Por Mauro But
Primeiro dia da maior feira de negócios do turismo da América Latina reúne autoridades, empresários, agentes de viagens e delegações nacionais e internacionais; abertura teve Demônios da Garoa e discursos que colocaram negócios, internacionalização, conectividade e integração no centro da agenda
São Paulo se transformou, nesta quarta-feira, 30 de setembro, em uma grande vitrine do turismo brasileiro. A abertura da 53ª edição da ABAV Expo reuniu representantes de diferentes regiões do país, delegações internacionais, empresários, autoridades, agentes de viagens, operadores, hoteleiros e algumas das principais lideranças do trade para três dias de negócios, relacionamento, capacitação e discussão sobre os próximos caminhos da indústria de viagens.
A cerimônia mostrou logo nas primeiras horas a dimensão institucional do encontro. Entre as lideranças presentes estavam a presidente da ABAV Nacional, Ana Carolina Medeiros; o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca; o presidente da Embratur, Bruno Reis; a presidente do Fornatur – Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo, Marina Dias Marinho; e o presidente da Anseditur – Associação Nacional dos Secretários e Dirigentes Municipais de Turismo, Ítalo Mendes, além de secretários de Turismo, presidentes das ABAVs estaduais, representantes de entidades, empresários e profissionais de diferentes segmentos da cadeia turística.
Também foram citados durante a solenidade representantes da ANAC, da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), da ONU Turismo, da CLIA Brasil, além de lideranças estaduais e municipais.
Entre discursos, encontros e manifestações culturais, um dos momentos que deram um sabor especialmente paulistano à abertura foi a participação dos Demônios da Garoa, que levaram ao evento clássicos associados à história musical de São Paulo. A apresentação quebrou a formalidade do protocolo, arrancou sorrisos e foi elogiada até mesmo nos discursos que vieram na sequência.
Ana Carolina: uma feira que reúne o Brasil e abre portas para o mundo
À frente da ABAV Nacional, Ana Carolina Medeiros abriu oficialmente o evento destacando a capacidade da entidade de reunir profissionais responsáveis por fazer o turismo acontecer diariamente.
E os números ajudam a dimensionar essa movimentação.
A ABAV Expo chegou à abertura com mais de 23 mil profissionais inscritos, e a expectativa anunciada é receber aproximadamente 40 mil pessoas ao longo dos três dias. A mobilização inclui ainda 520 agentes de viagens associados de todos os estados brasileiros e do Distrito Federal.
Para Ana Carolina, essa presença nacional demonstra não apenas a dimensão da feira, mas a capacidade de mobilização do sistema ABAV e do associativismo.
“Essa é a casa do agente de viagens. Essa é a casa do turismo brasileiro”, afirmou a presidente ao encerrar seu pronunciamento.
Uma ABAV cada vez mais internacional

A edição de 2026 amplia também sua presença internacional.
A China, destino internacional de destaque, participa pela primeira vez da ABAV Expo. A feira recebe ainda o Quênia, celebra o retorno da África do Sul e do Caribe Mexicano e conta novamente com mercados como Argentina, Uruguai, Peru e República Dominicana, entre outros destinos.
Em parceria com a Embratur, a ABAV trouxe compradores convidados de 13 países, que participam de encontros e reuniões com expositores, associados e representantes do turismo brasileiro.
A proposta é objetiva: aproximar quem vende o Brasil de quem pode colocar os destinos brasileiros nas prateleiras do mercado internacional.
Bruno Reis: crescimento precisa virar estratégia de longo prazo
O presidente da Embratur, Bruno Reis, levou ao palco uma reflexão que foi além da comemoração dos números.
Segundo ele, o crescimento do turismo brasileiro não aconteceu por acaso. Campanhas, participação em feiras, ações promocionais, projetos e diferentes ferramentas de marketing executadas nos últimos anos fizeram parte de uma estratégia de longo prazo.
Bruno chamou atenção também para uma mudança de perspectiva: o sucesso do turismo internacional não deve ser medido apenas pela quantidade de visitantes.
O objetivo é atrair um turista que permaneça por mais tempo, gaste mais, conheça diferentes destinos brasileiros, gere emprego e renda nas economias locais e queira voltar ao país.
O presidente da Embratur resumiu parte dessa visão em uma mensagem direta: “É fazer mais e falar menos. É fazer junto, é fazer com estratégia, com compromisso, com espírito coletivo.”
Tomé Franca destaca integração entre turismo, aeroportos e conectividade
O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, também participou da abertura e reforçou a importância da integração entre turismo, transporte aéreo, aeroportos e os diferentes integrantes da cadeia.
Em sua fala, Tomé Franca saudou agentes de viagens, operadores, hoteleiros e representantes do setor, além de destacar a relação entre o Ministério de Portos e Aeroportos e o Ministério do Turismo. Também mencionou a parceria com a ANAC e cumprimentou representantes das entidades presentes na feira.
A presença do ministro reforçou um dos assuntos estratégicos para o crescimento do turismo brasileiro: conectividade. Afinal, ampliar destinos depende também de aeroportos, novos voos, capacidade operacional e acesso do viajante aos diferentes territórios brasileiros.
