CASA FIAT DE CULTURA REALIZA EXPOSIÇÃO DE OBRAS DE ARTE DIGITAL                      CRIADAS DURANTE RESIDÊNCIA ARTÍSTICA

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28.05.2018 - BELO HORIZONTE/MG -CASA FIAT DE CULTURA - Residencia Artistica na . Foto: Leo Lara/Studio Cerri

Terminada a jornada colaborativa, os oito artistas selecionados apresentam obras digitais que conectam o painel “Civilização Mineira” de Portinari e a cidade de BH

Os artistas que antes ocupavam o espaço de criação da Residência Artística em Arte Digital da Casa Fiat de Cultura, agora vão ocupar a Piccola Galleria e o Videowall do hall principal para apresentar os processos e resultados da jornada colaborativa na exposição “Cidades e outras passagens na Casa Fiat de Cultura – Caminhos de uma residência em arte digital”. De 4 de julho a 5 de agosto, o público poderá conferir três instalações e quatro videoartes realizados durante três semanas de imersão em projetos que buscavam relacionar a cidade de Belo Horizonte ao painel de Candido Portinari “Civilização Mineira” (1959) – que retrata a mudança da capital mineira de Ouro Preto para Belo Horizonte em 1897 e o marco histórico que a Inconfidência Mineira de 1789 representou para o Estado –, acervo da Casa Fiat de Cultura em exposição permanente. A proposta era criar obras com foco na transformação da experiência do público visitante, inserindo-o em uma realidade híbrida: material e virtual. Os artistas da mostra são Alexandre Milagres, Augusto Lara, Fabrício Lins, Flávio CRO, Guilherme Xavier, Letícia Vianna, Mari Moraga e Thiago Amoreira e a curadoria é de Pablo Gobira, professor da Escola Guignard, pesquisador das relações entre arte, ciência e tecnologia e diretor do Laboratório de Poéticas Fronteiriças do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Artistas e curador participarão de um bate-papo no dia 5 de julho, na Casa Fiat de Cultura, das 19h30 às 21h (espaço sujeito à lotação). A exposição da Residência Artística é resultado da parceria com a CASACOR, que projetou o espaço de criação dos artistas, e com o Isvor Fab Lab, que colaborou no desenvolvimento das obras digitais. Toda a programação é gratuita.

O título da exposição remete aos caminhos trilhados pelos artistas para falar dessas duas cidades, Ouro Preto e Belo Horizonte. Caminhos em sentido amplo: artísticos, técnicos, político-sociais e até geográficos. Os locais visitados se misturam entre o passado, na antiga capital mineira, e o presente, na cidade de BH, e se encontram no painel de Portinari.

O processo da Residência Artística teve concepção e coordenação do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura, com coordenação de Clarita Gonzaga e orientação de Taiane Costa, no qual a produção colaborativa foi uma metodologia essencial. A obra “De Portinari em Portinari BH”, por exemplo, era um projeto de Flávio CROmestre em Artes pela Escola Guignard, que ganhou nova configuração com a intervenção de Letícia Viannagraduanda em Design na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), que assinou a co-autoria da obra. Juntos eles apresentam uma videoarte com o trajeto, feito de bicicleta, da Casa Fiat de Cultura em direção aos diversos “Portinaris” que existem na cidade de Belo Horizonte, não apenas outras pinturas, mas também estabelecimentos comerciais e até uma rua com o nome do artista. “A medida que convivemos com outros artistas, o projeto vai ganhando novas dimensões. A Letícia Vianna se tornou uma parte importante do meu projeto, pois me fez repensar a apropriação que eu estava fazendo do mapa da cidade. Costumo trabalhar com uma apropriação ‘nua e crua’, sem modificar as imagens, e ela agregou mais arte ao meu projeto na edição do vídeo: desenhou, recriou os percursos e utilizou as cores do painel de Portinari”, comenta Flávio CRO.

