Librelon: apoio psicológico a agentes de segurança publica

Proposta prevê assistência presencial e online, com alcance nos 92 municípios do Estado do Rio; após receber emendas, texto retorna às comissões da Alerj

A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) analisa o Projeto de Lei nº 893/2023, de autoria do deputado Librelon (Republicanos), que propõe ampliar o atendimento psicológico a profissionais da segurança pública e seus familiares. Após receber emendas durante a tramitação, o projeto retornará às comissões da Casa para nova análise.

A proposta altera a Lei nº 8.386/2019 e busca ampliar o alcance do programa de apoio psicológico para além da capital, contemplando os 92 municípios fluminenses. O texto prevê a possibilidade de instalação dos serviços em hospitais estaduais ou de celebração de convênios com instituições especializadas.

Atendimento online pode facilitar o acesso

Entre os pontos previstos está a possibilidade de consultas por plataformas digitais. O atendimento online poderá facilitar o acesso de profissionais que vivem em municípios distantes ou em regiões com menor oferta de especialistas.

A iniciativa contempla policiais civis e militares, bombeiros, inspetores de segurança, policiais penais e servidores do sistema socioeducativo, além de seus familiares. A proposta considera que a exposição a situações de risco e violência pode afetar também o bem-estar das pessoas próximas aos profissionais.

Saúde mental como parte da proteção

A justificativa do projeto destaca a importância de fortalecer as políticas de cuidado voltadas aos profissionais da segurança pública. Dados mencionados na proposta apontam aumento nos afastamentos de policiais militares por questões relacionadas à saúde mental. Entre janeiro e agosto de 2018, foram registrados 2.500 afastamentos, número superior ao total de 836 ocorrências contabilizadas ao longo de 2014.

Para o deputado Librelon, ampliar o acesso ao atendimento psicológico é uma forma de cuidar de quem exerce funções essenciais para a população. A proposta busca facilitar o acompanhamento especializado e contribuir para a prevenção do agravamento de problemas emocionais.

A iniciativa integra a atuação parlamentar de Librelon nas áreas de segurança pública e saúde. O deputado concorre à reeleição para o terceiro mandato na Alerj pelo Republicanos.

Próximas etapas

Com as emendas recebidas, o Projeto de Lei nº 893/2023 retornará às comissões da Alerj para análise. Após essa etapa, a proposta poderá seguir para as próximas fases de tramitação legislativa.

O Velório: humor e mistério em uma despedida inusitada

Peça autoral de Cecília Carvalho mistura drama, comédia e reviravoltas em uma história que revela as contradições humanas diante da vida e da morte.

O que deveria ser um momento de despedida se transforma em uma sequência de acontecimentos inesperados. A peça O Velório, escrita e dirigida por Cecília Carvalho, apresenta uma trama que mistura drama, humor e mistério, conduzindo o público por situações surpreendentes em um velório nada convencional.

Entre segredos, conflitos e relações humanas, os personagens revelam sentimentos e comportamentos que transitam entre o racional e o irracional. A narrativa transforma a despedida em um cenário de risos, tensão e reviravoltas, mostrando que até mesmo diante da morte as contradições da vida continuam presentes.

A montagem reúne alunos das turmas da Oficina de Atores da Tijuca e do Méier, em uma produção que explora diferentes emoções e convida o espectador a refletir sobre a vida, a morte e as relações humanas.

Com texto e direção de Cecília Carvalho, o espetáculo promete uma experiência teatral que combina o cômico e o trágico, surpreendendo o público do início ao fim.

Serviço
17 e 18 de outubro, às 20h
Teatro Henriqueta Brieba – Tijuca Tênis Clube, Rio de Janeiro.
Espetáculo: O Velório
Texto e direção: Cecília Carvalho

Setor óptico recua 11%, mas Sudeste registra crescimento

Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo apresentam alta no faturamento, enquanto o Rio de Janeiro registra leve retração.

O setor óptico brasileiro registrou faturamento de R$ 2,15 bilhões em julho de 2026, uma queda de 11% em comparação ao mesmo período de 2025. Apesar do recuo, o mercado apresentou recuperação de 3% em relação a junho deste ano, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria Óptica (Abióptica).

O desempenho regional revela diferenças importantes entre os estados do Sudeste. Minas Gerais apresentou crescimento de 14,5%, passando de R$ 245 milhões para R$ 280,5 milhões. O Espírito Santo registrou alta de 20%, com faturamento de R$ 75 milhões, ante R$ 62,5 milhões no ano anterior.

São Paulo também apresentou resultado positivo, com crescimento de 10,8%, passando de R$ 781,57 milhões para R$ 866 milhões. Já o Rio de Janeiro registrou leve retração de 0,7%, com faturamento de R$ 134 milhões, frente aos R$ 135 milhões contabilizados em julho de 2025.
Perspectivas para 2026.

