O Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com números recordes em sua indústria turística: 3,7 milhões de turistas internacionais, R$ 16 bilhões em gastos de visitantes estrangeiros com crescimento de 12% na comparação anual e alta de 7,7% no transporte aéreo de passageiros, segundo dados do Ministério do Turismo e da ANAC. A esse impulso somam-se as agências de viagens corporativas associadas à Abracorp, conhecidas como Travel Management Companies (TMCs), que faturaram R$ 3,57 bilhões no mesmo período, com crescimento de 12,4% em relação ao primeiro trimestre de 2025, segundo o monitoramento setorial da associação.
Esse cenário, no entanto, convive com uma tensão operacional crescente. As agências e TMCs precisam pagar companhias aéreas, hotéis e fornecedores internacionais em calendários rigorosos, enquanto os clientes corporativos liquidam suas faturas em prazos mais longos. Em 2026, o desafio do setor não estará em capturar demanda, mas em sustentar a liquidez necessária para operar o crescimento sem pressionar o capital de giro.
A avaliação é da Jeeves, plataforma global de infraestrutura financeira que unifica contas, cartões corporativos, pagamentos internacionais e financiamento empresarial em uma única solução. A companhia opera em mais de 20 países e desenvolveu no Brasil capacidades específicas para o setor de viagens corporativas, que incluem uma solução de embedded finance para empresas que processam reservas para que as agências emitam cartões virtuais por reserva, e uma infraestrutura digital de pagamentos internacionais com liquidação eficiente entre Brasil e Estados Unidos. A partir dessa leitura, a Jeeves alerta que o descompasso entre os tempos de pagamento e os tempos de recebimento afeta com especial intensidade o segmento corporativo e as agências com maior exposição internacional, dois perfis que concentram boa parte do crescimento turístico brasileiro.
“O Brasil não enfrenta um problema de demanda turística, mas uma fase de expansão em que o crescimento exige uma infraestrutura financeira mais sofisticada. Cada reserva ativa uma cadeia de pagamentos, adiantamentos, fornecedores e conciliações que as agências e TMCs precisam gerenciar em paralelo. A diferença entre crescer com rentabilidade ou crescer sob pressão de caixa estará em ter visibilidade, crédito e controle transacional em tempo real”, explica Gustavo Gorenstein, CEO da Jeeves no Brasil.
A pressão sobre o fluxo de caixa
A pressão é estrutural e se intensifica com o volume de operação. O Ministério de Portos e Aeroportos e a ANAC reportaram mais de 33,5 milhões de passageiros aéreos domésticos e internacionais no primeiro trimestre, o que multiplica as liquidações do BSP aéreo, o sistema centralizado da IATA que em 2023 processou US$ 240 bilhões globalmente e conecta mais de 400 companhias aéreas a 59 mil marcas de viagem em mais de 200 países. A essa obrigação somam-se os pagamentos a redes hoteleiras, bedbanks e fornecedores B2B de hotelaria e a operadoras com calendários rigorosos, além das transferências para fornecedores internacionais em moedas diferentes do real.
No segmento corporativo, onde se concentra uma parte importante dessa tensão financeira, os números confirmam o ritmo. Segundo dados divulgados pela Abracorp, as TMCs associadas à entidade faturaram mais de R$ 1 bilhão em janeiro, R$ 1,05 bilhão em fevereiro e R$ 1,47 bilhão em março, totalizando R$ 3,57 bilhões no primeiro trimestre, um crescimento de 12,4% em relação ao mesmo período de 2025. Somente em março, o volume cresceu 31% na comparação anual. Cada uma dessas viagens ativa um ciclo de pagamentos a múltiplos fornecedores que a TMC precisa executar antes que o cliente corporativo liquide a fatura.
Para ilustrar o impacto no capital de giro, uma TMC que fatura R$ 5 milhões por mês pode ter entre R$ 3,5 milhões e R$ 6 milhões imobilizados durante um ciclo de recebimento de 30 a 60 dias. A estimativa varia de acordo com a composição entre aéreo, hotelaria e fornecedores internacionais, além dos prazos acordados com cada cliente corporativo. Sem uma linha de crédito adequada ou uma plataforma que centralize as despesas, essa lacuna pressiona a capacidade de expansão do negócio.
O componente internacional adiciona uma camada extra. No primeiro trimestre, o Brasil recebeu 2,33 milhões de visitantes estrangeiros por via aérea, um crescimento de 19,4% na comparação anual, enquanto o Ministério do Turismo credenciou 325 agências para atender especificamente o mercado chinês, que registrou alta de 75% em chegadas em janeiro, segundo a Secretaria de Comunicação Social. Para as agências e operadoras receptivas, isso implica gerenciar pagamentos em múltiplas moedas, com calendários estendidos e processos de conciliação que escalam junto com o volume.
Do pagamento compartilhado ao controle por reserva
Diante desse cenário, a Jeeves está promovendo no Brasil a adoção dos Cartões Virtuais por reserva como alternativa ao uso de cartões físicos compartilhados, uma prática que ao longo dos anos expôs o setor a riscos de fraude, erros operacionais e desorganização na gestão financeira. Com essa tecnologia, as agências geram um número de cartão único para cada reserva, com o valor exato da transação e vinculado a um fornecedor específico, o que fortalece o controle da operação e reduz o risco de cobranças inesperadas.
A capacidade já está disponível no mercado brasileiro. Em 2025, a Jeeves anunciou a solução que permite às agências emitir cartões virtuais a partir de uma API, com limites configuráveis, acompanhamento em tempo real e conciliação automatizada. Em paralelo, a Jeeves lançou no Brasil uma solução de embedded finance voltada para operadoras e empresas que processam reservas, orientada a reduzir a fraude operacional em pagamentos B2B turísticos e melhorar a rastreabilidade por transação.
O contexto setorial reforça a urgência. O Cadastur encerrou 2025 com 188.625 prestadores de serviços turísticos registrados, um crescimento de 19,9% em relação a 2023, o que reflete a profissionalização formal do setor. Em paralelo, o Ministério do Turismo disponibilizará em 2026 R$ 826 milhões via Fungetur para empreendimentos turísticos, com recursos voltados para fluxo de caixa, modernização de sistemas e ampliação de estrutura. A própria agenda pública reconhece que o crescimento turístico exige capital de giro e ferramentas tecnológicas à altura do volume.
“A conversa que começa hoje no setor brasileiro não é só sobre crescer, mas sobre crescer de forma sustentável. As TMCs e agências que quiserem capitalizar este momento do turismo precisarão de uma infraestrutura financeira que acompanhe a velocidade do negócio, em vez de freá-la”, conclui Gorenstein.
Em um setor onde as decisões financeiras são tomadas no ritmo de cada reserva, contar com ferramentas que integrem crédito, pagamentos internacionais, cartões corporativos e conciliação deixa de ser uma vantagem competitiva para se tornar um requisito para operar com eficiência e crescer durante a fase de expansão que o turismo brasileiro vive em 2026.

