Setembro Amarelo: “Se não for pedir muito, se ame mais” e a importância de acolher a própria vida

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Setembro Amarelo: “Se não for pedir muito, se ame mais” e a importância de acolher a própria vida
Setembro Amarelo: “Se não for pedir muito, se ame mais” e a importância de acolher a própria vida

O Setembro Amarelo é um convite para falarmos com mais responsabilidade, respeito e sensibilidade sobre saúde mental, sofrimento emocional e prevenção do suicídio. Mais do que uma campanha realizada durante um mês, ele representa um movimento de valorização da vida e de combate ao silêncio que ainda acompanha muitas pessoas em momentos difíceis.

Nesse contexto, o livro “Se não for pedir muito, se ame mais”, de Andréa Fonseca, traz uma mensagem que se conecta profundamente com a proposta da campanha. O próprio título já provoca uma reflexão necessária: por que, em muitos momentos, demonstramos compreensão, paciência e carinho pelas outras pessoas, mas encontramos tanta dificuldade para oferecer esse mesmo cuidado a nós?

Amar a si mesmo não significa ignorar os problemas, fingir que está tudo bem ou acreditar que precisamos resolver tudo sozinhos. O amor-próprio também se manifesta quando reconhecemos nossos limites, acolhemos nossas emoções e entendemos que procurar ajuda é um gesto de coragem.

O Setembro Amarelo é uma campanha dedicada à conscientização sobre a saúde mental e à prevenção da automutilação e do suicídio. No Brasil, a campanha passou a ser oficialmente instituída pela Lei nº 15.199, de 8 de setembro de 2025. A legislação também definiu o dia 10 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio e o dia 17 de setembro como o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação.

De acordo com o Ministério da Saúde, o suicídio é um fenômeno complexo, influenciado por diferentes fatores. Por isso, não pode ser explicado por uma única causa. Entretanto, a prevenção é possível, especialmente quando os sinais de sofrimento são reconhecidos e a pessoa encontra uma rede de acolhimento e atendimento profissional.

Falar sobre o assunto de maneira responsável contribui para diminuir preconceitos e mostrar que ninguém precisa enfrentar sozinho um momento de sofrimento intenso. Muitas vezes, a pessoa não deseja necessariamente deixar de viver. Ela deseja interromper uma dor que, naquele momento, parece insuportável.

É justamente nesse ponto que a escuta, a presença e o acolhimento podem fazer diferença.

O amor-próprio não precisa ser um pedido

O título “Se não for pedir muito, se ame mais” chama atenção para uma realidade vivida por muitas pessoas: o autocuidado costuma ser colocado no final da lista de prioridades. O trabalho, as responsabilidades familiares, as preocupações financeiras, as cobranças sociais e a necessidade de atender às expectativas alheias ocupam quase todo o espaço disponível. Pouco a pouco, a pessoa pode se afastar das próprias necessidades. Ela continua cumprindo suas obrigações, mas deixa de observar como está emocionalmente. Em alguns casos, sente culpa quando descansa, vergonha quando chora e medo de ser julgada ao admitir que não está bem.

O livro de Andréa Fonseca propõe um movimento de retorno para si. Não se trata de um amor-próprio superficial, baseado apenas em frases positivas, mas de uma disposição para olhar a própria história com mais cuidado. Amar-se também significa reconhecer as feridas, respeitar o próprio tempo e abandonar a ideia de que precisamos demonstrar força o tempo inteiro. No Setembro Amarelo, essa mensagem ganha ainda mais importância. Cuidar da saúde emocional não deve ser entendido como um luxo, uma fraqueza ou um favor concedido a nós mesmos. Esse cuidado é parte da preservação da vida.

A coragem de reconhecer que não está tudo bem

Vivemos em uma sociedade que frequentemente valoriza a produtividade, o desempenho e a aparência de felicidade. Nas redes sociais, somos constantemente expostos a imagens de pessoas aparentemente realizadas, bem-sucedidas e emocionalmente equilibradas. Essa comparação pode aumentar a sensação de inadequação. Quem está sofrendo pode acreditar que é a única pessoa que não consegue organizar a vida, alcançar resultados ou encontrar motivos para sorrir. Entretanto, aquilo que aparece publicamente representa apenas uma pequena parte da realidade.

Uma das mensagens mais importantes do Setembro Amarelo é que não precisamos esconder o sofrimento. Dizer “eu não estou bem” pode ser o começo de uma mudança. Essa frase permite que outras pessoas se aproximem e ajuda a romper o isolamento emocional. Da mesma maneira, o livro “Se não for pedir muito, se ame mais” pode estimular o leitor a perceber que assumir a própria vulnerabilidade não diminui seu valor. Pelo contrário, reconhecer os sentimentos é uma atitude de honestidade consigo mesmo.