Apesar dos desafios econômicos, a Abióptica projeta crescimento de 2,9% para o setor em 2026, com faturamento estimado em R$ 28,77 bilhões.

Segundo Ambra Nobre Sinkoc, diretora executiva da entidade, a recuperação mensal demonstra consistência, mas ainda não é suficiente para sustentar uma previsão mais otimista.
Entre os principais desafios enfrentados pelo mercado estão a cautela dos consumidores diante do endividamento e a concorrência de produtos falsificados e ilegais.

De acordo com levantamento do Fórum Nacional contra a Pirataria e a Ilegalidade (FNPC), aproximadamente metade dos 106,5 milhões de óculos comercializados anualmente no Brasil é composta por produtos falsificados ou de origem ilegal.

O setor óptico brasileiro emprega mais de 190 mil pessoas e reúne 71.226 pontos de venda em todo o país.
Mesmo diante das dificuldades, a expectativa da Abióptica é de que o mercado encerre 2026 com crescimento, sustentado pela recuperação gradual das vendas.

Parque do Palácio recebe mudas do projeto original de Burle Marx

Com apoio da ClickLivre Energia, iniciativa celebra o Dia da Árvore e o início da primavera

Neste domingo, 27, das 10h às 12h, o Parque do Palácio, em Belo Horizonte, promove uma ação de plantio de mudas que fazem parte do projeto original do paisagista Burle Marx para o Palácio das Mangabeiras. A programação também inclui o plantio de mudas que representam o Cerrado mineiro em outras áreas do parque. A iniciativa, que celebra o Dia da Árvore e o início da primavera, tem apoio da ClickLivre Energia e é aberta a famílias.

Construído entre 1951 e 1955 para ser residência oficial dos governadores de Minas Gerais, o Palácio das Mangabeiras foi transformado em 2022 em um espaço aberto à população, dando origem ao Parque do Palácio, centro cultural integrado à natureza e voltado ao lazer. O local preserva parte dos jardins projetados por Burle Marx, com vista para a Serra do Curral, e recebeu as mudas por meio de doação.

Para Felipe Carvalho, fundador e CEO da ClickLivre Energia, a iniciativa une memória e sustentabilidade. “Apoiar uma ação que leva ao parque mudas do projeto original de Burle Marx e mudas que representam o Cerrado mineiro é contribuir, ao mesmo tempo, para a preservação do meio ambiente e de um capítulo importante da história de Minas Gerais e do paisagismo brasileiro”, afirma.

A ação conta com a participação do coletivo voluntário Bora Plantar, que vai orientar o público durante o plantio e compartilhar informações sobre preservação e cuidado com o meio ambiente. O ponto de encontro será a Cabana do Movido a Fantasia, espaço criativo infantil, dentro do parque. A participação no plantio é livre para quem estiver no parque, mediante a compra do ingresso de acesso pelo Sympla.

Serviço
Ação de plantio de mudas do projeto original de Burle Marx no Parque do Palácio
Data: 27 de setembro (domingo)
Horário: das 10h às 12h
Ponto de encontro: Cabana do Movido a Fantasia, no Parque do Palácio
Endereço: Rua Professor Djalma Guimarães, 161, Mangabeiras, Belo Horizonte
Participação: livre, mediante ingresso de acesso ao parque, vendido pelo Sympla

Sobre a ClickLivre Energia
Responsável pela energia do Parque do Palácio, a ClickLivre Energia é uma empresa mineira especializada em energia solar por assinatura que atua no mercado de geração distribuída. A companhia oferece solução prática e 100% digital para residências e empresas em Minas Gerais, sem obras, investimentos nem instalação de equipamentos, reduzindo a conta de luz dos consumidores. A energia fornecida é limpa e certificada, proveniente de fazendas solares próprias, e contribui para a transição energética.

CEO da AMG Brasil é reeleito para o comitê executivo do TIC

Fabiano Costa, CEO da AMG Brasil, referência global na produção de lítio, nióbio, tântalo e outros materiais especiais, foi reeleito para o Comitê Executivo do Tantalum-Niobium International Study Center (TIC). A eleição ocorreu durante a 67ª Assembleia Geral da entidade, realizada em Yinchuan, na China, na última semana.

O TIC é uma associação internacional que reúne empresas da indústria de tântalo e nióbio e promove o intercâmbio de informações técnicas sobre as aplicações desses metais, as cadeias de suprimentos e os desafios do setor.

O tântalo é utilizado na fabricação de capacitores, componentes que ajudam a estabilizar a alimentação elétrica de equipamentos eletrônicos, incluindo servidores usados na infraestrutura de inteligência artificial. Diante da expansão desse mercado, a AMG Brasil defende o fornecimento responsável de minerais, com atenção à origem legal e à rastreabilidade, à prevenção do financiamento de conflitos e ao combate ao trabalho forçado e infantil.

