O circo desafia os limites. Em “Transborda”, no entanto, o maior salto acontece antes mesmo de o artista subir ao trapézio. O espetáculo, que estreia no dia 18 de julho, às 16h, no Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto), em Belo Horizonte, propõe uma mudança de perspectiva ao colocar artistas com deficiência no centro do processo criativo, transformando a acessibilidade em parte da própria linguagem artística.
A montagem reúne números de trapézio, tecido, lira, malabares e acrobacias em uma narrativa construída a partir das vivências de Ana Cris Pimenta, Gabriel Aquino e Naty Cândido, protagonistas da esquete de circo contemporâneo desenvolvida junto ao Instituto Cultural CircoLar.
Para a equipe do CircoLar, o surgimento do espetáculo é uma das experiências mais marcantes. “As primeiras aulas com o Gabriel foram, sem dúvida, o momento mais marcante para mim. Como professor, uma das maiores recompensas é acompanhar um aluno descobrindo que é capaz de ir muito além do que imaginava. Conquistar a confiança necessária para que ele se lançasse em uma queda no trapézio, sem ter qualquer referência visual, simbolizou muito mais do que um avanço técnico. Representou a superação do medo, a entrega ao processo e a certeza de que a confiança pode abrir caminhos antes considerados impossíveis”, relembra Lucas Castro.
Durante os ensaios, a equipe percebeu que o aprendizado acontecia em todas as direções. E essa construção coletiva fez com que a acessibilidade deixasse de ser um recurso oferecido ao público e passasse a orientar a criatividade. “O maior desafio foi construir um espetáculo verdadeiramente acessível para quem está no palco e para quem está na plateia. O artista e os espectadores possuem necessidades específicas. Isso exigiu repensar continuamente a direção, a dramaturgia, a sonoridade, o tempo das cenas e os recursos de acessibilidade. Não adaptamos um espetáculo pronto; desenvolvemos coletivamente uma obra em que a acessibilidade faz parte da linguagem artística desde o início”, destaca Lucas Castro.
Além de intérpretes de libras e audiodescrição, a apresentação contará com espaços reservados para pessoas com deficiência. Para o CircoLar, “Transborda” representa um marco. “Embora seja o primeiro projeto destinado especificamente ao protagonismo de artistas com deficiência a conquistar recursos para sua realização, a acessibilidade já faz parte da história do Instituto. Agora, damos um passo além ao colocar esses artistas no centro do processo criativo. O projeto demonstra que arte e inclusão são indissociáveis quando a acessibilidade é compreendida como parte da criação, e não apenas como adaptação”, afirma Kênia Silva.
“Transborda”
Data: 18 de julho de 2026 (sábado) – 16h
Local: Galpão Cine Horto (rua Pitangui, 3.613, Horto) – BH
Classificação: Livre
Ingressos: Gratuitos (retirada pelo Sympla)
Mais detalhes: https://institutocircolar.org.

