Dia Mundial do Rock: até o rock pesado pode fazer bem ao cérebro

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Muito antes de a neurociência comprovar os efeitos da música sobre o cérebro, o filósofo e matemático grego Pitágoras já acreditava que sons e ritmos exerciam influência sobre o equilíbrio da mente e do corpo. Séculos depois, essa percepção ganhou respaldo científico. No Dia Mundial do Rock, celebrado em 13 de julho, estudos mostram que ouvir música vai muito além do entretenimento, trata de um poderoso estímulo cerebral, capaz de despertar emoções, fortalecer memórias e favorecer o bem-estar.

A música mobiliza diversas regiões do cérebro ao mesmo tempo, envolvendo áreas responsáveis pelas emoções, pela memória, pela atenção, pela linguagem e pelo movimento. Diferentemente de outras atividades, poucos estímulos conseguem recrutar uma rede cerebral tão ampla em poucos segundos.

Para a coordenadora do Departamento Científico de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), Dra. Elisa de Paula França Resende, “A música engaja diversas áreas cerebrais simultaneamente, fortalecendo redes e vias neurais relacionadas a processos sensoriais, motores, emoção, afeto e memória.”

Pesquisas em neurociência demonstram que, ao ouvir uma música que desperta identificação emocional, o cérebro ativa estruturas como o córtex pré-frontal, o sistema límbico e o núcleo accumbens, região diretamente relacionada ao circuito de recompensa.

Esse processo estimula a liberação de dopamina, neurotransmissor associado ao prazer, à motivação e à sensação de bem-estar, mecanismo semelhante ao observado durante experiências naturalmente recompensadoras, como praticar atividade física ou compartilhar momentos agradáveis.

Esse conhecimento tem ampliado o uso da música dentro da prática clínica. Em hospitais e centros de reabilitação, a musicoterapia vem sendo utilizada como estratégia complementar para estimular funções cognitivas, favorecer a comunicação, melhorar a coordenação motora e contribuir para a qualidade de vida de pessoas com doenças neurológicas.

De acordo com a Dra. Elisa de Paula França Resende, “As intervenções musicais são particularmente benéficas na reabilitação motora após AVC. A estimulação auditiva rítmica melhora distúrbios da marcha, e a terapia de entonação melódica é utilizada com sucesso na reabilitação de pacientes com afasia não fluente.”

Além do AVC, evidências científicas também demonstram benefícios das intervenções musicais em pessoas com doença de Parkinson, demências, doença de Alzheimer e comprometimento cognitivo. Nessas condições, a música pode contribuir para melhorar funções cognitivas, humor, qualidade de vida, além de auxiliar na reabilitação motora e na redução de sintomas comportamentais.

A Doutora Elisa destaca que a música não substitui tratamentos médicos, mas representa uma importante aliada na promoção da saúde cerebral. Incorporar momentos de escuta musical à rotina pode contribuir para o equilíbrio emocional, estimular diferentes circuitos neurais e promover bem-estar ao longo da vida.

Neste Dia Mundial do Rock, a ciência reforça que a música vai muito além da trilha sonora de momentos marcantes. Cada acorde capaz de emocionar também ativa uma complexa rede de conexões cerebrais, mostrando que aquilo que agrada aos ouvidos também pode beneficiar o cérebro.

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