Grupo Galpão mergulha no universo infantil com o filme “A primeira perda da minha vida”

0
946

Com roteiro de Eduardo Moreira e direção de Inês Peixoto, curta-metragem mescla cinema e teatro, ao revelar encontro entre Kafka e a inconsolável garotinha que perde uma boneca

 

Numa praça de Berlim, Franz Kafka (1883-1924) comove-se com o choro de uma menina, que acaba de perder a boneca predileta. Comovido, o grande escritor tcheco busca consolá-la, ao inventar que a companheira de pano havia viajado, mas escreveria cartas – das quais ele seria o portador – para explicar o sumiço e contar as aventuras, peripécias e descobertas que vivesse. Inspirado em tal delicada história – que ninguém garante ser verídica, mas simboliza a bela ponte entre arte, vida e empatia –, o Grupo Galpão desenvolveu o curta-metragem A primeira perda da minha vida, que estreia no canal da companhia no YouTube, no dia 12 de outubro de 2021, às 10h, quando o filme poderá ser visto por 24 horas. A temporada segue de 16 de outubro a 7 de novembrosempre aos sábados e domingos, em dois horários, às 10h e às 16h, também pelo youtube.com/grupogalpao. No elenco do filme, que conta com roteiro de Eduardo Moreira e direção de Inês Peixoto, estão a atriz convidada Bárbara Luz e os atores Antonio EdsonJúlio Maciel, Simone Ordones e Teuda Bara, integrantes do Grupo Galpão.

 

O filme integra o projeto “Dramaturgias – Cinco passagens para agora”, que conta com o patrocínio master do Instituto Cultural Vale e patrocínios da AngloGold Ashanti e do banco BV, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. O projeto realiza, de junho a dezembro de 2021, cinco espetáculos em diferentes formatos nas redes sociais.

 

A primeira perda da minha vida é o mergulho poético do Galpão no mundo do cinema e do teatro, realizado, justamente, por meio das cartas da boneca perdida. Feitas no teatro do Galpão Cine Horto, as filmagens fundem as duas linguagens artísticas, em aprofundado exercício de fantasia e imaginação. O curta-metragem nasce de roteiro escrito há bastante tempo, por Eduardo Moreira, para Bárbara, sua filha com a atriz Inês Peixoto. “Eu o concluí quando minha filha tinha cerca de seis anos, e meu intuito era realizar o filme com ela no papel principal. A ideia me veio depois de ter lido algo sobre esse provável encontro entre Kafka e a menina, numa praça de Berlim”, conta o ator e diretor.

 

No que diz respeito ao argumento principal do filme, reza a lenda de que Kafka teria passado uma semana escrevendo e lendo cartas da boneca para a menina, com o intuito de consolá-la. “Um dos maiores escritores dispõe de seu precioso tempo para atenuar o sofrimento de uma menina. Para mim, sendo verdadeira ou não, a história é um extraordinário exemplo da capacidade que a ficção e a empatia humana têm de curar feridas”, destaca Eduardo, ao lembrar que, quando foram definidas as bases do projeto “Dramaturgias”, a atriz Inês Peixoto lançou a ideia da realização do curta, a partir daquele antigo roteiro. “O projeto me pareceu bastante instigante, ao possibilitar a participação de boa parte do elenco do Galpão, e da própria Bárbara, que, mesmo já com 19 anos, encaixou-se com maestria no papel da menina”, completa.

 

Inês Peixoto conta que, desde que Eduardo Moreira escreveu o roteiro, ela demonstrou vontade de dirigir o curta-metragem. Com o surgimento do projeto “Dramaturgias”, propôs ao grupo, então, que o projeto fosse desengavetado: “Todo mundo gostou muito da possibilidade de fazermos um curta, como uma fábula, para crianças de todas as idades”, explica a atriz e diretora, ao comentar que, desde o início de tudo, Júlio Maciel fora pensado como intérprete de Kafka, assim como a filha, Bárbara, viveria a garotinha: “Foi uma grande emoção retomarmos essa história com nossa filha, que já é atriz, e está na profissão. Como é lindo vê-la entrar nesse universo e viver a vida de uma criança de 10, 11, 12 anos, na passagem da infância à adolescência”.