Ítalo Mendes: turismo precisa de gestão profissional e continuidade
O presidente da Anseditur – Associação Nacional dos Secretários e Dirigentes Municipais de Turismo, Ítalo Mendes, colocou os municípios no centro da discussão.
Para ele, o Brasil vive um momento especial, com recordes relacionados à chegada de turistas internacionais, entrada de divisas e movimentação de passageiros, mas ainda existe espaço para avançar.
Ítalo defendeu gestão pública profissionalizada, melhoria da infraestrutura, atração de investimentos, capacitação profissional e promoção dos destinos brasileiros.
Em seu pronunciamento, utilizou inclusive um exemplo mineiro: Grão-Mogol, no Norte de Minas Gerais, mostrando como políticas estruturadas de turismo podem modificar a dinâmica econômica de municípios que possuem potencial, mas ainda precisam ganhar espaço na comercialização nacional.
Ítalo também chamou atenção para a importância das agências de turismo receptivo. Segundo sua avaliação, destinos que não possuem receptivos estruturados encontram maiores dificuldades para entrar na cadeia profissionalizada de comercialização das grandes agências e operadoras.
Fornatur coloca os estados no centro da construção turística
Representando os estados brasileiros, Marina Dias Marinho, presidente do Fornatur ( Fórum Nacional dos Secretários e Dirigentes Estaduais de Turismo), definiu a ABAV Expo como uma grande fotografia do turismo brasileiro.
Em um mesmo ambiente estão destinos, agentes de viagens, operadoras, companhias aéreas, hotelaria, guias, investidores e profissionais que fazem a atividade funcionar diariamente.
A expectativa apresentada em seu discurso é de uma edição com aproximadamente 40 mil participantes e cerca de 2 mil marcas.
Mas Marina levou a discussão para além dos grandes números.
Chamou atenção para a pousada familiar, o pequeno restaurante, o artesão, o guia de turismo, o motorista, quem produz cultura e os milhares de pequenos empreendedores que encontram no turismo uma possibilidade de geração de renda e transformação econômica.
Essa capilaridade, segundo a presidente do Fornatur, é uma das grandes forças da atividade: um novo voo pode significar mais passageiros em um aeroporto, mas também mais clientes na mesa de um restaurante; um grande investimento pode gerar novos empreendimentos, mas também aumentar a renda de quem trabalha no artesanato, no transporte, na gastronomia e nas pequenas pousadas.
São Paulo assume o papel de anfitrião
Como anfitrião da edição, São Paulo também utilizou a ABAV Expo para apresentar sua diversidade turística.
A secretária estadual de Turismo e Viagens destacou um território que combina a maior metrópole do país com litoral, serras, áreas preservadas de Mata Atlântica, gastronomia e rotas dedicadas ao vinho, café, cachaça, cerveja e queijo.
A conectividade apareceu novamente como elemento estratégico. O Aeroporto Internacional de Guarulhos foi destacado por sua capacidade de ligar São Paulo a destinos brasileiros e internacionais, inclusive permitindo a combinação do estado com outros roteiros do Brasil e da América do Sul.
A representante paulista resumiu o momento em cinco palavras: cocriação, colaboração, informação, formação e integração.
Turismo brasileiro vive um momento de números históricos
Representando o Ministério do Turismo, o secretário Augusto Rocha destacou indicadores apresentados como históricos para o setor.
Segundo os dados levados à cerimônia, o Brasil recebeu mais de 9 milhões de visitantes estrangeiros em 2025 e, entre janeiro e agosto de 2026, alcançou a marca de 68 milhões de passageiros domésticos. No mesmo período, os gastos dos turistas internacionais teriam superado R$ 38 bilhões.
A mensagem foi de que os resultados não pertencem somente às grandes empresas. Agentes de viagens, guias, motoristas, receptivos, camareiras, profissionais da gastronomia, artesãos e comunidades tradicionais estão dentro dessa engrenagem econômica.
Uma gigantesca sala de negócios
O primeiro dia da 53ª ABAV Expo deixou uma fotografia bastante clara do momento vivido pelo turismo brasileiro: destinos buscando visitantes, empresas procurando negócios, governos apresentando políticas, compradores conhecendo novos produtos e agentes de viagens ocupando novamente o centro dessa conexão.
Nos corredores, sotaques de várias regiões do Brasil se misturam a idiomas estrangeiros. Nos estandes, estados apresentam gastronomia, cultura, natureza, experiências e novos roteiros. Nas reuniões, contratos começam a ser desenhados e parcerias ganham forma.
É justamente aí que uma feira desse tamanho encontra seu significado econômico.
Entre o samba dos Demônios da Garoa, as delegações nacionais e internacionais e a presença de algumas das principais lideranças públicas e empresariais do setor, a abertura mostrou uma ABAV Expo disposta a discutir não apenas para onde o brasileiro vai viajar, mas também qual espaço o Brasil pretende ocupar no turismo mundial.
E a frase de Ana Carolina Medeiros talvez seja a síntese perfeita para o primeiro dia: “Essa é a casa do agente de viagens. Essa é a casa do turismo brasileiro.”
Durante três dias, essa casa tem endereço em São Paulo, com portas abertas para negócios, destinos, conhecimento e novas conexões.

