Por Mauro But
Encontro reuniu presidentes estaduais da ABAV, autoridades chinesas e brasileiras e empresas do setor; presidente da ABAV-MG, Alexandre Brandão, vê oportunidade para inserir Minas Gerais nesse novo fluxo turístico
A China desembarcou em São Paulo não apenas como um dos grandes mercados emissores do turismo mundial, mas com uma agenda clara de aproximação com o Brasil. No dia 29 de setembro, às vésperas da abertura da 53ª ABAV Expo, um encontro reuniu representantes do governo chinês, autoridades brasileiras, empresas do trade e presidentes estaduais da Associação Brasileira de Agências de Viagens (ABAV), abrindo novas perspectivas para a relação turística entre os dois países.
A movimentação ganha relevância em um momento especialmente favorável. Brasileiros com passaporte comum podem entrar na China sem visto para viagens de até 30 dias, dentro das condições previstas pela política chinesa, atualmente prorrogada até 31 de dezembro de 2026. Desde maio deste ano, cidadãos chineses também contam com isenção de visto para viagens de curta duração ao Brasil.
Para o presidente da ABAV-MG, Alexandre Brandão, a mudança cria uma avenida de oportunidades nas duas direções: estimular brasileiros a descobrirem a China e, principalmente, trabalhar para ampliar a presença dos chineses no Brasil com Minas Gerais buscando uma fatia desse mercado.
“Foi um evento de parceria da ABAV com o governo da China para prospectar turistas brasileiros para conhecer a China e, principalmente, trazer chineses para o mercado brasileiro. É um mercado gigantesco e com enorme potencial para a gente”, destacou Brandão.
O encontro contou, segundo o presidente da ABAV-MG, com autoridades diplomáticas chinesas, entre elas representantes da Embaixada e do Consulado Geral da China em São Paulo, além de players ligados ao turismo chinês, companhias aéreas, operadores de receptivo e representantes de soluções de pagamento.
Entre as empresas citadas por Brandão está a Air China, evidenciando que a aproximação não se restringe à promoção de destinos. A discussão passa por toda a cadeia necessária para transformar interesse em viagens efetivas: conectividade aérea, operação turística, receptivo, meios de pagamento, relacionamento comercial e preparação dos destinos brasileiros para receber esse público.
“Foi um evento bastante proveitoso para nós e vamos tentar atrair esse mercado chinês para o mercado mineiro também”, afirmou Alexandre Brandão.
A estratégia interessa especialmente a Minas Gerais. Gastronomia, patrimônio histórico, cidades coloniais, natureza, cultura, experiências rurais e hospitalidade formam um portfólio que pode ser trabalhado comercialmente junto às operadoras e aos viajantes chineses. O desafio passa agora pela construção de produtos adequados a esse público e pela aproximação entre agentes de viagens, receptivos, hotelaria, companhias aéreas e destinos.
China ganha espaço inédito na ABAV Expo
Segundo Brandão, a aproximação começou a partir de um convite feito à presidente da ABAV Nacional para uma visita à China. A partir desse relacionamento, a presença chinesa ganhou dimensão inédita dentro da ABAV Expo 2026.
“Essa ativação começou através de um convite que a presidente nacional recebeu para visitar a China e ela aceitou esse convite. Com isso, o governo da China comprou três espaços aqui no nosso estande”, explicou.
Para Brandão, a estreia com presença institucional expressiva sinaliza uma nova fase no relacionamento entre os dois mercados.
“É a primeira vez que eles participam. Eles nunca estiveram presentes. Isso mostra a força e a pujança desse mercado que começa agora.”
A iniciativa acontece em paralelo à ABAV Expo 2026, realizada entre 30 de setembro e 2 de outubro, no Expo Center Norte, em São Paulo. A própria ABAV apresenta a feira como um dos principais pontos de encontro entre agentes de viagens, destinos, fornecedores e compradores do turismo.
Um mercado que Minas quer conquistar
Para a ABAV-MG, a aproximação abre uma discussão estratégica: como transformar o novo cenário diplomático e comercial em turistas efetivamente circulando por Minas Gerais?
A retirada da barreira do visto facilita a viagem, mas a conquista desse público dependerá de promoção, conectividade, capacitação dos agentes, criação de roteiros, comunicação direcionada e articulação comercial.
É justamente nesse ponto que encontros como o realizado em São Paulo ganham peso. Ao colocar na mesma mesa autoridades, empresários, operadores e dirigentes da ABAV de diferentes estados, a relação Brasil – China deixa o campo institucional e começa a avançar para a construção de produtos e negócios.
Para Alexandre Brandão, Minas Gerais pretende participar desse movimento desde o início.
Se a China começa a olhar com maior atenção para o Brasil, a ABAV-MG quer garantir que, nesse novo mapa de viagens, Minas Gerais também esteja no roteiro.