Existem momentos em que continuar exige pedir ajuda. Existem dores que precisam ser compartilhadas. Existem situações que necessitam de acompanhamento psicológico, médico, terapeuta holístico ou de outros profissionais capacitados. Nenhuma dessas escolhas representa fracasso.

Escutar também é uma forma de amar

O Setembro Amarelo não fala apenas com quem está enfrentando uma crise emocional. A campanha também nos ensina a observar e acolher as pessoas que estão ao nosso redor. Quando alguém demonstra sofrimento, nem sempre precisamos apresentar uma solução imediata. Muitas vezes, a primeira necessidade é encontrar um espaço seguro para falar. Escutar com atenção, sem minimizar a dor, sem fazer comparações e sem julgar pode ser uma forma poderosa de cuidado.

Expressões como “isso é falta de fé”, “você precisa reagir”, “existem pessoas em situações piores” ou “é só pensar positivo” podem aumentar a culpa e fazer com que a pessoa se feche ainda mais. O sofrimento emocional não deve ser tratado como fraqueza, falta de gratidão ou ausência de força de vontade. Uma postura mais acolhedora começa com perguntas simples: “Como você está se sentindo?”, “Quer conversar?”, “Como posso ajudar?” ou “Posso acompanhar você na busca por atendimento?”. O amor também se manifesta na presença. Ele aparece quando oferecemos tempo, atenção e respeito, sem tentar controlar a experiência do outro.

Autocuidado também é pedir ajuda

O amor-próprio não significa autossuficiência. Ninguém precisa carregar todas as dificuldades sozinho. Uma pessoa pode cuidar de si e, ao mesmo tempo, reconhecer que necessita de apoio.

Conversar com alguém de confiança, procurar atendimento psicológico, buscar uma unidade de saúde ou aceitar a companhia de uma pessoa próxima são atitudes legítimas de autocuidado. Em situações de risco imediato, a pessoa deve procurar atendimento de urgência, acionar o SAMU pelo número 192 ou buscar um pronto atendimento. O Centro de Valorização da Vida, o CVV, também oferece apoio emocional gratuito e sigiloso. O atendimento telefônico está disponível pelo número 188, durante 24 horas por dia e sem custo de ligação. A instituição oferece ainda outras formas de contato por meio do site oficial do CVV.

É importante destacar que livros, conteúdos motivacionais, práticas integrativas, espiritualidade e conversas com pessoas próximas podem contribuir para momentos de reflexão e acolhimento. Contudo, esses recursos não substituem diagnóstico, tratamento ou acompanhamento realizado por profissionais de saúde.

Um livro como espaço de reflexão e acolhimento

A leitura pode se transformar em um encontro íntimo. Em determinadas páginas, o leitor reconhece sentimentos que ainda não conseguia nomear. Em outras, encontra perguntas que o ajudam a enxergar a própria história por uma nova perspectiva. O livro “Se não for pedir muito, se ame mais” pode ser compreendido como um convite para interromper, por alguns instantes, as cobranças externas e prestar atenção ao que acontece internamente. É um chamado para olhar para si com mais gentileza e entender que cada pessoa possui uma trajetória marcada por aprendizados, dores, recomeços e possibilidades.

Esse processo não acontece de forma imediata. Desenvolver amor-próprio exige tempo, consciência e prática. Pode envolver a construção de limites mais saudáveis, o afastamento de ambientes prejudiciais, a retomada de sonhos, o cuidado com o corpo e a disposição para buscar ajuda quando necessário. Acima de tudo, significa reconhecer que nossa existência tem valor, mesmo nos dias em que não conseguimos produzir, sorrir ou corresponder às expectativas.

Se não for pedir muito, escolha permanecer

Relacionar a mensagem do livro ao Setembro Amarelo é reforçar que o cuidado começa quando a vida deixa de ser tratada como uma obrigação silenciosa e passa a ser acolhida em toda a sua complexidade. Talvez alguém precise ouvir que não é um peso. Talvez precise saber que a sua ausência faria diferença. Talvez precise encontrar uma pessoa disponível para escutar sem julgamentos. Em outros casos, o passo mais importante será reconhecer o próprio sofrimento e aceitar receber ajuda.

O Setembro Amarelo nos lembra que conversar pode salvar vidas, que o silêncio pode ser rompido e que procurar apoio é um ato de coragem. Já o livro de Andréa Fonseca amplia esse convite ao apresentar uma mensagem direta e necessária: amar-se não deveria ser um pedido excessivo. Que essa leitura seja uma oportunidade de reencontro, reflexão e acolhimento. Que cada pessoa possa compreender que não precisa enfrentar tudo sozinha e que sempre existe a possibilidade de construir novos caminhos. Se não for pedir muito, escute-se. Respeite seus limites. Procure ajuda. Permita-se ser acolhido. E, principalmente, se ame mais. Instagram: @andreafterapeuta

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