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dom, 18 janeiro 26

Lilás: a cor da resistência feminina

Chega de vermelho. Se até 2006 a questão da violência doméstica era tratada como uma questão privada, a Lei Maria da Penha trouxe à tona a compreensão do que se trata de violação de direitos humanos. Chega de dor e de sangue. O raio de sol se libertou e se encantou pela cor lilás, como canta Djavan.

Foram muitos avanços e hoje a Lei Maria da Penha é considerada uma das três legislações mais avançadas do mundo pela ONU, rompendo o silêncio institucional e cultural que banaliza a violência contra mulher no Brasil. Agosto para a mulher brasileira passou a não ser o mês do desgosto. O vermelho não é mais só a cor de sangue.

O lilás representa esperança. Sinal de que há muitas vitórias sobre os trovões da violência. E de fato, um mês lilás reverbera não apenas a questão da violência em face da mulher, mas é uma das principais agendas no calendário dos três poderes, como também se elegeu pela importância do tema, um espaço de 31 dias para a valorização da vida. Do vermelho ao lilás temos muito para celebrar. Muito céu azul.

Os discursos negativistas, claro, desconstroem e sempre apontam para baixa efetividade na fiscalização das medidas protetivas, revitimização em delegacias, tribunais e dificuldades de acesso à rede de apoio ou morosidade judicial. Longe disso, mas as estatísticas consolidam efetividade e menos morte.

Um mês inteiro dedicado a mulher é um espaço brutal para conter qualquer silêncio sobre os temas ácidos que rondam a violência contra mulher, rompendo com o ciclo da vergonha, silêncio e medo; uma trilogia que persegue a mulher. Através de campanhas, debates e dados públicos, o lilás encolhe a violência com ternura. Agosto lilás é um presente pela efetividade da visibilidade social e dá oportunidade para conectar, através de diversas alianças, serviços políticos e a própria justiça. Lilás engajou virtudes, esforços e aportou publicidade à violência que mata, dilacera, adoece e aflige a mulher.

Temos agora a costura de um tecido social lilás, costurado com milhares de vozes femininas. São vozes de superação, somadas à muitas outras que trazem luz e esperança para a mulher brasileira. O lilás lembra que a resistência pode ser suave e paciente. Chega de gritos. A mulher brasileira está sendo retrofitada no calendário e repousa na esperança do lilás, esperança erguida em vitórias consistentes: maior número de mortes, agressões diminuídas, milhares de medidas protetivas deferidas em caráter de urgência e redução da impunidade.

Lilás veste a coragem e a existência de cada mulher, para não ser mais o mês do desgosto; mas um mês que crava sobre a violência, a resistência mais efetiva, mais consistente, paciente e delicada, arrimada na esperança e vida. Amanhã será outro dia. Lua sai. Ventania.

Maria Inês Vasconcelos , advogada e escritora

 

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