“O novo mandato é uma oportunidade de fortalecer a cooperação diante das novas demandas da indústria. Queremos contribuir para que a ampliação do fornecimento caminhe junto com boas práticas de extração e responsabilidade sobre a origem das matérias-primas”, afirma Fabiano Costa.

Del Rey e Senac oferecem curso de qualificação profissional

Iniciativa oferece 80 vagas e prepara profissionais para oportunidades no varejo; aulas começam em 5 de outubro

O Shopping Del Rey, em parceria com o Senac Minas, abriu 80 vagas gratuitas para qualificação profissional em Belo Horizonte. Por meio do programa Del Rey Educa, os participantes poderão fazer o curso “Qualidade no Atendimento ao Cliente”, voltado ao desenvolvimento de competências para atuação no varejo. As inscrições estão abertas até 30 de setembro e devem ser realizadas no site ou presencialmente na recepção da Administração do shopping, localizada no 1º piso, das 10 às 18h, de segunda a sexta-feira.

A iniciativa é destinada a pessoas com 18 anos ou mais, Ensino Fundamental completo e que estejam em busca de inserção ou recolocação profissional, preferencialmente residentes em Belo Horizonte. As aulas começam no dia 5 de outubro e serão realizadas presencialmente no Shopping Del Rey, com conteúdo ministrado por um especialista do Senac Minas e voltado ao desenvolvimento de habilidades e técnicas de atendimento valorizadas pelo mercado de trabalho.

A formação acontece em um período estratégico para quem busca uma oportunidade no varejo. O último trimestre do ano concentra datas importantes para o comércio, como Dia das Crianças, Black Friday e Natal, período em que o setor tradicionalmente amplia a contratação de profissionais para atender ao aumento da demanda.

O programa de educação profissionalizante integra a plataforma Del Rey Acolhe, que desenvolve ações socioassistenciais, atividades educativas e de orientação cidadã para pessoas em situação de vulnerabilidade social que vivem no entorno do shopping. “O Del Rey Acolhe é a consolidação do nosso compromisso com o desenvolvimento social do nosso entorno, algo que já vem sendo trabalhado ao longo dos nossos 35 anos. É a oportunidade que temos de olhar para as pessoas e enxergar seu potencial, exercendo de forma plena o nosso papel social”, afirma Kátia Andrade, gerente de Marketing do Shopping Del Rey.

A executiva destaca ainda que a qualificação também busca aproximar os participantes das oportunidades oferecidas pelo próprio mercado de trabalho. “Nos últimos anos, temos percebido a dificuldade das lojas em encontrar profissionais qualificados para preencher as vagas em aberto. Nosso propósito com esta iniciativa é preparar essas pessoas para as necessidades do mercado e criar conexões com as marcas que já estão aqui dentro, formando um ecossistema de oportunidades que possa gerar novas perspectivas profissionais para os participantes”, reforça.

Para ampliar as possibilidades de participação, serão oferecidas quatro turmas de 20 alunos, com opções de horários nos períodos da tarde e da noite. Os participantes também receberão lanche durante as aulas e, ao concluírem a formação, certificado digital emitido pelo Senac Minas.

SERVIÇO
Curso gratuito “Qualidade no Atendimento ao Cliente”
Iniciativa do Shopping Del Rey, ministrada por especialistas do Senac
Vagas: 80, sendo 20 alunos por turma
Início das aulas: 5 de outubro
Duração: (1) um mês
Turmas: períodos da tarde e da noite
Local das aulas: Shopping Del Rey – Avenida Presidente Carlos Luz, 3.001, Belo Horizonte (MG)
Inscrições: online e presenciais até 30 de setembro

Presenciais
Local das inscrições: Recepção da Administração do Shopping Del Rey, no 1º piso
Atendimento de segunda a sexta-feira, das 10h às 18h.
Endereço: Av. Presidente Carlos Luz, 3.001, Caiçara, Belo Horizonte.

Online
Site: https://shoppingdelrey.com.br/fique-por-dentro/del-rey-educa-curso-qualidade-no-atendimento-ao-cliente.htm

Requisitos: ter 18 anos ou mais e Ensino Fundamental completo.

Só se fala do beijo. Onde se perdeu a essência de ser humano?

