
A inteligência artificial avança no ambiente corporativo, consolida-se na tomada de decisões e traz impactos na governança e no compliance. Como usar a IA e como lidar com ela nas empresas? “O avanço técnico evolui em ritmo acelerado, muitas vezes acompanhado de riscos invisíveis, difíceis de identificar e complexos em justificar”, diz Júlia Ruela, coordenadora do setor de Compliance no escritório Corrêa Ferreira Advogados (Cfa) e presidente da Comissão Estadual de Compliance da OAB/MG.
Segundo ela, em muitas empresas não há inventário estruturado dos sistemas de IA utilizados, especialmente quando envolvem fornecedores ou modelos generativos integrados a fluxos internos. “Esse descompasso amplia a exposição a riscos jurídicos e estratégicos, exigindo das instituições uma capacidade de identificar e mitigar impactos negativos, especialmente sobre os direitos fundamentais dos cidadãos.”
Estas questões foram discutidas durante o debate sobre “Inteligência Artificial, Governança e os Novos Desafios Corporativos”, promovido, na semana passada, pela Comissão de Compliance da OAB/MG, em parceria com o Cfa e o CLA Brasil. Entre os palestrantes estavam Honazi Farias, professor da FIA Business School, ex-delegado de Polícia Federal, e coordenador de segurança no Aeroporto de Guarulhos; Marcos Silva, professor de pós-graduação da PUC Minas e diretor de Tecnologia da Falconi, e Leonardo Parentoni, coordenador mundial do Grupo de Trabalho em IA e Direito do Consórcio de Faculdades de Direito do Brics e professor da UFMG e do Ibmec/MG.
O mediador do debate foi Fernando Bagno, supervisor jurídico e co-coordenador do Grupo de Inovação do Departamento Jurídico da Stellantis South America. Participaram do evento cerca de 50 executivos, diretores, profissionais das áreas de compliance, governança, jurídico, tecnologia e gestão.
