Com maior incidência entre os homens, o câncer de pulmão pode ser detectado por meio de um exame rápido e indolor. Durante o triênio 2026–2028, são estimados ao todo 35.380 novos casos da doença por ano, sendo cerca de 18.730 entre homens e 16.650 entre mulheres, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Neste mês, acontece a campanha de conscientização Agosto Branco, oficializada pela Lei nº 15.207 em agosto de 2025.
Esse tumor é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) uma das neoplasias mais frequentes e letais do mundo. Silencioso e sem sinais ou sintomas em seu estágio inicial, o câncer de pulmão reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce para aumentar as chances de tratamento e cura. “Cerca de 84% dos casos são diagnosticados em estágios avançados ou já com metástases à distância, comprometendo as chances de cura, a mortalidade, a sobrevida e os custos em saúde”, explica a coordenadora da Cirurgia Torácica do Hospital Universitário Ciências Médicas (HUCM) e do Instituto de Oncologia Ciências Médicas (IONCM), Dra. Alyne Vilhena.
Causa, prevenção e diagnóstico
Entre os fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pulmão, o tabagismo e a exposição passiva à fumaça do cigarro são considerados os principais fatores evitáveis, tanto na forma convencional quanto por meio de dispositivos eletrônicos. Além do tabagismo, outros fatores também merecem atenção, como a poluição ambiental e a exposição a agentes cancerígenos, entre eles o gás radônio, o amianto e a poeira de sílica. “Cerca de 20% dos casos não estão relacionados ao tabagismo. Esses casos, em geral, se relacionam com mutações genéticas e têm merecido atenção em mulheres jovens, onde a incidência tem aumentado”, conta a especialista.
Embora toda a população deva permanecer atenta ao câncer de pulmão, algumas pessoas possuem indicação para realizar o rastreamento pulmonar por meio da tomografia computadorizada de baixa dosagem. São elas: pessoas entre 50 e 80 anos; fumantes atuais; tabagistas com carga tabágica de 20 anos-maço ou mais; ou ex-tabagistas que pararam de fumar nos últimos 15 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica (SBCT), a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) e o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).
Tosse persistente, tosse com sangue, dor torácica, falta de ar, perda de peso e perda de apetite são alguns dos sintomas de alerta relacionados a essa neoplasia e merecem atenção. “O câncer de pulmão em estágios iniciais não dá sintomas. Por isso, o diagnóstico se dá em casos avançados, e a busca ativa por meio do rastreamento com tomografia de baixa dosagem associada à cessação do tabagismo é tão importante”, alerta a especialista.
Tratamento
Embora seja um tumor com alta taxa de mortalidade, o tratamento é possível com intenção curativa em estágios iniciais. Já no estágio avançado da doença, o objetivo é proporcionar maior sobrevida e melhor qualidade de vida aos pacientes. Com o avanço da Medicina, o tratamento do câncer de pulmão envolve a atuação de uma equipe multidisciplinar composta por profissionais como: pneumologistas, cirurgiões torácicos, oncologistas, radioterapeutas, radiologistas, patologistas, enfermeiros navegadores, especialistas em cuidados paliativos, psicólogos e assistentes sociais. Em Belo Horizonte, o Instituto de Oncologia Ciências Médicas (IONCM), com atendimento 100% SUS, conta com a colaboração de todos esses profissionais para um atendimento de qualidade para a população mineira.
“O tratamento do câncer de pulmão evoluiu significativamente nos últimos anos. Atualmente, dispomos de abordagens individualizadas, definidas de acordo com o estágio da doença, o tipo histológico e as características da biologia molecular do tumor. Entre as opções estão terapias-alvo e imunoterapias baseadas no perfil molecular da doença, além da radioterapia e de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas, como a videotoracoscopia e a cirurgia robótica, que transformaram o cenário do tratamento desse tipo de câncer”, detalha a Dra. Vilhena.
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