Festival reúne artistas do Brasil, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique nos dias 28 e 29 de novembro, no Grande Teatro Sesc Palladium
Belo Horizonte recebe, pela primeira vez, o Fest in Brasil-África, festival que celebra a diversidade musical e a riqueza cultural dos países de língua portuguesa. Nos dias 28 e 29 de novembro, o Grande Teatro Sesc Palladium será palco de uma programação especial que reúne artistas brasileiros e africanos em um encontro de ritmos, tradições e expressões contemporâneas.
Realizado no mês da Consciência Negra, o evento propõe fortalecer os laços culturais entre Brasil, Angola, Guiné-Bissau e Moçambique, promovendo a música como instrumento de conexão entre povos e valorização das identidades afro-lusófonas.
A programação reúne nomes consagrados e representantes de diferentes gerações da música, como Maurício Tizumba, Patche Di Rima, Marcos Sacramento, Zé Paulo Becker, Lenna Bahule, Hamilton de Holanda, Rallie e Filipe Mukenga.
Mais do que uma sequência de apresentações, o festival busca proporcionar uma experiência de intercâmbio artístico, aproximando públicos e culturas por meio de diferentes sonoridades, que vão do samba e do choro aos ritmos tradicionais africanos e às fusões contemporâneas.
Música brasileira e africana em diálogo
A abertura, no sábado, 28 de novembro, começa às 19h30, com Marcos Sacramento e Zé Paulo Becker. A dupla celebra os 60 anos do histórico álbum Os Afro-sambas, de Baden Powell e Vinicius de Moraes, lançado em 1966.
O espetáculo revisita integralmente a obra, incluindo clássicos como Canto de Ossanha e Canto de Xangô, além de canções que dialogam com o universo musical do disco. A apresentação destaca a influência das matrizes africanas na música brasileira e a importância desse repertório para a história cultural do país.
Às 20h30, o palco recebe Maurício Tizumba, referência da cultura popular mineira e reconhecido por seu trabalho de valorização do congado e das tradições afro-brasileiras. Cantor, compositor, ator e percussionista, o artista transforma suas apresentações em celebrações da ancestralidade, da memória e da identidade cultural de Minas Gerais.
Encerrando a programação de sábado, às 21h30, Patche Di Rima representa a Guiné-Bissau. Com quase duas décadas de carreira profissional, o cantor combina ritmos tradicionais guineenses, como gumbé, tina e singa, com influências do afrobeat e da world music.
Conhecido por utilizar diferentes idiomas e dialetos tradicionais em suas composições, o artista desenvolveu uma identidade musical própria, que denomina Sikó, e tem como missão compartilhar a cultura de seu país com públicos de diferentes partes do mundo.

Domingo reúne diferentes expressões da música lusófona
No domingo, 29 de novembro, a programação começa às 18h com Lenna Bahule, cantora, compositora e arte-educadora moçambicana.
Reconhecida por sua expressividade vocal e pela criação de experiências musicais que integram corpo, mente e alma, a artista desenvolve um trabalho que combina elementos tradicionais de Moçambique com sonoridades contemporâneas. Sua música utiliza a voz como instrumento e incorpora diferentes idiomas, ritmos e materiais orgânicos.
Às 19h30, Hamilton de Holanda Trio apresenta uma experiência instrumental que aproxima o choro, o jazz e a música brasileira contemporânea.
Liderado pelo bandolinista e compositor Hamilton de Holanda, o grupo conta com Salomão Soares, nos teclados e Moog, e Thiago “Big” Rabello, na bateria. A formação explora novas possibilidades sonoras, preservando a tradição do choro e incorporando liberdade criativa e influências do jazz.
Às 20h30, o cantor e compositor baiano Rallie, nome artístico de Raimundo Lima, sobe ao palco com sua mistura de samba, MPB, soul e ritmos afro-brasileiros.
Com uma trajetória iniciada na carreira fonográfica aos 62 anos, o artista ganhou destaque na cena independente e desenvolve projetos de intercâmbio cultural entre a Bahia e a África. No festival, sua apresentação também prepara o encontro com Filipe Mukenga.
O encerramento, às 21h, será com o cantor e compositor angolano Filipe Mukenga, um dos nomes respeitados da música contemporânea de Angola.
Sua obra combina raízes culturais africanas e elementos da música moderna, abordando questões sociais, políticas e identitárias. Ao longo da carreira, o artista construiu importantes conexões com a música brasileira, tendo desenvolvido trabalhos com nomes como Ney Matogrosso, Zélia Duncan e Cássia Eller. Seu álbum Nós Somos Nós foi gravado no Brasil, sob direção de Zeca Baleiro, com participações de Ivan Lins e Martinho da Vila.

Intercâmbio cultural e valorização da diversidade
Idealizado e dirigido por Daniel Rodrigues, o Fest in Brasil-África tem como proposta ampliar a circulação de artistas e fortalecer o diálogo entre países que compartilham a língua portuguesa, mas preservam identidades culturais e sonoridades próprias.
Daniel Rodrigues criou, nos anos 1990, o Fest in Bahia, em Salvador, e foi empresário de Gilberto Gil entre 1972 e 1991. Também atuou como curador artístico da Noite Brasileira do Montreux Jazz Festival, entre 1997 e 2009, além de criar os festivais Brazilian Day London e Brazilian Day Portugal.
A realização em Belo Horizonte representa uma oportunidade de ampliar o acesso à música africana e brasileira, promovendo encontros entre artistas, tradições e diferentes gerações.
Com uma programação que valoriza a diversidade, a ancestralidade e a criatividade, o festival reforça a música como linguagem universal e celebra a riqueza cultural dos países lusófonos.
Serviço
Fest in Brasil-África em Belo Horizonte
📍 Local: Grande Teatro Sesc Palladium
Rua Rio de Janeiro, 1046 – Centro, Belo Horizonte
📅 Datas e horários:
- Sábado, 28 de novembro: a partir das 19h30
- Domingo, 29 de novembro: a partir das 18h
🎶 Programação:
28/11 – Sábado
- 19h30 – Marcos Sacramento & Zé Paulo Becker
- 20h30 – Maurício Tizumba
- 21h30 – Patche Di Rima
29/11 – Domingo
- 18h – Lenna Bahule
- 19h30 – Hamilton de Holanda Trio
- 20h30 – Rallie
- 21h – Filipe Mukenga
🎟️ Ingressos: de R$ 60 a R$ 200
Plateia 1: inteira R$ 200 | meia R$ 100 | solidário R$ 160
Plateia 2: inteira R$ 160 | meia R$ 80 | solidário R$ 120
Plateia 3: inteira R$ 120 | meia R$ 60 | solidário R$ 100
Vendas: bilheteria do teatro e Sympla
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📞 Informações: (31) 3270-8100

