos. Formada pelo Instituto Gastronômico das Américas (IGA), assim que chegou no Brasil tratou de colocar em prática o que aprendeu pelas cozinhas dos lugares onde passou. Com um cardápio diversificado, seu bar tem por especialidade a mistura entre culinária estrangeira e local, apresentando no menu pratos brasileiros, peruanos, além das várias opções de cozinha asiática.

Quando perguntada sobre os desafios em torno da presença feminina nos bares, Lili prefere destacar com orgulho as vantagens: “Embora o mercado seja competitivo, somos uma geração de mulheres capacitada e disposta e enfrentar os problemas. Minha paixão pela culinária aliada ao estudo de gastronomia internacional foi, sem dúvidas, um diferencial que me permitiu alcançar meus objetivos”, conta.

Driblando adversidades

Inaugurado em 2012, o Cantim D’or Noir nasceu depois que Ione Romualdo precisou fechar sua fábrica de massas italianas com receitas de família. Apesar do sucesso com a casa de pasta, o custo era alto e Ione decidiu empreender em um bar e restaurante com dois segmentos de destaque: petiscos de bar e cozinha italiana. E foi um sucesso: “no segmento ‘massas italianas’ conquistamos um diferencial: sermos conhecidos por oferecer o “Melhor Nhoque de BH” por um famoso portal de avaliações de viagem. No segmento ‘petiscos de bar’, ocupamos por duas vezes a terceira colocação no concurso Comida de Buteco BH (2017 e 2021)”, diz a proprietária.

Em 2024, o estabelecimento disputa o Comida di Buteco com o petisco “Benza Deus do Cantim D’or Noir”. E como em todos os anos em que concorreu, o bar oferece duas opções no mesmo petisco, sendo um de carne e outro vegetariano: Desta vez, um Guizado Cigano com carne suína marinada no vinho, cozinha em molho italiano com bacon, calabresa e pimentões é acompanhado de mini pizzas de berinjela empanada, coberta com tomate, creme três queijos e orégano.

 

Sobre o protagonismo feminino e seus desafios à frente do buteco, Ione diz que são muitos, como aprender a negociar, a gerenciar recursos, chefiar cozinha, fazer marketing e atuar em todas as áreas de gestão do estabelecimento. Mas vê também diferenciais importantes no atendimento e no cuidado com o cliente: “Antigamente só se viam homens a frente de bares, principalmente à noite. As mulheres vieram ocupando um espaço importante também neste meio, trazendo um charme a mais, com glamour, decorações criativas e atendimentos com mais presença no espaço, personalizados e, claro, com muita simpatia”.

De avó para neta

Quem passa pelo Sinhá Erozitha Bistrôteco, no Sagrada Família, logo percebe que o espaço carrega força feminina em seu DNA. A começar pelo nome – uma homenagem a Dona Erozitha, mãe de Edy e avó de Cris, proprietárias do estabelecimento, até a estética e a musicalidade do local, escolhidas por elas a quatro mãos: “A mulher tem uma visão diferenciada. O cardápio, a decoração, até a escolha da playlist têm um toque feminino. No caso do Sinhá, tudo é feito por nós. Enquanto planejávamos, sentávamos à mesa no lugar do cliente, abríamos uma cerveja e testávamos a temperatura, projetando tudo de acordo com a experiência que o nosso público teria”, conta Cris.

Aberto de quarta a sábado, o estabelecimento é sucesso de público até em dias de baixa demanda. Mas engana-se quem pensa que foi um caminho fácil até a casa cheia: “Os desafios são diários. Além de duas mulheres, somos mãe e filha. E neste mercado em que atuamos a fragilidade não existe. Tem que transportar caixa de cerveja, fazer compras, carregar e descarregar e ainda estar bela e alegre para atender os clientes que vêm às vezes até de longe para desfrutar de um espaço aconchegante”.

Para ela, o “Comida di Buteco” foi uma mola propulsora para a realização de sonhos e a possibilidade de manter o negócio aquecido o ano inteiro: “O Comida Di Buteco é mais que um concurso, é uma família que nos acolheu há 8 anos e trouxe algo muito além da oportunidade de participar. Trouxe parcerias que se fortalecem a cada ano, trouxe visibilidade, clientes felizes que frequentam o bar no concurso e voltam muitas vezes ao longo do ano. Trouxe a vontade de erguer a cabeça e acreditar que pode dar certo”, comemora.

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