A Praça Cândido Portinari, no Bairro Tupi A foi tomada por música, dança, grafite, poesia, esporte, encontros e celebração no dia 27 de junho. Assim aconteceu a primeira edição do ano do Sarau de Queerbrada, projeto que estreou em Belo Horizonte em 2024 reunindo artistas, coletivos e moradores de diferentes territórios da cidade em uma grande ocupação cultural gratuita voltada à valorização da produção artística LGBTQIAPN+ das periferias.
Mais do que um evento, o Sarau de Queerbrada nasce como uma rede de fortalecimento entre artistas e coletivos que resistem e produzem cultura nas quebradas. A estreia reuniu pessoas de todas as idades e contou com oficinas de breaking e passinho de funk, intervenções de grafite ao vivo, apresentações de DJs, pocket shows, feira de alimentação, premiação de iniciativas culturais periféricas e a realização da Queermada, em parceria com a Gaymada da Pedreira Padre Lopes, promovendo o encontro entre diferentes territórios da cidade.

A programação também marcou o início da circulação do projeto por todas as regionais de Belo Horizonte. Ao todo, mais de 30 coletivos e artistas se inscreveram no edital de reconhecimento promovido pelo Sarau de Queerbrada, que selecionou nove iniciativas representando diferentes regiões da capital. A curadoria priorizou diversidade de linguagens artísticas, descentralização territorial, representatividade racial, participação de pessoas LGBTQIAPN+ e iniciativas com atuação consolidada em seus territórios.
“O que mais emocionou foi perceber que a rede começou a existir já no primeiro encontro. Ver artistas, coletivos e pessoas de diferentes quebradas se reconhecendo, trocando experiências e construindo juntas esse espaço mostrou que o projeto já nasce cumprindo seu principal objetivo: fortalecer quem faz arte e cultura nas periferias. É muito bonito perceber o impacto que conseguimos gerar mesmo com poucos recursos”, afirma Gabrè da Silva, coordenadora do projeto.
Além das apresentações artísticas, o evento também reforçou o compromisso com a acessibilidade, incluindo ações voltadas à participação de pessoas com deficiência e a valorização da economia local, com comerciantes da própria comunidade participando da programação. Após a estreia, o Sarau de Queerbrada segue com uma agenda que ocupará todas as regionais de Belo Horizonte ao longo dos próximos meses, levando diferentes linguagens artísticas para os territórios por meio dos coletivos selecionados.

Próximos eventos
- 22 de agosto — Barreiro: Intervenção pelo Direito de Decidir (Basuras Coletiva)
- 27 de setembro — Venda Nova: Doce Tradição – Festa dos Erês do Piratininga (Victhórynha)
- 2 de outubro — Centro-Sul: Sarau Abelhudo (Kaus Total)
- Novembro — Leste: Voguenic Kiki Ball (House of Dengo)
- Dezembro — Noroeste: HerBaile Festival
- Janeiro — Norte: Gueto em Movimento
- Fevereiro — Oeste: Sarau da Villa
- Março — Nordeste: Batalha da NuTrilhar convida Sarau de Queerbrada – Edição Nordeste
Ainda sem data definida, o projeto também realizará uma edição especial unindo maracatu de baque virado e ballroom, em parceria com o Maracatu Estrela de Aruanda.
Realizado pelo Ponto de Cultura Coletivo Recriart&Cultura, TiêTá no corre Realizadora Sociocultural e Lucas LA Produções, conta ainda com o apoio de diversos artistas e coletivos periféricos, o projeto reafirma a potência da cultura produzida nas quebradas e propõe uma cidade mais diversa, acessível e conectada por meio da arte.
FOTOGRAFIAS: 5ª Edição – Tupi Multilinguagens (06/2026) | 📸 Adrielle Ruas (@hi.drica)
Créditos: Adrielle Ruas (@hi.drica)



















