Prof. Me. Eduardo Dias @profedudias
Professor universitário e apresentador do programa
Conexão com IA da Tv Horizonte.
O crescimento acelerado da frota de motocicletas nas grandes e médias cidades transformou as duas-rodas na espinha dorsal da mobilidade urbana moderna e da economia de entregas. Contudo, enquanto celebramos a eficiência e a agilidade desse modal, um problema técnico e econômico avança nos bastidores dos postos de combustíveis: o impacto agressivo do aumento constante na porcentagem de etanol anidro adicionado à gasolina comercializada no país. O que para muitos parece apenas uma questão de variação no consumo por litro esconde, na verdade, um processo corrosivo e destrutivo para a mecânica das motocicletas.
Historicamente projetados para lidar com combustíveis de composição mais equilibrada, os motores das motocicletas, em especial os modelos de baixa e média cilindrada, que representam a esmagadora maioria das ruas, sofrem diretamente com as propriedades químicas do álcool em excesso. O etanol possui alta capacidade higroscópica, o que significa que ele absorve com facilidade a umidade do ar. Com taxas elevadas de mistura, essa água acumulada no tanque decanta e gera um processo acelerado de oxidação nas paredes internas, além de entupir bicos injetores e carburadores.

As consequências práticas dessa verdadeira bomba-relógio química logo aparecem na rotina de quem depende da moto para trabalhar. Borrachas de vedação ressecadas, mangueiras de combustível porosas, corrosão precoce da bomba de combustível e falhas constantes na câmara de combustão tornaram-se rotina nas oficinas mecânicas. Além da corrosão metálica e do desgaste prematuro de componentes vitais, a queima desse combustível alterado reduz a vida útil das velas e compromete a lubrificação das paredes dos cilindros, resultando em prejuízos financeiros recorrentes para trabalhadores e entusiastas que veem sua principal ferramenta de trabalho desvalorizar e quebrar precocemente.


