Escritora Talita Lunardelle cria projeto para arrecadar livros e doá-los ao grupo de risco da pandemia

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” Livro deve ser compartilhado, não taxado”, afirma Talita Lunardelle, que já doou cerca de 150 exemplares desde o início da pandemia.

Para este momento de distanciamento social, a escritora de Belo Horizonte acredita que um livro pode ser a companhia perfeita para os indivíduos solitários, possibilitando uma oferta de fuga psicológica do atual e preocupante cenário pandêmico. Afinal, o objetivo de uma boa história é transportar o leitor para outros universos.
Confiando nisso, a autora teve a iniciativa de buscar por doações de livros usados, além de doar exemplares de sua coleção particular, e repassá-los para as pessoas que estão em isolamento total, devido às restrições recomendadas pela OMS.

“Como amante de livros, conheço bem a importância de uma obra para o entretenimento e acredito que possa ajudar neste momento, mas também conheço a dificuldade de acesso à literatura em nosso país, uma barreira forte o suficiente para impedir as pessoas de desfrutar daquilo que, para mim, é um dos bens mais preciosos que se pode ter nesse momento delicado e em qualquer outro da vida”, comenta a escritora. “A ideia do projeto surge para lutar contra essa barreira de acesso e formar uma ponte entre aquele livro que está empoeirado na estante, guardando uma bela e empolgante história em suas páginas, às pessoas que necessitam de uma boa distração e de novos horizontes nesse período tão conturbado.”

Até o momento, cerca de 150 livros já foram doados e, pensando na ampliação do projeto, Talita conta agora com a ajuda da instituição Hub Social, que aceitou a missão de distribuir os livros recebidos nos projetos sociais que beneficiam as famílias de baixa renda, na grande BH.

Taxação De Livros

Lunardelle explica que seu projeto é, também, uma forma pacífica e pessoal de manifestar a sua insatisfação com a proposta manifestada pelo governo, que estuda a isenção de uma passível taxa de 12% sobre os livros, cujo preço final já é considerado inacessível para parte da nação.

“No geral, acho que é tamanha a importância de um livro dentro da sociedade, que deveria ser desconsiderado de imediato qualquer ideia que sugere aliená-lo ou afastá-lo da população. E uma taxação pretende exatamente isso. É um retrocesso cultural”, declara. “Livro não é artigo de luxo, é um item de autodefesa para qualquer classe social, pois possui o poder de construir pensamentos, evoluindo a capacidade intelectual de qualquer ser humano. Para mim, taxar livros soa tão absurdo quanto a ideia de dificultar a capacidade racional de uma população inteira. Livro é conhecimento, portanto um livro deve ser compartilhado, não taxado”, finaliza.

Enviada para análise do Congresso em julho, a primeira parte da reforma propõe a unificação da cobrança do PIS/Pasep e do Cofins em um novo imposto sobre valor agregado, com o nome de Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS). Segundo o Ministério da Economia, a alíquota desse novo tributo seria de 12%.

Desde que manifesta, a proposta já vem gerando descontentamento de todo o setor, incluindo um “manifesto de defesa do livro” realizado pela Câmara Brasileira do Livro, o Sindicato Nacional dos Editores de Livro e a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares, além das campanhas contra a reforma que já reuniu milhares de assinaturas em baixa-assinado.

Por isso, projetos como esse da autora Talita Lunardelle são de muita relevância e também um manifesto contra medidas de repressões ao conhecimento.

E, você, gostou dessa iniciativa?

Saiba que você também pode ajudar e doar um livro, entrando em contato com a escritora através das redes sociais:

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Talita Lunardelle

Instagram: @talita_lunardelle

Twitter:
@tata_lunardelle

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