 

No que diz respeito à linguagem, Inês destaca a vontade, no desenrolar do curta, de trazer o cinema para dentro do teatro – e vice-versa.  “Sempre pensei nas possibilidades que o espaço do teatro nos traria, uma vez que temos o Galpão Cine Horto, um espaço incrível, repleto de lugares poéticos e com estética muito interessante. Isso fortaleceu o desejo de fazer a interseção entre teatro e cinema”, conta, ao frisar que a história se desenrola na década de 1920, nos primórdios da sétima arte, estética já em transformação à época: “Havia muitas experiências de colorização da imagem cinematográfica, assim como de sonorização. Daí veio a inspiração, no curta-metragem, de, para além da interseção entre teatro e cinema, estarmos em um espaço teatral, mas com uma câmera cinematográfica”.

 

Nasce, assim, a ideia de experimentar o desenvolvimento do cinema e buscar aproximar o curta da atmosfera dos filmes que começavam a ser colorizados. “A partir de tais inspirações, exploramos tudo que esse espaço tinha a nos oferecer como paisagem, e formei uma equipe majoritariamente feminina”, conta Inês, que, em sua primeira direção cinematográfica, convidou Carol Silva para direção de fotografia, Taísa Campos, para direção de arte, e Sayonara Lopes, para construção do figurino. O curta conta, ainda, com trilha original do músico Wilson Lopes. “O Galpão me deu toda a liberdade para escolher o casting e a minha própria equipe”, completa a diretora.

 

Na fotografia, investiu-se em câmera muito livre, solta, com vida, capaz de atravessar o Galpão Cine Horto e explorar o espaço teatral. “Buscamos esse jogo entre o espaço teatral e a câmera de cinema. Já no ‘mundo da boneca’, imaginado pela menina, apostamos nos primeiros experimentos das obras com câmera fixa, que filmavam quase em formato de teatro, quando se faziam planos dos corpos inteiros”, descreve Inês Peixoto, ao comentar que, assim, foi possível inserir as imagens da boneca em icônicos filmes do começo da experimentação do cinema, como A chegada do trem na estação, dos Irmãos Lumière, The sea horse, de Jean Painlevé e Fantasmagorie, de Émike Cohl. “A boneca espera a chegada do trem, por exemplo, na estação filmada pelos irmãos Lumière. Para tal, criamos um pequeno estúdio, onde projetávamos os filmes antigos. Além disso, a Carol usou a técnica de pixelation, para desarticular as imagens”, explica.

 

Certos filmes também foram muito importantes no trabalho de pesquisa de toda a equipe, a exemplo de obras de Ingmar Bergman e de Luiz Fernando Carvalho – que, segundo Inês Peixoto, aposta muito na interseção teatro, cinema e televisão. “Trabalhei na série Hoje é dia de Maria, experiência que me inspirou muito, a partir da ideia de fazer a teatralização da história”, explica. Na direção da arte, Taísa Campos investiu na pesquisa em tipos de papel, que aparecem não apenas nas cartas, mas, também, no sapato e nos adereços da menina, nos origamis, nos peixes e na barata dentro de um baú de livros. “Fazemos, neste sentido, uma homenagem à Metamorfose, do Kafka”, frisa a atriz e diretora.

 

O figurino, por sua vez, foi inspirado no universo das fábulas e do próprio escritor tcheco. “Pensamos nos deslocamentos desse homem, alguém que gostava muito de teatro, de feiras e parques, e era uma pessoa muito elegante. Durante esse processo, também tivemos uma palestra do Maurício Arruda de Mendonça, que revelou muitas curiosidades sobre a vida de Kafka”, diz. Houve, ainda, o processo de pesquisa dos filmes usados como suportes de projeção em imagens do mundo da boneca. “De modo geral, foram meses de muita preparação e pesquisa. Tivemos uma semana dentro do Cine Horto para montagem de luz, da praça, e dos nichos de que a gente precisava. Também descobrimos um canto maravilhoso para o escritório do Kafka. Foi um momento muito bonito de exploração do espaço e com diálogos muito amorosos entre a equipe”, resume Inês Peixoto.

