O futebol mineiro vive uma nova fase. Com a chegada das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), clubes tradicionais passaram a enxergar no investimento privado uma possibilidade de reorganizar suas estruturas, recuperar a capacidade de competir e voltar a ocupar espaço na vida das cidades.
Em Nova Lima, esse movimento ganhou força com o investimento do Boston City Group no Villa Nova SAF. O grupo já destinou mais de R$ 30 milhões à reestruturação do clube, em um projeto que combina gestão profissional, recuperação da estrutura esportiva, formação de atletas e criação de novas oportunidades de negócios.
À frente do grupo está o empresário mineiro Renato Valentim, natural de Manhuaçu e radicado nos Estados Unidos desde 1998. Sua trajetória empresarial começou no setor de restaurantes e, mais de duas décadas depois, resultou no controle da rede Tavern in the Square, com 23 unidades e cerca de 4 mil colaboradores nos estados de Massachusetts, Connecticut e Rhode Island.
A experiência construída no ambiente empresarial foi levada para o futebol. O grupo iniciou sua trajetória esportiva com o Boston City FC, nos Estados Unidos, e depois implantou o Boston City FC Brasil, em Manhuaçu. No Rio de Janeiro, assumiu a gestão do Americano Futebol Clube, campeão da Série A2 do Campeonato Carioca em 2026. Agora, o Villa Nova SAF se tornou um dos principais projetos esportivos do grupo no país e também conquistou o acesso.

Reconstruir para voltar a sonhar
Quando o Boston City Group assumiu o Villa Nova SAF, encontrou um clube rebaixado, com aproximadamente R$ 13 milhões em dívidas e as categorias de base desativadas havia quase uma década. A primeira missão foi menos sobre resultados imediatos e mais sobre reconstrução.
“Estruturamos praticamente o clube do zero. Reorganizamos processos, montamos equipes técnicas e administrativas, retomamos as categorias de base e estabelecemos um planejamento de longo prazo”, afirma Renato Valentim.
Em pouco tempo, o trabalho começou a aparecer dentro e fora de campo. As equipes Sub-15, Sub-17 e Sub-20 foram reativadas, enquanto o Sub-13 começou a ser implantado. A nova categoria despertou o interesse de mais de 500 jovens inscritos, um número que revela o tamanho da expectativa em torno do novo momento do clube.
Para Sergio Pinheiro, CEO do Villa Nova SAF, a base representa muito mais do que a formação de jogadores. É também uma forma de construir patrimônio esportivo e criar oportunidades para os jovens.
“O futebol sustentável passa necessariamente pela formação de atletas. Não existe projeto de longo prazo sem investimento na base. Nosso objetivo é desenvolver talentos dentro de casa, criando oportunidades para os jovens e construindo patrimônio para o clube”, destaca.

Quando o futebol movimenta uma cidade
A transformação não se limita ao gramado. Em menos de 60 dias de operação, o Villa Nova SAF gerou mais de 60 empregos diretos, muitos deles ocupados por moradores de Nova Lima e da Região Metropolitana.
Cerca de 70 atletas vivem atualmente no Centro de Treinamento, movimentando diariamente setores como alimentação, transporte, lavanderia, comunicação, comércio e prestação de serviços. Ao considerar atletas, funcionários e profissionais ligados direta e indiretamente às operações, o clube impacta aproximadamente 200 pessoas por mês.
Nos dias de jogos, a movimentação aumenta. Cerca de 300 profissionais participam da operação das partidas, sendo aproximadamente 70% deles de Nova Lima ou da Região Metropolitana. O resultado é uma cadeia que ultrapassa os limites do estádio e transforma o futebol em atividade econômica, social e cultural.
“Futebol é uma plataforma de desenvolvimento econômico para as cidades”, resume Sergio Pinheiro.

Uma nova relação com a torcida
A reconstrução também passa pela identidade. Recentemente, o Villa Nova SAF lançou a cerveja artesanal premium Leão do Bonfim, produzida em parceria com a Cervejaria Vinil, de Nova Lima.
Disponível em lata de 473 ml e garrafa de 600 ml, a bebida foi criada para marcar essa nova etapa do clube e aproximar ainda mais o Villa da cidade e de sua torcida.
“O Villa Nova SAF vive um momento de reconstrução e fortalecimento da sua identidade. A cerveja nasce dentro desse contexto, aproximando ainda mais o clube da cidade, da torcida e da experiência de estádio”, afirma Pinheiro.
A ideia é que o torcedor volte a viver o clube para além dos 90 minutos. É uma estratégia que une marca, pertencimento e novas receitas.
Formar atletas, preparar pessoas

No projeto do Villa Nova SAF, formar um jogador também significa prepará-lo para a vida. O trabalho envolve educação, disciplina, alimentação, acompanhamento psicológico, suporte emocional e participação das famílias.
Ao longo da temporada, cerca de 150 atletas passam pelo projeto, com aproximadamente 100 profissionais envolvidos direta ou indiretamente no desenvolvimento desses jovens.
A próxima etapa já começa a ser desenhada. O grupo estuda a implantação de uma franquia de academia que terá como diferencial a identificação e seleção de talentos para as categorias de base.
A proposta é transformar a estrutura esportiva em uma plataforma permanente de descoberta de novos jogadores e, ao mesmo tempo, ampliar a presença do Villa Nova SAF no cotidiano da comunidade.
Mais do que recuperar um clube tradicional, o projeto busca reconstruir uma relação. Entre o time e a cidade, entre o atleta e o sonho, entre o futebol e a economia local.
No Villa Nova, a bola voltou a rolar. Mas, desta vez, a aposta é fazer com que ela também movimente pessoas, negócios e novas histórias.