Por Erika Pessôa
O beijo é apenas o gatilho. O que realmente importa, na montagem do Grupo Oficcina Multimédia para O Beijo no Asfalto, texto de Nelson Rodrigues, é o que acontece depois: a transformação de um gesto despretensioso em prova de culpa, a conversão de um homem moribundo em pretexto para o linchamento de outro. Duas mortes conectadas pela compaixão e aniquiladas pela desumanização.
Desde o primeiro minuto do espetáculo, a pergunta que atravessa o Teatro I do CCBB BH não é se Arandir beijou ou não o desconhecido atropelado, até porque isso é fato apresentado. A questão, muito mais incômoda, é outra: como pode uma sociedade olhar para um ato de misericórdia e enxergar apenas perversão? Onde se perdeu a essência de ser humano?
Ione de Medeiros, que dirige o Grupo Oficcina Multimédia há quase cinco décadas, não se contenta com a leitura óbvia que reduz a peça a uma antevisão das redes sociais. É claro: há fake news, cancelamento, viralização bem como todas as novas nomenclaturas para o relato do texto de 1961, e a montagem não o esconde. Mas a diretora vai além: o beijo, para ela, não é o escândalo; é o estopim de uma engrenagem que já funcionava muito antes de qualquer pessoa ter em mãos uma câmera ou da produção de _trending topics._
O que Nelson Rodrigues escreveu, e o GOM agora encena, é a anatomia de um mecanismo social que transforma vizinhos em juízes, família em acusação, imprensa em tribunal e polícia em carrasco. A tecnologia dos dias atuais apenas acelerou o processo; a lógica social, porém, permanece a mesma.
A cenografia, concebida a partir de elementos móveis manipulados pelos próprios atores, estabelece desde o início do espetáculo um diálogo tenso entre interior e exterior. A sala de Arandir e Selminha avança para o proscênio como quem convida o público a espiar pelo “buraco da fechadura” da residência do casal, expressão que a diretora usa com precisão cirúrgica. Não há participação direta, mas há cumplicidade voyeurística: o espectador não está diante de uma moldura preservada, mas colado à intimidade alheia, como quem ouve uma conversa no cômodo ao lado. As portas que se deslocam ora sugerem a verticalidade opressora dos prédios urbanos, ora evocam a faixa de pedestre, esse dispositivo mínimo de civilidade que é violado logo no acidente que dá início à tragédia. Nos 80 minutos de espetáculo o cenário muda porque as relações mudam; desloca-se porque o sentido não permanece estável; expõe sua construção porque a realidade ali é feita de versões sobrepostas.
Mas essa arquitetura cênica não se sustenta sem os corpos que a habitam. São oito atores (Ana Lavigne, Gabriela Veloso, Helena Soster, Henrique Torres Mourão, Jonnatha Horta Fortes, Marina Viana, Marcelo Alessio e Saulo Salomão) em uma maratona física e vocal que não dá trégua ao espectador: quase não há silêncios, e a palavra flui em um ritmo que explica, por si só, a falta de escuta impregnada na narrativa. Em momentos precisos, dois atores se revezam na composição de uma mesma personagem, um recurso que sublinha a fragmentação do sujeito contemporâneo: ninguém ali é uno, ninguém se ouve, todos falam ao mesmo tempo e para lugar nenhum.
A despeito da interpretação dos atores em cena, vale um destaque a Jonnatha Horta e Henrique Mourão que celebram, com esta montagem, 25 anos de atuação no Grupo Oficcina Multimédia, revelando uma maturidade cênica visível.
É nesse espaço de corpo, objeto, movimento e palavra que o vídeo, elemento recorrente na poética do grupo, ganha uma função particular. Diferentemente de Vestido de Noiva (2023, que deu a Ione de Medeiros o APCA de Melhor Direção), onde a imagem colaborava com os planos de realidade, memória e alucinação, aqui ela se torna um divã: as personagens falam para a câmera, em plano fechado, como quem desabafa na terapia. É uma fuga: como não existe escuta, as personagens falam então à plateia. O recurso expõe a solidão de cada um: todos interpretam o beijo como fato, quase ninguém suporta ouvir o seu sentido.
Na dinâmica dos diálogos, Arandir, em particular, é cercado de palavras que não são suas: a do repórter que fabrica a notícia, do delegado que investiga para confirmar uma culpa já presumida, da esposa que prefere o rumor à crer na relação intima que os unia, dos colegas que o transformam em chacota a partir da manchete. Dificilmente o acusado consegue completar uma frase e exprimir o sentido que deseja.