 

O roteiro seduziu a atriz, desde sempre, por se tratar de história de amor ao outro, de solidariedade e gentileza: “É tão simples ajudar outra pessoa a atravessar um momento difícil! Além disso, a poesia, a arte e a delicadeza têm feito falta no mundo. É preciso, também, desse olhar para a infância, como momento importante ao diálogo com o mundo e seu entorno. A história se passa com Kafka, mas poderia ser com você”, completa. Importante destacar, ainda, que, ao ver o curta, as próprias crianças podem se interessar pela incrível obra de Kafka, escritor que refletiu sobre os meandros humanos de forma muito particular. O Galpão faz espetáculo para todas as idades, mas é o primeiro projeto voltado ao público infantil. Por isso, será lançado, justamente, em 12 de outubro, o “Dia das Crianças”.

 

Intérprete de Kafka em A primeira perda da minha vida, o ator Júlio Maciel diz ter sido um enorme prazer participar da experiência cinematográfica, dirigida por Inês Peixoto: “Faço o personagem de Kafka no final da vida, quando já estava doente. Depois de encontrar a menina numa praça, ele vira carteiro de uma boneca, e, dia a dia, entrega, à garota, um texto que fala sobre as experiências da vida e a importância da separação. A história é muito linda e sensível!”. Ele lembra, ainda, que se trata de “prato cheio” para o próximo Dia das Crianças: “Foi lindo trabalhar com Bárbara Luz, atriz forte, interessante, que vai brilhar muito por aí, e a quem vi nascer e crescer. Também foi um prazer compartilhar as cenas com Teuda, Toninho e Simone. A Inês juntou um elenco lindo do Galpão, além de uma equipe maravilhosa e profissional, para que pudéssemos contar essa história tão sensível”.

 

Intérprete da inconsolável garotinha que perde a boneca mais querida, Bárbara Luz ressalta que a experiência cinematográfica se revelou bela e bastante intensa. “Desde muito nova, estou com este texto perto de mim, e da minha família. Entender, hoje, que essa personagem ainda cabe no que sou foi uma felicidade muito grande – assim como a possibilidade de entrar em contato com o que, talvez, fui quando criança”, diz, ao comentar que ficou muito grata e feliz por ter sido convidada, pelos pais, à linda oportunidade de se dedicar ao papel: “Foi muito interessante a conversa íntima entre mim e essa menina. E surpreendente, também, pois pensei que não conseguiria mais vivê-la, mas deu. Além disso, é lindo voltar no tempo, reviver e ser criança de novo”.

 

Nas redes sociais, diversão para toda a família

 

Em parceria com o estúdio de animação Treco, da diretora de arte Taísa Campos, foram desenvolvidas atividades paralelas para as crianças e suas famílias nas redes sociais do Grupo Galpão, como tutoriais no IGTV, que ensinam a fazer origamis de objetos que estão no filme, filtros de Instagram e gifs relacionados ao filme. Estes conteúdos serão postados no Instagram da companhia ao longo da temporada.

 

Sobre o “Dramaturgias – Cinco passagens para agora”

 

O projeto “Dramaturgias – Cinco passagens para agora” convida dramaturgos e diretores nacionais de grande destaque a desenvolver trabalhos coletivos. Entre os artistas convidados, estão nomes como Yara de Novaes, Newton Moreno, Marcio Abreu, Pedro Brício e Silvia Gomez. A escolha dos parceiros permite ao grupo compor um significativo painel das artes e da cultura brasileiras, por meio da exploração dos mais diferentes tipos de expressão. Além dos artistas convidados, alguns integrantes do Galpão também assinam dramaturgias e direções. Paulo André é responsável por uma das dramaturgias em parceria com Marcio Abreu que assina a direção. Fernanda Vianna divide com Clarissa Campolina a direção da dramaturgia de Silvia Gomez. E o Grupo lança no dia 12 de outubro o curta-metragem “A primeira perda da minha vida”, com direção de Inês Peixoto e roteiro de Eduardo Moreira.

 

Grupo Galpão

 

Criado em 1982, o Grupo Galpão tem sua origem ligada à tradição do teatro popular e de rua. Há quase 40 anos desenvolve um teatro que alia rigor, pesquisa e busca de linguagem, com montagem de peças que possuem grande poder de comunicação com o público. Formado por atores que trabalham com diferentes diretores convidados – como Gabriel Villela, Cacá Carvalho, Paulo José, Yara de Novaes e Marcio Abreu (além dos próprios componentes que também já dirigiram espetáculos do Grupo) – o Galpão formou sua linguagem artística a partir desses encontros diversos, criando um teatro que dialoga com o popular e o erudito, a tradição e a contemporaneidade, o teatro de rua e o palco, o universal e o regional brasileiro.