O artista Augusto Lara, bacharel em Cinema de Animação e Artes Digitais pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), concorda com o colega sobre a experiência na Residência Artística e reitera a produção colaborativa como um ponto positivo: “conheci artistas muito bons e isso permitiu uma troca de ideias sensacional, assim como a orientação de Pablo [curador] e sua equipe”. Outra questão apontada por ele foi a oportunidade proporcionada pela Residência: “é uma maneira de fomentar a cultura, dar visibilidade a novos artistas e expor em BH a produção artística local de arte digital, que ainda encontra pouco espaço. Para mim foi uma forma de reivindicar o espaço da cidade”, afirma. Augusto é responsável pela criação, junto a Thiago Amoreiragraduando em Artes Visuais na Escola de Belas Artes da UFMG, da obra “Portinari Aumentado”, uma instalação interativa de realidade aumentada do painel que permite ao público visualizá-lo em profundidade por meio de um aplicativo para dispositivos móveis. A obra foi realizada com a utilização de técnicas tridimensionais, pintura e colagem digital. Thiago também criou, junto a Fabrício Lins, graduando em Artes Plásticas pela Escola Guignard, outra instalação interativa, “Interface Preta”, que permite uma experiência sensorial, tátil e auditiva, do conceito de mudança e contraste do painel de Portinari, com elementos que remetem ora a Ouro Preto, ora a BH.

A coordenadora do Programa Educativo da Casa Fiat de Cultura, Clarita Gonzaga, explica que “já na seleção dos projetos, percebemos que as propostas escolhidas dialogavam entre si, o que ajudaria no processo colaborativo. Foi ótimo perceber que os artistas, quando chegaram aqui, abraçaram a ideia de um trabalho conjunto e também a de criar instrumentos de mediação. O contato com o público que visitou o espaço de criação da Residência Artística, principalmente turmas de crianças e jovens estudantes, contribuiu muito para essa preocupação e empenho em desenvolver obras de arte interativas. Os artistas cumpriram a proposta da Casa Fiat de Cultura de transformar a experiência dos visitantes”. O curador, Pablo Gobira, completa: “o grupo realmente se apropriou da proposta de construir obras que conectassem o painel Civilização Mineira à cidade de Belo Horizonte. Houve uma entrega muito sincera dos artistas em conhecer a obra e pensar possibilidades. Como resultado, obtivemos uma variedade conceitual, artística e técnica: foram produzidas obras em realidade aumentada, audiovisuais, experimentos realizados através de percursos de bicicleta que possibilitaram desenhar uma nova cartografia na cidade, trabalhos explorando o som da cidade em relação com o painel de Portinari, dentre outros”.

De acordo com o presidente da Casa Fiat de Cultura, José Eduardo de Lima Pereira, “nosso papel na formação de um público crítico e aberto a novas linguagens está sendo cumprido. A inovação e a experimentação propostas neste projeto permitem que o novo esteja lado a lado com a arte tradicional. Nesta Residência Artística, a arte digital se propõe a discutir o patrimônio e assim provoca reflexões sobre o passado, o presente e o futuro”.

A exposição “Cidades e outras passagens” da Residência Artística em Arte Digital é uma realização da Casa Fiat de Cultura e do Ministério da Cultura, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, com patrocínio de Fiat Chrysler Automóveis (FCA), Banco Fidis, Fiat Chrysler Finanças, Fiat Chrysler Participações e Banco Safra, e apoio do Isvor, Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Casa Cor Minas, Multicult, Circuito Liberdade, Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha), Governo de Minas e Governo Federal.

As obras

  • “De Portinari em Portinari BH”, de Flávio CRO e Letícia Vianna: vídeo que apresenta o trajeto, feito de bicicleta, da Casa Fiat de Cultura em direção aos diversos “Portinaris” que existem na cidade de BH, não apenas outras pinturas, mas também estabelecimentos comerciais e até uma rua com o nome do artista.
  •  “Interface Preta”, de Thiago Amoreira e Fabrício Lins: instalação interativa que permite uma experiência sensorial, tátil e auditiva, do conceito de mudança e contraste do painel de Portinari, com elementos que remetem ora a Ouro Preto, ora a BH.
  •  “Portinari Aumentado”, de Augusto Lara e Thiago Amoreira: instalação interativa de realidade aumentada do painel que permite ao público visualizá-lo em profundidade por meio de um aplicativo para dispositivos móveis. Foi realizada com a utilização de técnicas tridimensionais, pintura e colagem digital.
  • “Mais do mesmo”, de Fabrício Lins: instalação sonora criada a partir de registros sonoros da cidade de Ouro Preto no período da Inconfidência Mineira (1789) e de BH (2018) que sugerem a curiosa similaridade entre os dois espaços e épocas tão diferentes.
  • “Ponto em Pixel”, de Guilherme Xavier: animação 2D em pixel art que apresenta pontos não-turísticos de Belo Horizonte, mas que fazem parte do cotidiano dos moradores da cidade e que, dessa forma, contribuem de forma significativa para a identidade da capital mineira.
  • “Mineiras”, de Mari Moraga: vídeo que apresenta entrevistas com mulheres imigrantes em BH, tendo também a cidade como personagem, mostrando prédios representativos do glamour e progresso urbano em contraponto com espaços abandonados e deteriorados que também fazem parte da capital mineira.
  • “Extrações”, de Alexandre Milagres e Fabrício Lins: vídeo que une uma foto e os dados extraídos das redes sociais do artista e cria uma nova imagem dele reinserida em uma estética que remete a um mapa topográfico de uma cidade.