Os figurinos, funcionam como um arco dramático capaz de organizar a percepção do espectador. Primeiro, ao construir os fatos, há ausência. Em seguida, quando juventude, desejo, casamento e planos estão em pauta vê-se roupas leves, cores vivas. Depois, quando a suspeita se instala e se converte em nojo, vergonha e acusação, as cores pesam. Mas a virada final para o preto e o cinza nos figurinos não simboliza apenas o luto pela morte física de Arandir; é o enterro de qualquer possibilidade de confiança entre aquelas pessoas.
Há algo interessante: se o público atentar bem, talvez perceba que existe uma única personagem “colorida” que insiste até quase o fim em esperançar uma mudança ao destino que aguarda o protagonista: a jovialidade de Dália, cunhada de Arandir, permite-se fiar no objeto de seu desejo reprimido. Mas a não rejeição de Dália não é suficiente para reprimir o colapso familiar que chega coroado pela paixão secreta do sogro de Arandir.
Os atores, aliás, reservam ainda um instante de pausa irônica e quase onírica: em dado momento, dançam uma coreografia que quebra a tensão da narrativa como um ópio para a juventude dos anos 1960, aquela mesma que sonhava com encontros dançantes e que, na peça, vê seus planos de felicidade doméstica desmoronarem. No fim, antes de as luzes se apagarem, a música volta a marcar o compasso da narrativa ao som de “Bésame mucho.” Neste momento, a canção que pede o beijo que a cidade transformou em crime, soa como réquiem.
Nelson, o dramaturgo carioca, que escrevia com a precisão de um cronista desnudando o doméstico, cabe perfeitamente nessa engrenagem multimédia porque seu texto já é, por si só, uma máquina de produzir versões que, para um olhar atento, levará ao entendimento de que Arandir morre antes do tiro. A morte física, ao final, é apenas o selo burocrático de um processo consumado. É essa dupla morte — a do agonizante que recebe compaixão e é esquecido; e a de Arandir, que oferece compaixão e é aniquilado — que a encenação coloca em paralelo. Duas mortes conectadas pelo mesmo gesto, mas apenas uma vira espetáculo. A outra, a do desconhecido atropelado, serve apenas como disparador da máquina.
É nesta reflexão que mora a genialidade de Ione de Medeiros: a peça não é sobre o beijo, mas sobre o que a cidade faz com ele. O público é levado a reconhecer em si uma parte da multidão que condena. O “buraco da fechadura” é também o olho do espectador, que assiste à desgraça alheia no conforto da poltrona e do ambiente climatizado. A diretora não aponta o dedo para a imprensa ou para a polícia, afinal, isso seria simplório demais. Ione faz expor o mecanismo inteiro, do qual todos nós, sem exceção, fazemos parte.
A resposta de O Beijo no Asfalto não é otimista. Arandir é destruído, a família se desfaz, o capitalismo vestido de mais vendas de exemplares de jornais se consuma, a cidade segue seu curso. Mas o gesto inicial, aquele do beijo no homem agonizante, preserva uma centelha que a própria montagem não deixa apagar. A melhor coisa que Arandir fez na vida foi um ato de misericórdia que não pediu licença ao pensamento dominante. Que essa bondade seja transformada em crime é a verdadeira tragédia; que ela ainda seja possível, mesmo sob vigilância, é o que impede a peça de ser apenas um mural do desespero replicando discursos prontos.
O Grupo Oficcina Multimédia, ao escolher O Beijo no Asfalto para completar a trilogia rodriguiana e abrir as comemorações de seus cinquenta anos, reafirma a essência que o mantém como uma das formações mais longevas com atuação ininterrupta no Brasil.
Dali, o espectador sai do CCBB com a pergunta que pode não conseguir responder, mas deve formular: se o beijo de Arandir é compaixão, o que somos nós, que o transformamos em espetáculo?
* Erika Pessôa é uma apaixonada pelas palavras e tem na arte contemporânea uma de suas grandes inspirações. Desde 2006, atua de perto com projetos de repercussão nacional e internacional, como o Fórum Internacional de Dança, o Grupo Oficina Multimídia, a Orquestra Ouro Preto, o Conservatório de Música de São Paulo, a Orquestra Petrobras e o Museu a Céu Aberto de Arte Urbana, entre outros, já somando mais de 40 projetos culturais ao longo desses anos. Apreciadora das artes, gosta de transformar em palavras aquilo que percebe nas entrelinhas do que presencia.

