Vinhos frescos para um inverno tropical

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Muitas vezes pensamos no inverno com um olhar educado por filmes, TV, viagens… é um inverno rigoroso, nevado, bem frio… que traz a sensação de que o corpo pede calorias, pede pratos quentes e fortes. Pede vinhos encorpados, tanicos, robustos e muitas vezes amadeirados. Porém estamos no Brasil, talvez o maior país tropical do mundo. Temos invernos frescos, com leve decréscimo da temperatura que pede vinhos não tão encorpados.

Aproveitamos o Liber Day em Belo Horizonte – Minas Gerais para trazer uma seleção de vinhos coringas, que trazem a sutileza no seu rótulo, porém tem uma pegada de inverno tropical, na medida certa. O Liber Day é um dos maiores eventos de vinhos de Minas, reunindo produtores nacionais e internacionais, gastronomia e degustação de rótulos selecionados. São reunidos produtores de diversos países e territórios: Uruguai, Argentina, Chile, França, Espanha, Minas Gerais, Rio Grande do Sul… além de produtos regionais e artesanais como pães e queijos das Minas. Lado a lado no mesmo stand podemos comparar o corpo de um vinho Argentino e outro Uruguaio da mesma uva, fabricados com as mesmas técnicas porém que resultam em vinhos diferente…

“Lhes recomendo neste inverno brasileiro o Marselan Dardanelli um vinho sem passagem por madeira, que preserva o frescor da fruta viva. Traz menos corpo e mais fruta, na boca é bem macio, com taninos mais doces e boa acidez”. Destaca Eliana Dardanelli, produtora de vinhos de Canelones, Uruguai. “Quando eu imagino um brasileiro bebendo o meu vinho, eu penso em alguém que gosta de comer pratos leves, faz boas harmonizações e é explorador, de alguma maneira se intriga pela produção Uruguaia, um país tão pequeno de população e tão grande no mundo dos vinhos”. Complementa Eliana.

Já com outra proposta de inverno temos o vinho Semmilon da vinicola Gualtallary, de Mendoza, Argentina, um vinho branco com passagem de 7 meses no barril de carvalho que corrige sua acidez mais volátil. “No nariz ele quase não entrega nada, deixa para revelar suas notas em boca, é um vinho vivido, a essência da altitude, o frio noturno prolonga sua maturação, gerando assim a preservação da acidez natural, vibrante e encantador” destaca a enologa Macarena Gimenez. A presença do carbonato de cálcio e pedras cobertas de giz no terreno de altitude confere textura quase “mastigavel ao vinho”, isso entrega notas minerais muito interessantes para a harmonização com risoto leves de inverno.

Wagner Salomão, o famoso Cheff Salomão de Belo Horizonte. Diretor da Associação brasileira de sommeliers Minas, falou sobre esse vinho – “Gosto da acidez, acredito que ela ascende os temperos e sabores do prato, esse vinho branco neste inverno tropical harmoniza por exemplo com um risoto mineiro, você conhece? É um risoto regional que leva linguiça, bacon, couve, queijo canastra… e com uma taça de vinho semillon gera intenso movimento, parece que um aroma convida o outro, isso para mim é o inverno em Minas, tropical, fresco”. Resume…

“Risonha, alegre, perfumada e iluminada é a estação fria brasileira… sem lareira e com flores na sala” tal como no soneto do poeta João Carlos Bezerril, assim temos as características do próximo vinho de Ricard Zamora de Tarragona, Espanha. “É um vinho com corpo, com notas marcantes, que pede certo refresco a 16 graus para abrir mais seus aromas, traduz a essência da Espanha através da uva Garnatxa e Carinyena, e acredito que aqui no inverno brasileiro traria ótima harmonização com pratos de carnes que levem especiarias, o brasileiro adora uma pimenta do reino, uma noz moscada..”… destaca Ricard. A região do Priorat na Catalunha traz este vinho com notas minerais que são extraídas do solo de xisto. Isso resulta em ressaltar as notas e nuances sutis de cacau e especiarias, uma expressão mais terrosa. Um vinho expressivo. “Aparentemente os vinhedos mais antigos têm esse poder de extrair minerais do solo e resultar em vinhos com perfil mais de inverno”.

Talvez a grande novidade em termos de perfil de vinho de inverno tropical venha da Toscana, Itália através do vinho da uva Cillegiolo, vinho elaborado com uma uva nativa milenar daquela região que vem do nome Cillegia, cereja em italiano. “Notas de cereja fresca, como se você com uma cestinha estivesse colhendo cerejas, taninos macios e muito polidos” assim define Ary Buono. “É um vinho tinto que aceitaria até a harmonização com um peixe, uma peixada, frutos do mar brasileiro que também são consumidos no inverno tropical “.

“Longas são as noites no inverno tropical, vejo um amarelo acinzentado no ar, mas não sinto seu calor na minha pele…sinto o frescor na minha pele”… assim o poeta traz uma ideia imaginada de como é nosso inverno, noites frescas que pedem vinhos redondos, educados e até um pouco de acidez mais elevada. Você já elegeu seu vinho de inverno? Aproveite até o fim da estação, viva, a vida é hoje!

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