Menopausa causa esquecimento? Entenda o que muda no corpo

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Período vai muito além dos calorões e pode provocar irritabilidade, lapsos de memória, piora do sono e outras alterações que impactam a qualidade de vida

Dormir mal, ganhar peso sem mudar a rotina, sentir mais irritabilidade ao longo do dia e começar a esquecer compromissos simples. Para muitas mulheres, essas mudanças aparecem de forma silenciosa durante a menopausa e levantam uma dúvida comum: até que ponto tudo isso faz parte da transição hormonal?

“Muitas pacientes chegam ao consultório assustadas porque sentem que estão mais esquecidas, cansadas e menos produtivas. E a menopausa realmente pode impactar sono, memória, concentração, metabolismo e disposição”, explica a médica geriatra Mônica Campanha.

Segundo ela, os lapsos de memória dificilmente aparecem de forma isolada nessa fase. Em muitos casos, eles vêm acompanhados de noites mal dormidas, irritabilidade, fadiga e dificuldade de manter a mesma rotina de antes. “A mulher começa a perceber que está mais dispersa, menos focada e com menor tolerância ao cansaço. Isso costuma gerar uma sensação de perda de controle do próprio corpo”, afirma.

Embora o esquecimento seja uma das queixas que mais assustam, nem toda alteração de memória durante a menopausa significa um quadro neurodegenerativo. Mônica Campanha explica que existe uma diferença entre lapsos relacionados às oscilações hormonais e alterações progressivas que exigem maior investigação.

O sono, inclusive, costuma ter um papel importante nesse processo. Segundo a médica, mulheres que já apresentam dificuldade para dormir podem perceber piora importante da qualidade do descanso durante a menopausa, o que acaba afetando a memória, concentração e disposição ao longo do dia. Em alguns casos, até quadros de apneia do sono passam a se tornar frequentes ou mais intensos nessa fase.

Segundo a geriatra, muitas dessas mudanças ainda geram dúvidas e interpretações equivocadas, o que faz muitas pacientes minimizarem sintomas importantes.

Menopausa não se resume aos fogachos. Os famosos calorões continuam sendo um dos sintomas mais conhecidos da menopausa, mas as alterações hormonais dessa fase também podem afetar sono, metabolismo, disposição e concentração. “As pessoas ainda associam muito a menopausa apenas aos fogachos, mas estamos falando de uma mudança hormonal que afeta o organismo de maneira ampla e em várias camadas”, explica.

O sono pode piorar sintomas que parecem não ter relação entre si. Noites mal dormidas costumam impactar diretamente irritabilidade, rendimento mental e disposição ao longo do dia. Em alguns casos, até quadros de apneia do sono podem se tornar mais frequentes ou intensos nessa fase, e para isso é indicado tratamento.

Nem toda mudança de memória significa algo grave. Dificuldade de concentração, sensação de mente lenta e pequenos esquecimentos podem aparecer durante a menopausa sem que isso indique, necessariamente, um quadro neurodegenerativo.

As alterações hormonais também afetam o metabolismo. Ganho de peso, inchaço e menor disposição física estão entre as queixas mais relatadas por mulheres, mesmo quando não houve grandes mudanças na alimentação ou no dia a dia.

O cuidado com a menopausa está mudando

Novas abordagens terapêuticas e medicamentos estão ampliando as possibilidades de cuidado e de retomada da qualidade de vida feminina durante essa fase.

Segundo Mônica Campanha, algumas mudanças de rotina podem ajudar a reduzir parte dos sintomas percebidos durante a menopausa. “A qualidade do sono faz muita diferença nesse processo. Muitas vezes, a mulher já vem dormindo mal há meses e isso acaba agravando sintomas”, explica. A médica destaca ainda que atividade física, estímulos cognitivos e acompanhamento médico podem contribuir para melhorar disposição, metabolismo e funcionamento cerebral. Em alguns casos, terapias hormonais e suplementações também podem ser indicadas de forma individualizada.

Neste ano, a expectativa é que novas opções terapêuticas com indicação para sintomas da menopausa chegarão ao Brasil, ampliando o leque de abordagens disponíveis para tratamento. Para Mônica Campanha, a novidade é um avanço, mas o recado principal não muda.

“A menopausa não é um problema a ser eliminado, é uma fase que merece cuidado. E isso significa não negligenciar os sintomas, buscar acompanhamento e entender que qualidade de vida não tem prazo de validade. É o que buscamos em qualquer idade”.

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