 

FICHA TÉCNICA – PRIMEIRA PERDA DA MINHA VIDA

 

ELENCO / PERSONAGEM

Bárbara Luz / Menina

Teuda Bara / Boneca

Antonio Edson / Namorado

Júlio Maciel / Kafka

Simone Ordones / Narradora

 

EQUIPE

Roteiro – Eduardo Moreira

Direção – Inês Peixoto

Direção de Fotografia – Carol Silva

Direção de Arte – Taísa Campos

Figurino – Sayonara Lopes

Trilha sonora original – Wilson Lopes

Iluminação – Rodrigo Marçal

Maquiagem – Gabriela Dominguez

Assistente de direção – Bruna Horta

Assistente de câmera – Letícia Ferreira

Assistente de arte – Janaína Rolla

Assistente de figurino – Gilma Oliveira

Assistente de Maquiagem – Ana Rosa

Costureira – Jane Jay

Som direto e desenho de som – Yara Torres e Isabela Renault

Montagem – Letícia Ferreira, Carol Silva e Inês Peixoto

Pós-produção –  Sem Rumo – Projetos Audiovisuais

Correção de cor – João Gabriel Riveres

Finalização – Giordano Lima

Comunicação – Fernando Dornas e Letícia Leiva

Assessoria Imprensa – Polliane Eliziário (Personal Press)

Identidade visual – Carolina Moraes Santana e Délio Faleiro

Assistente de Produção – Lica Del Picchia

Produção Executiva – Beatriz Radicchi

Direção de Produção – Gilma Oliveira

Produção – Grupo Galpão

Co-produção – Limonada Audiovisual

 

O curta-metragem A Primeira perda da minha vida foi produzido considerando medidas de segurança em função da pandemia de COVID-19.

 

GRUPO GALPÃO

 

ATORES

Antonio Edson – Arildo de Barros – Beto Franco – Chico Pelúcio – Eduardo Moreira – Fernanda Vianna – Inês Peixoto – Júlio Maciel – Lydia Del Picchia – Paulo André – Simone Ordones – Teuda Bara

 

EQUIPE

Gerente Executivo – Fernando Lara

Coordenadora de Produção – Gilma Oliveira

Coordenador de Comunicação – Fernando Dornas

Coordenadora Administrativa – Wanilda D’Artagnan

Coordenadora de Planejamento – Alba Martinez

Coordenador Técnico – Rodrigo Marçal

Produtora Executiva – Beatriz Radicchi

Comunicação on-line – Letícia Leiva e Matheus Carvalho

Assistente de Produção – Lica Del Picchia

Assistente Financeiro – Cláudio Augusto

Serviços Gerais – Danielle Rodrigues

Assessor Contábil – Wellington D’Artagnan

Gestor Financeiro de Projetos – Artmanagers

 

Lei Federal de Incentivo à Cultura | Patrocínio máster: Instituto Cultural Vale | Patrocínio: AngloGold Ashantibanco BV | Realização: Secretaria Especial de Cultura, Ministério do Turismo, Governo Federal, Pátria Amada Brasil.

 

Roteiro: Eduardo Moreira

Direção: Inês Peixoto

 

 

ESTREIA NACIONAL

 

Estreia: 12 de outubro de 2021, dia das crianças, às 10h, no canal do Grupo Galpão no YouTube

(filme disponível por 24 horas)

 

Temporada: 16 de outubro  a 7 de novembro de 2021

aos sábados e domingos, às 10h e às 16h, no canal do Grupo Galpão no YouTube 

(filme disponível por 60 minutos)

Sinopse

 

Ao se deparar com uma menina chorando, Kafka descobre que ela perdeu sua boneca. Ele resolve consolá-la, inventando a história de que a boneca saiu para viajar e que ele seria o portador das cartas contando suas aventuras. Embora não se saiba se essa história de fato aconteceu, ela é um extraordinário exemplo da capacidade que a ficção e a empatia humana têm de curar feridas. A primeira perda da minha vida realiza um mergulho poético no mundo do cinema e do teatro, por meio das cartas de uma boneca perdida. As filmagens feitas no teatro do Galpão Cine Horto fundem as duas linguagens, num exercício de profunda fantasia e imaginação.

 

 

Estreia: 2021 | Classificação indicativa: livre | Duração: 25 minutos

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here