Poços de Caldas recebe espetáculo gratuito sobre cultura

Foto: Grazi Ferreira

Projeto de Beatriz Aquino leva teatro documental e roda de conversa ao Centro de Referência Especializado de Assistência Social nesta quinta-feira (24) para discutir violência contra a mulher e desigualdade de gênero

 

O espetáculo “Recortes – A Mulher e seu Corpo Público”, da atriz, dramaturga e diretora Beatriz Aquino, realiza nesta quinta-feira, 24 de setembro, às 14h, mais uma apresentação gratuita de sua circulação por Poços de Caldas. Desta vez, a sessão acontece no CREAS – Centro de Referência Especializado de Assistência Social, localizado na Rua Laguna, 820, Jardim dos Estados.

A apresentação dá continuidade à circulação iniciada neste mês na cidade e aproxima o espetáculo de um equipamento público diretamente ligado ao atendimento e à proteção social. Após a sessão, o público participa de uma roda de conversa conduzida pela própria artista, ampliando o debate sobre feminicídio, assédio, violência psicológica, violência sexual e as diferentes formas pelas quais a sociedade naturaliza a apropriação e o controle do corpo feminino

Escrito e interpretado por Beatriz Aquino, “Recortes” é resultado de uma pesquisa realizada junto à Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM), ao próprio Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Poços de Caldas. A dramaturgia reúne relatos, dados e experiências que evidenciam diferentes formas de violência vividas por mulheres brasileiras.

A apresentação no CREAS ganha, portanto, um significado particular dentro da circulação: o espetáculo chega a um dos espaços que fizeram parte de sua própria construção e pesquisa, aproximando arte, políticas públicas e a rede de enfrentamento às violências contra as mulheres. “Esse é um tema urgente e que precisa ser discutido em várias esferas. Precisamos informar, sensibilizar e alertar sobre a crescente dos números de violência contra a mulher em nossa região e no país. Levar esse trabalho a diferentes espaços é também uma forma de ampliar o diálogo sobre essas questões humanas e, principalmente, sobre as questões de gênero”, afirma Beatriz Aquino.

Desde sua estreia, em 2023, no Sesc Poços de Caldas, o espetáculo já passou por cidades mineiras e teve apresentações independentes em São Paulo e Fortaleza. Em setembro, retornou a Poços de Caldas para uma nova circulação gratuita, que teve como primeira parada o IF Sul de Minas – Campus Poços de Caldas, no dia 3.

Além da apresentação artística, a proposta transforma o teatro em espaço de diálogo e reflexão. A conversa realizada após cada sessão permite que o público compartilhe impressões, dúvidas e experiências, fortalecendo o papel da arte como ferramenta de conscientização e transformação social.

O projeto foi contemplado pelo Edital Secult nº 8/2025 – Incentivo à Cultura, promovido pela Secretaria Municipal de Cultura de Poços de Caldas, com Alcoa como incentivadora cultural, captação da Carvalho Agência Cultural e produção de Danielle Vilas Boas, pela Mió Cultural.

Serviço
Recortes – A Mulher e seu Corpo Público
Data: 24 de setembro de 2026 (quinta-feira)
Horário: 14h
Local: CREAS – Centro de Referência Especializado de A

João Bosco revisita sua obra em álbum com amigos novos e antigos

Aos 80 anos, João Bosco tratou de multiplicar aquilo que a música lhe deu em doses generosas ao longo da carreira: amigos. Alguns de longa data, companheiros de muitas histórias; outros novos, de gerações que cresceram ouvindo suas canções e agora entram em seu universo para reinventá-las. Esses encontros dão o tom de Amigos Novos e Antigos (Som Livre), álbum que reúne 17 faixas e uma constelação de nomes como Chico Buarque, Caetano Veloso, Martinho da Vila, Ivete Sangalo, Tiago Iorc e Zeca Pagodinho.

Os convidados de João emprestam suas vozes e instrumentos à renovação de uma obra que permanece inquieta e contemporânea. São os parceiros de uma vida, os intérpretes que ajudaram a escrever a história de suas canções e uma nova geração que chega para acrescentar outras matizes a esse repertório. Amigos Novos e Antigos transforma a celebração de mais de cinco décadas de carreira em uma grande roda musical. O álbum, com regravações de clássicos do cancioneiro de João, chega às plataformas digitais no próximo dia 25.

A primeira parte do projeto chegou às plataformas em julho. Agora, o público conhece o álbum completo. “Chegar aos 80 cercado de pessoas que fizeram parte da minha história e de artistas que continuam levando essa música pra frente é um presente. Este disco nasceu da vontade de agradecer. Cada canção é uma conversa, um abraço, um reencontro”, resume João Bosco.

O título do álbum, inspirado na composição de João Bosco e Aldir Blanc, sintetiza o espírito do projeto. Mais do que uma coleção de duetos, Amigos Novos e Antigos é um álbum sobre encontros: entre diferentes gerações, entre memória e presente, entre compositores e intérpretes, entre canções que o Brasil aprendeu a amar e novas possibilidades de ouvi-las.

O percurso começa e termina com “Odilê Odilá”, em dueto com Martinho da Vila, estabelecendo uma espécie de moldura para a celebração. Entre esses dois momentos, o álbum atravessa diferentes territórios da obra de João Bosco. Em “Incompatibilidade de Gênios”, um de seus clássicos em parceria com Aldir Blanc, João divide a cena com Chico Buarque, em arranjo que conta ainda com o pianista cubano Gonzalo Rubalcaba. Em “Sinhá” (parceria de João e Chico), o dueto com Caetano Veloso acrescenta novas camadas à canção e reforça a cumplicidade entre dois dos maiores compositores da história da MPB.

