Setor pecuário enfrenta a crise da Covid-19 com relativa tranquilidade e muita informação online

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Questões político-econômicas são a maior preocupação do setor, que demitiu pouco, mas não acredita que a situação se normalizará prontamente

O setor agropecuário está vivendo a crise da Covid-19 com certa tranquilidade. Segundo pesquisa realizada pela Ideagri com fazendas de leite de todo o Brasil, 73,5% dos produtores e técnicos não sentiram ou sentiram leva queda de receita frente ao projetado, e 76,2% não notaram ou notaram pequeno aumento de despesas em relação às já previstas desde março, quando o isolamento social foi adotado em todos os estados brasileiros (tabelas 1 e 2). Além disso, 86,3% das propriedades respondentes não reduziram sua equipe de trabalho.

“A pecuária comprova seu peso como setor essencial e parece estar sendo menos afetada pela quarentena, que trouxe grandes dificuldades para diversos setores econômicos”, diz Heloise Duarte, CEO da Ideagri. Ela destaca, entretanto, que há fatores de ansiedade para o setor: “As incertezas político-econômicas são a questão mais relevante do momento para 65,3% dos produtores e técnicos entrevistados”. A recessão econômica (88,4%) e o aumento do desemprego (83,0%) são as principais preocupações dos pecuaristas, à frente do colapso na saúde (46.3%) e desabastecimento (21,1%) (Gráfico 1).

Entre as ações emergenciais tomadas pelos produtores para o enfrentamento da crise, os cortes em investimento de infraestrutura (52%), a redução de despesas administrativas (50%) e a redução de gastos com fornecedores e matéria-prima (49%) foram mais comuns. Renegociações de prazos de pagamentos (30%), férias e licenças não remuneradas (21%). Apenas 14% dos entrevistados acessaram linhas de crédito ou assumiram dívidas de curto prazo com bancos e suspenderam ou cancelaram contratos com fornecedores (tabela 3).

Ainda que tenha sofrido relativamente pouco, o setor não está tão otimista com relação à recuperação da economia em geral: 21,1% esperam que a normalidade retornará em até um ano, enquanto 36,7% acreditam que isso exigirá entre um e dois anos, e outros 14,3% não veem recuperação antes de dois anos. Somados, esses três grupos atingem 72,1% dos respondentes. (gráfico 2).

Desenvolvedora do software utilizado por cerca de 5.000 fazendas de leite e corte de todos os estados do Brasil, a Ideagri ouviu cerca de 3% de seus clientes em uma pesquisa on-line com 15 perguntas sobre economia, gestão, comportamento e comunicação. A empresa faz pesquisas regulares em sua base de clientes e edita o Índice Ideagri do Leite Brasileiro (IILB), a referência nacional de produtividade para a indústria nacional do leite. Em março de 2020, a empresa recebeu aporte de capital da 10b Livestock, fundo de investimento focado em empresas da nova economia do setor pecuário, gerido pela Tarpon Investimentos.

Migração em massa para informação on-line

A pesquisa da Ideagri mostra ainda que o setor pecuário está se informando sobre a pandemia e seus desdobramentos pelos canais on-line. Nada menos que 84% dos entrevistados disseram estar recorrendo à internet (portais de notícias, blogs) para as atualizações. As redes sociais (31%) e os grupos de WhatsApp (22%) são outros recursos digitais utilizados. TVs (42%) ainda são fortes no setor, mas os veículos impressos são hoje a opção de 22% dos entrevistados. (tabela 4).

As “lives”, webinars e outros eventos on-line já estavam em alta no setor desde antes do início do isolamento social (57,8% já usavam esse recurso), mas explodiram com a quarentena: 91,2% informaram que acompanham eventos on-line e 99,3% consideraram as informações desses eventos relevantes para seus negócios. Além disso, 98,5% pretendem continuar usando esse recurso depois da pandemia. E mais: 60,5% acreditam que, no futuro, investirão em gerar e manter relacionamentos de negócios de forma digital.

As ferramentas para conferências virtuais já eram conhecidas e utilizadas por 40,1% dos respondentes, mas outros 48,3% passaram a usá-las apenas depois do isolamento – e pretendem continuar com elas após esse período. O setor, aliás, mostrou-se “conectado” em outras frentes: 85,7% já estavam habituados a fazer compras pela internet (outros 10,2% aderiram a esse hábito agora) e 61,9% estavam acostumados com chats de atendimento (e ganharam a companhia de outros 10,9% por conta da quarentena). (tabela 5)

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