Ana Flávia Borsali lança “Borda Invertida”

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A escritora Ana Flávia Borsali lança, neste 28 de março, o livro Borda Invertida. A autora mineira, que apresenta sua primeira reunião de poemas, recebe os cumprimentos na Livraria Quixote, em Belo Horizonte, a partir das 11h. A obra, que chega ao leitor pela editora Cas’a Cântaro, cujo acervo se dedica predominantemente à autoria feminina, apresenta o trabalho de Borsali por intermédio de temas como partidas, retornos, escolhas e limites — todos eles inerentes à existência humana e expressos a partir de uma perspectiva imagética.

Rodeada por inquietações desde a infância, Borsali encontrou no gesto da escrita uma forma de ocupar o sensível e de decifrar as próprias fronteiras. “Minha entrada no universo da linguagem clareou parte daquilo que eu não entendia desde muito cedo. Ao ser alfabetizada, comecei a trilhar, como nas palavras de Clarice Lispector, minha descoberta do mundo. Comecei a escrever para ter notícias minhas, pistas e indícios de quem eu era”, diz a autora. Já adulta, quando se voltou para a poesia, vivia mais um desses momentos. “Aos 40 anos, vamos revolvendo a terra e outras questões começam a surgir. Percebi que recuar não era uma boa estratégia”, explica.

O espanto decorrente desse exercício, que se apodera da relação estabelecida entre escritor e leitor, reflete-se nos 28 poemas que compõem o livro. Nas palavras de Inês Campos, que assina o texto da orelha, enveredar-se por cada um deles é chegar à conclusão de que o pensamento da autora “se revira, enquanto a escrita se dobra e o vivido se renova”. Para falar de bordas, Borsali valeu-se de diversas imagens, que se expõem tanto pelos cenários que constroi quanto pelas ilustrações de Julia Panadés.

Crédito: Acervo pessoal (Divulgação)

Na visualidade dos poemas, a autora evoca frestas e fendas como formas de contornar as palavras e os significantes escolhidos que lhe são caros. Seus cenários, por vezes ausentes de árvores, anéis ou promessas, revelam um desejo de trilhar o novo, de encontrar “terra fofa pronta para receber as impossibilidades”. Seria natural que um sentimento de coragem se apoderasse da escrita, tal qual observamos no poema a seguir:

 

 

“Carrega no corpo uma fissura
acesso à escura carótida
A dúvida sem recuo
Da beleza — o próprio avesso:
é o que aponta para fictícia paz das coisas
é perpétua sede
é odor de espanto e fascínio
No hálito do tempo”

Dividido em dois tomos, que traçam um fio invisível entre a história das fronteiras e a dos poetas, o livro lança de imediato uma primeira indagação: o que seria essa borda a que se refere Borsali? Trata-se da cartografia do sujeito, uma tentativa de decantação daquilo que se sente. “Borda Invertida é um livro que me deu a chance de visualizar quais eram as minhas enseadas, para além dos limites subjetivos e de perguntas como: ‘O que é meu?’ e ‘O que é do outro?’”, diz a autora. Trata-se, portanto, também de uma obra que mergulha naquilo que existe entre as dicotomias de amor e separação, vínculos rompidos e iniciações.

Em um segundo momento, a proposta nos conduz a pensar na inversão desses papéis. Pouco a pouco, o leitor percebe que não somos indissociáveis uns dos outros. “Quando a borda se inverte, a gente se transforma. Somos afetados pelo mundo, e é nessas contínuas inversões que a gente muda”, completa Borsali. Diante do próprio reflexo, essa mulher que escreve parece provocar tanto uma certeza quanto uma indagação: se a cada inversão deixamos algo para trás, o que restará para seguirmos?

Sobre a autora

Ana Flávia Borsali nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, onde também vive. É poeta e servidora pública. Antes da chegada de Borda Invertida, seu trabalho de estreia, publicou poemas em revistas literárias como a Casa Quarup e Ruído Manifesto. Além disso, é uma das autoras incluídas na antologia As Estratégias Fatais, organizada por Flávia Figueirêdo e lançada pela editora Ofícios Terrestres.

Serviço

Ana Flávia Borsali convida para o lançamento do livro Borda Invertida.

Local: Livraria Quixote.

Endereço: Rua Fernandes Tourinho, 74, Savassi. Belo Horizonte/MG.

Horário: das 11h às 14h.

 

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