Os artistas

  • Alexandre Milagres (Belo Horizonte, MG): Mestre em Comunicação Social pela UFMG
  • Augusto Lara (Belo Horizonte, MG): Bacharel em Cinema de Animação e Artes Digitais pela UFMG
  • Fabrício Lins (Governador Valadares, MG): Graduando em Artes Plásticas pela Escola Guignard
  • Flávio CRO (Manhumirim, MG): Mestre em Artes pela Escola Guignard
  • Guilherme Xavier (Belo Horizonte, MG): Graduando em Design pela UEMG
  • Letícia Vianna (Belo Horizonte, MG): Graduanda em Design na Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG)
  • Mari Moraga (Pelotas, RS): Formada em Audiovisual pela Unisinos (RS)
  • Thiago Amoreira (Pitangui, MG): Graduando em Artes Visuais na Escola de Belas Artes da UFMG

O painel “Civilização Mineira” (1959)

Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), este é o maior painel de Candido Portinari em Minas Gerais, medindo 2,34 X 8,14 metros, em exposição permanente na Casa Fiat de Cultura. O painel retrata a mudança da capital mineira, da cidade de Ouro Preto para Belo Horizonte, em 12 de dezembro de 1897. Em meio à paisagem, a presença de Tiradentes e outras personalidades retoma outro marco da história do Estado: a Inconfidência Mineira (1789). Com técnica mista, têmpera e óleo, a obra é caracteristicamente modernista, sem abrir mão de fundamentos da pintura clássica. Portinari (1903-1962) é considerado um dos maiores artistas brasileiros do século XX, tanto por sua produção estética quanto pela atuação consciente nos âmbitos cultural e político.

Casa Fiat de Cultura

Há 12 anos, a Casa Fiat de Cultura cumpre importante papel na transformação do cenário cultural mineiro, ao apresentar, em Belo Horizonte, algumas das mais relevantes e prestigiadas exposições já realizadas no Brasil. Foram mais de 40 exposições de consagrados artistas brasileiros e internacionais, além de mostras de artistas que despontam na cena contemporânea. Sua contribuição à renovação da produção artística e à formação de público se estende por meio de uma programação diversificada de música, palestras e de um Programa Educativo que propõe conceitos e reflexões no diálogo com o público em visitas mediadas e nas práticas promovidas no Ateliê Aberto, um espaço de experimentação artística livre. A Casa Fiat de Cultura integra um dos mais expressivos corredores culturais do país, o Circuito Liberdade, em Belo Horizonte. Em sua sede no histórico edifício do Palácio dos Despachos apresenta, em caráter permanente, o simbólico painel de Portinari, Civilização Mineira, de 1959. Mais de 2 milhões de pessoas já visitaram suas exposições e 350 mil participaram de suas atividades educativas.

 

SERVIÇO

Exposição “Cidades e outras passagens na Casa Fiat de Cultura – Caminhos de uma residência em arte digital”

  • 4 de julho a 5 de agosto de 2018
  • Terça a sexta, das 10h às 21h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h
  • Entrada gratuita

Bate-papo com curador e artistas

  • 5 de julho
  • 19h30 às 21h
  • Participação gratuita, com espaço sujeito à lotação

 

Casa Fiat de Cultura

  • Circuito Liberdade
  • Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – BH/MG
  • Horário de funcionamento: terça a sexta, das 10h às 21h – sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h

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