18.1 C
Belo Horizonte
sex, 23 janeiro 26

Ilegalidade na Mineração Cresce e Impacta Negativamente Pilares Socioambientais

Um estudo publicado por pesquisadores brasileiros na revista Nature, em fevereiro deste ano, identificou que o garimpo aumentou 12 vezes, enquanto a mineração industrial cresceu cinco vezes no período de 2019 a 2022. O documento ainda indica que pelo menos 77% dos locais de garimpagem, dentro do período observado, atuavam com sinais explícitos de ilegalidade.

Paralelo a isto, um outro estudo, desta vez publicado na revista Science of the total Environment, identificou o impacto da mineração ilegal. As informações são que a execução de atividades minerárias desenfreadas foram responsáveis pela perda de ao menos 50% dos estoques de carbono no ar e pelo aumento de 70% da concentração de mercúrio no solo das regiões destacadas.

O impacto disso é catastrófico e se enquadra em pautas de diferentes estrofes. Vai desde a conflitos territoriais – muitos destes em terras demarcadas a população indigena -, passando por situações de exploração do trabalho e alcançando até mesmo em perdas irreparáveis para ecossistemas e nichos ambientais.

Na contramão disso, existe a mineração responsável, que nasce com um conceito que envolve práticas e princípios voltados para a extração de recursos minerais de forma sustentável, ética e consciente, minimizando os impactos negativos no meio ambiente, na sociedade e na economia. Cercada de tecnologias limpas e cumprindo rigorosamente com as regulamentações e atuando com transparência, busca também restaurar o respeito aos direitos humanos e às comunidades.

“O conceito de mineração responsável foi gradualmente formado à medida que se tornava evidente que, embora a mineração fosse essencial para a economia global, ela precisava ser realizada de maneira mais ética, sustentável e transparente. O crescente interesse em questões de responsabilidade social corporativa (RSC) e desenvolvimento sustentável no final do século XX ajudou a moldar esse conceito”, esclarece Pedro Portugal, engenheiro de minas e CMO (Chief Mining Officer) da Keystone

Pedro ainda esclarece que tais práticas responsáveis buscam promover a transparência nas operações, garantir a governança ética das empresas mineradoras e investir em tecnologias que minimizem o impacto ambiental, como o uso eficiente da água e a redução de poluição. “É uma abordagem que vai além do simples lucro, buscando um equilíbrio entre exploração e sustentabilidade para as gerações presentes e futuras. Importante também destacar que, quando regularizada, é mais fácil para os órgãos regulamentadores fiscalizar e indicar o caminho certo para a indústria extrativista naquela região”.

O mais curioso de tudo isso é que esse termo surgiu como uma resposta às crescentes preocupações sociais e ambientais relacionadas à indústria da mineração, especialmente entre os anos 1980 e 1990. Durante esse período, o setor enfrentou críticas devido aos impactos ambientais negativos, condições de trabalho precárias e à falta de atenção para as comunidades locais afetadas pelas atividades mineradoras.

Pelo menos 40 anos passaram e os problemas são parecidos. Porém a aplicação das práticas acompanhou o desenvolvimento do setor e tem paralelos tão importantes quanto a atenção para o desenvolvimento sustentável e seguro. Além da gestão ambiental, questões como segurança e saúde dos trabalhadores, respeito ao direito das comunidades, transparência e governança também aderiram à pauta como prioridade.

Ainda na década de 90, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) começou a criar e promover normas internacionais de trabalho que influenciaram a indústria da mineração, incentivando melhores condições de trabalho e proteção dos direitos dos trabalhadores. Foi então que grandes empresas mineradoras começaram a adotar códigos de conduta e compliance, comprometendo-se com a melhoria das práticas ambientais e sociais. Isso incluiu a implementação de práticas para minimizar danos ambientais e engajamento com as comunidades locais.

“Bom esclarecer que para que uma empresa tenha autorização para minerar seja qual área for, é necessário uma série de processos e procedimentos que viabilizam o serviço. Somado a isso, nós também construímos uma compliance e definimos rígidos critérios para a execução tanto do serviço quanto do relacionamento com as pessoas envolvidas. É assim que se combate o lado mal da mineração. Com respeito tanto pela terra, quanto pelas pessoas e valorizando a atuação das empresas sérias e comprometidas”, completa o CMO da Keystone.

Posts Relacionados

Bloco É o Amô celebra sertanejo raiz no Carnaval de BH 2026

O Carnaval de Belo Horizonte, conhecido por sua diversidade...

Havayanas Usadas celebra 10 anos no Carnaval de BH 2026

Belo Horizonte se prepara para um dos momentos mais...

Tio Paulinho e Tio Elétrico animam o “Abre Alas” infantil

Prepara a fantasia, separa os confetes e a purpurina...

Campanhas partidárias em 2026 terão veiculação restrita

Diferentemente dos anos anteriores, as campanhas partidárias de 2026...

Novidades

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui