Carrinho elétrico reduz ansiedade infantil em hospitais

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Entrar em um centro cirúrgico ou realizar um procedimento hospitalar pode ser um momento de vulnerabilidade para qualquer pessoa. Para crianças, essa sensação tende a ser ainda mais intensa, já que envolve separação da família, contato com equipamentos desconhecidos e medo do que está por vir. Para tornar essa entrada mais leve, os pacientes da Unimed-BH contam com um carrinho elétrico motorizado em unidades com assistência pediátrica, como o Hospital Unimed-Unidade Betim, na região metropolitana de Belo Horizonte, e o Hospital Infantil São Camilo Unimed, na capital.
A proposta é simples, mas tem impacto direto na experiência assistencial. Em vez de seguir por parte do trajeto em macas tradicionais, a criança que se enquadra no perfil eletivo para a experiência percorre o caminho em um veículo lúdico. A iniciativa integra ações de cuidado humanizado da Unimed-BH e busca acolher não apenas o paciente, mas também familiares e equipes envolvidas no atendimento.
Foi o caso de Ana Beatriz dos Anjos Lima, de 3 anos. Segundo a mãe, Ana Clara dos Anjos Vasconcelos, o uso do carrinho ajudou a transformar um momento de tensão em uma experiência mais leve. “A Ana costuma ficar bastante agitada antes dos procedimentos hospitalares. A experiência de ir para o exame no carrinho elétrico trouxe descontração e acolhimento, contribuindo significativamente para deixá-la mais tranquila e confortável durante o processo”, relata.
Com a boa aceitação da iniciativa, o uso do carrinho foi ampliado e passou a fazer parte de diferentes etapas da jornada do paciente pediátrico. Hoje, ele pode ser utilizado tanto na ida quanto no retorno do bloco cirúrgico, além de apoiar crianças em situações como altas hospitalares após internações de longa permanência, transição da UTI para a unidade de internação e em casos de dificuldade de locomoção.
Nesses contextos, o carrinho vai além da função de transporte. O deslocamento pelos corredores ajuda a reduzir o estresse, promove bem-estar e cria momentos de “conexão e de diversão” em meio à rotina hospitalar. Além de beneficiar os pequenos pacientes, a iniciativa também impacta familiares e equipes assistenciais, ao reforçar um ambiente mais acolhedor e uma experiência menos marcada por tensão.
Brincar como cuidado
A humanização no ambiente hospitalar é uma diretriz reconhecida nas políticas públicas de saúde. A publicação O Brincar nos Hospitais Pediátricos, produzida pelo Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira e pela Fundação Oswaldo Cruz, destaca que a atividade lúdica tem valor nos processos de adaptação, socialização e redução da dor da criança hospitalizada, além de favorecer o desenvolvimento cognitivo, motor, social e afetivo. O documento também aponta que o brincar pode facilitar a comunicação entre criança, profissional de saúde e acompanhante, contribuindo para que o paciente participe de forma mais ativa do próprio cuidado.
Para a pediatra e diretora da Unimed-BH, Silvana Teotônio Simão, a medida contribui para reduzir a tensão em um momento delicado da jornada do paciente. “O cuidado em saúde não é definido apenas pela realização procedimento ou atendimento assistencial. Ele inclui desde a forma como a criança é recebida, orientada e acolhida. Quando conseguimos reduzir o medo e tornar o ambiente mais amigável, também favorecemos uma experiência mais segura e tranquila para o paciente e para a família”, afirma.
A chegada do carrinho elétrico também fortalece a atuação das equipes multiprofissionais, que lidam diariamente com o desafio de comunicar procedimentos de forma compreensível para crianças. O recurso não substitui protocolos técnicos, preparo cirúrgico ou orientações clínicas, mas funciona como apoio para reduzir a ansiedade e criar vínculo entre paciente, família e profissionais de saúde. “O ambiente hospitalar pode ser percebido pela criança como um lugar de ameaça. Pequenas mudanças na jornada, quando bem conduzidas, ajudam a ressignificar essa experiência. O carrinho é um recurso lúdico, mas sua finalidade é assistencial. O brincar é terapêutico. Aproxima, tranquiliza, desenvolve, e contribui para que o cuidado seja mais humano”, acrescenta Silvana.

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