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Cuidado: Úlcera, pode provocar perda do olho

Juliana Guimarães, oftalmologista e diretora do Hospital de Olhos Dr. Ricardo Guimarães

O cuidado diário com as lentes de contato é uma ação comum entre  milhares de pessoas que usam essa correção refrativa, assim como os riscos, caso não sejam limpas e usadas adequadamente. Uma jovem na Inglaterra acreditava estar com uma irritação ocular, decorrente das lentes, contudo, descobriu que, na verdade, se tratava de outro problema que provocou a perda do olho.

Steph Carrasco, 25 anos, decidiu procurar um oftalmologista pelos incômodos constantes e coceira no olho. Felizmente, devido à insistência e rapidez  profissional, diagnosticou-se uma úlcera de córnea. Ela foi  internada, praticamente sem enxergar, iniciando o tratamento com a aplicação de diversos colírios, diariamente. Entretanto,  a úlcera não reduziu, conforme esperado, e a solução foi submetê-la a um transplante de córnea.

A úlcera de córnea surge através de uma ferida, abrindo na fina camada transparente que possui diferentes funções, entre elas, a de enxergar, e se infecciona. Diversos são os motivos para essa condição, como bactérias, vírus, parasitas e doenças autoimunes, inclusive a presença de um corpo estranho que arranha o olho, alguns medicamentos, deficiência nutricional e o uso de lentes de contato de forma errada, como a ausência de higiene, dormir sem removê-las ou utilizá-la em locais não adequados, como piscinas.

Apesar da suspeita inicial, a condição dela aconteceu devido a uma bactéria, considerada muito agressiva. Os principais sintomas são dor, acompanhada da sensação de um corpo estranho no olho, causando desconforto, vermelhidão e lacrimação. Neste momento, é possível perceber também, uma grande sensibilidade à luz. Outro sinal bastante aparente é a presença de uma mancha branca no olho que, em diversos casos, progride até atingir toda a superfície ocular.

A recomendação, em caso de suspeita, é importante consultar um oftalmologista. O médico usará a lâmpada de fenda para uma inspeção minuciosa ocular com imagens de alta qualidade, sendo possível identificar uma possível lesão na córnea.

O processo usa um corante para exibir as áreas danificadas da córnea e, quando indicado, uma coleta de amostra, através de uma raspagem da área afetada, pode ser feita.

Através desses procedimentos e análise, incluindo a identificação da origem do problema, o oftalmologista define um tratamento mais eficaz, variando conforme a gravidade do caso.

Como o interesse é combater a infecção rapidamente, colírios antibióticos, antivirais ou antifúngicos, podem ser indicados e devem ser aplicados rigorosamente. Quem está em um estado mais avançado de infecção poderá receber a indicação de medicamentos orais ou injeções dentro do olho.

Um transplante de córnea, como o da jovem, apenas será indicado em casos considerados graves, se houver perfuração ou se não houver resposta ao tratamento clínico com medicamentos orais e tópicos.

A cirurgia depende de doações, após o falecimento de um indivíduo, cuja córnea afetada será substituída por uma saudável. Todos podem doar, mas é preciso considerar alguns fatores: a idade (entre dois e 80 anos), causa da morte e a autorização familiar.

O Brasil apresenta cinco métodos para transplante com maior procura e, até março deste ano, mais de 24 mil pessoas estavam na fila, à espera de uma doação. O Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) aponta que esses números duplicaram, desde 2019, e a pandemia afetou essa realidade, uma vez que os procedimentos foram drasticamente reduzidos.

O principal risco de uma úlcera ocular está na perda da visão ou do globo ocular, além de cicatrizes, infecções frequentes, deslocamento da íris e destruição do tecido. Dessa forma, o diagnóstico e tratamento precisam ser rápidos.

A prevenção depende de consultas regulares, sendo essencial adotar melhores hábitos de higiene, seguir as recomendações para bom uso das lentes de contato, não utilizar produtos vencidos, deixar de compartilhar objetos como óculos e maquiagem,  evitar coçar ou esfregar os olhos e nunca se automedicar.

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