A ancestralidade e a força rítmica da obra aparecem em “Nação”, com o bandolim de dez cordas de Hamilton de Holanda, enquanto Cesar Camargo Mariano imprime sua assinatura nos teclados em “Casa de Marimbondo”. Na faixa-título, a nova geração se faz presente, com Bruna Black e Mestrinho unindo suas vozes à de João. E “Jade”, por sua vez, aproxima Jota.Pê da clarinetista israelense-americana Anat Cohen.

O álbum também reserva espaço para encontros afetivos. Zeca Pagodinho traz sua malícia para “Siri Recheado e o Cacete”, parceria de João Bosco e Aldir Blanc lançada originalmente em 1980. Mart’nália põe sua ginga em “Kid Cavaquinho”, enquanto Tiago Iorc participa de “Perfeição”, parceria de João com seu filho Francisco Bosco.

 Em “Quando o Amor Acontece”, o cantor reencontra Mestrinho; Vanessa Moreno e Jaques Morelenbaum se unem em “Memória da Pele”; e Pedro Mariano e Rafa Mariano participam de “O Bêbado e a Equilibrista”, uma das canções mais emblemáticas do repertório de João Bosco e Aldir Blanc, na interpretação consagradora de Elis Regina. Essa faixa foi gravada em São Paulo, com produção do tecladista Marcelo Maita e acompanhamento da banda de Pedro Mariano.

                                                João Ferro                                            Victor Corrêa                                                Victor Corrêa

                                   André Rola                                         Victor Corrêa                                                       André Rola

            João Bosco gravou novo álbum ao lado de artistas como Chico Buarque, Caetano Veloso, Zeca Pagodinho,

 Jota.Pê, Martinho da Vila e Vanessa Moreno, entre amigos novos e antigos

 

 

A nova geração também está presente em “Papel Machê”, com Silva, e “Corsário”, que ganha a voz de Ivete Sangalo. A faixa “Boca de Sapo”, por sua vez, aparece sem convidado, permitindo que João Bosco revisite sozinho uma composição de 1979, reafirmando a força singular de sua interpretação.

Ao longo do disco, a presença de Aldir Blanc (1946-2020) continua a ecoar, como a poesia que nunca deixou de habitar a música de João Bosco. Parceiro de mais de uma centena de canções, o poeta permanece no centro de um repertório em que suas palavras continuam encontrando novas vozes. É uma presença que evoca outros intérpretes fundamentais da trajetória de João, entre eles Elis Regina, cuja voz foi determinante para levar muitas dessas canções ao imaginário afetivo do público.

Mais do que revisitar uma obra consagrada, Amigos Novos e Antigos revela por que ela continua tão atual. Samba, jazz, bossa, ritmos afro-brasileiros, crônica urbana, poesia e humor convivem em um repertório que nunca se deixou aprisionar por rótulos. A sofisticação harmônica do violonista encontra a força narrativa do compositor e a experiência de um intérprete que, mesmo depois de cinco décadas de carreira, segue apto à redescoberta.

O projeto visual do álbum ficou a cargo do fotógrafo Victor Corrêa e de João Ferro, em parceria com Julia Bosco (filha de João), que também assina como produtora executiva. “Amigos Novos e Antigos” marca uma novidade na trajetória do artista: é a primeira vez que ele grava um álbum concebido a partir de encontros com tantos convidados. A produção musical e os arranjos do trombonista Rafael Rocha, um dos expoentes da nova geração de músicos brasileiros, foram essenciais para conferir ao repertório uma sonoridade renovada.

É justamente aí que reside uma das grandes forças do álbum. Em vez de reproduzir gravações consagradas, os arranjos de Rafael Rocha redesenham as canções, preservando sua identidade e abrindo novas possibilidades de interpretação. O resultado é um disco em que o passado não aparece como peça de museu, mas como matéria viva, pronta para ganhar outras cores.

“Essas músicas nunca foram minhas apenas. Desde que nasceram, passaram a pertencer às pessoas. Agora voltam diferentes, carregando as histórias de quem as cantou, ouviu, gravou e viveu com elas. Acho bonito ver uma canção continuar mudando sem perder sua essência”, destaca João.

O álbum chega em um momento especialmente simbólico para João Bosco. Aos 80 anos, ele olha para uma trajetória extraordinária sem transformar a celebração em retrospectiva. Ao contrário: reúne amigos antigos e novos para provar que uma canção pode envelhecer sem perder a juventude. E que uma obra verdadeiramente brasileira continua se transformando cada vez que encontra uma nova voz, um novo instrumento ou um novo ouvido.

Amigos Novos e Antigos é uma celebração de João Bosco, mas também da própria capacidade da música de criar vínculos. Um disco sobre aquilo que permanece quando o tempo passa: as canções, as amizades, as histórias compartilhadas e a emoção de cantar novamente aquilo que nunca deixou de fazer sentido.

FAIXAS

  1. “Odilê Odilá” (abertura) — Martinho da Vila
  2. “Incompatibilidade de Gênios” — Chico Buarque e Gonzalo Rubalcaba
  3. “Nação” — Hamilton de Holanda
  4. “Toma Lá, Dá Cá” — João Bosco
  5. “Casa de Marimbondo” — Cesar Camargo Mariano
  6. “Amigos Novos e Antigos” — Bruna Black e Mestrinho
  7. “Sinhá” — Caetano Veloso
  8. “Jade” — Jota.Pê e Anat Cohen
  9. “Perfeição” — Tiago Iorc
  10. “Boca de Sapo” — João Bosco
  11. “Siri Recheado e o Cacete” — Zeca Pagodinho
  12. “Kid Cavaquinho” — Mart’nália
  13. “Quando o Amor Acontece” — Mestrinho
  14. “Memória da Pele” — Vanessa Moreno e Jaques Morelenbaum
  15. “O Bêbado e a Equilibrista” — Pedro Mariano e Rafa Mariano
  16. “Papel Machê” — Silva
  17. “Corsário’ — Ivete Sangalo
  18. “Odilê Odilá” (Encerramento) — Martinho da Vila

Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, propõe debate

Painel reúne cientistas e lideranças religiosas no ParlaMundi da LBV, em Brasília/DF
 
O Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, que há 26 anos promove o diálogo entre Ciência e Espiritualidade, realizará no próximo dia 14 de outubro, às 19 horas, no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica (ParlaMundi da LBV), em Brasília/DF, o painel “Intuição: um diálogo entre Espiritualidade e Ciência”.
O evento propõe uma reflexão interdisciplinar sobre a intuição como dimensão da experiência humana, reunindo diferentes perspectivas para discutir como esse fenômeno pode ser compreendido. O debate abordará aspectos cognitivos, culturais, éticos e espirituais relacionados ao tema, bem como suas possíveis implicações para a pesquisa científica, a prática clínica, a vivência religiosa e a construção de uma Cultura de Paz.
Participam do painel cinco palestrantes de reconhecida atuação em diferentes áreas do conhecimento e tradições religiosas. Carlos Eduardo Tosta, imunologista e professor-emérito da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (UnB), abordará o tema “Intuição: voz do cérebro ou voz da alma?”. Maurício Neubern, professor do Departamento de Psicologia Clínica da UnB, apresentará a palestra “Ciência, intuição e espiritualidade: do controle ao diálogo”. Rosylane Nascimento Rocha, segunda vice-presidente e coordenadora da Comissão Saúde e Espiritualidade do Conselho Federal de Medicina (CFM), discutirá a “Intuição sob a perspectiva científica e na prática clínica”; Sri Gopinatha Das, presidente da Associação Hare Krishna do Distrito Federal, vinculada à Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON), tratará da “Meditação como caminho para a intuição”. Já Rosiel dos Santos, chanceler da Religião de Deus, do Cristo e do Espírito Santo, apresentará o tema “A intuição é a Inteligência de Deus em nós”, tese defendida pelo jornalista e escritor Paiva Netto (1941-2025), criador do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV.
O evento será realizado presencialmente, com transmissão on-line. Os participantes inscritos em qualquer uma das modalidades receberão certificado de participação com carga horária. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo site: www.forumespiritoeciencia.org.
Sobre o Fórum
O Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, foi criado pelo jornalista, radialista e escritor José de Paiva Netto (1941-2025), no ano 2000. Sua primeira sessão plenária foi realizada no Parlamento Mundial da Fraternidade Ecumênica, o ParlaMundi da LBV. Desde então, o Fórum consolidou-se como um espaço fraterno de diálogo e cooperação entre os campos científico e religioso, promovendo a integração de saberes e práticas em favor do desenvolvimento de uma Cultura de Paz.
Sobre essa iniciativa, afirmou Paiva Netto: “Ao lançar a proposta de abertura de uma tribuna democrático-ecumênica no ParlaMundi, quis estabelecer um espaço para o colóquio solidário e profícuo. E assim fomentar o diálogo sobre assuntos fundamentais para o entendimento de nossa existência aqui, neste pequenino planeta, como também do nosso estágio na hierarquia do Cosmos, utilizando, para esse fim, a conciliação do conhecimento humano com o espiritual nos diversos campos do saber”.
Acompanhe as atividades do Fórum Mundial Espírito e Ciência, da LBV, pelo canal YouTube: https://www.youtube.com/@forumespiritoeciencia.