Futebol, teatro e a alma brasileira

Por Jéssica Torres, jornalista e roteirista

Com uma curta temporada, o espetáculo Dois de Nós voltou ao Sesc Palladium na última semana, trazendo Antônio Fagundes, Christiane Torloni, Thiago Fragoso e Alexandra Martins para o palco, sob direção do conceituado José Possi Neto. O texto, inédito, é assinado por Gustavo Pinheiro. Desde a estreia, em setembro de 2024, mais de 25 mil espectadores já assistiram à comédia, que acompanha dois casais de diferentes gerações dividindo um quarto de hotel, onde conflitos, emoções, segredos e mentiras vêm à tona. Mais do que números, Dois de Nós reafirma a importância da cultura e do teatro para os brasileiros.

Recentemente, vimos o país vibrar com fervor pelos clubes brasileiros na Copa do Mundo de Clubes. Um grito potente e uníssono, marca de uma das expressões mais autênticas da nossa identidade nacional: o esporte. Independentemente de religião, classe social ou CEP, o futebol é uma linguagem comum que gera pertencimento. Mas, se o futebol representa o grito coletivo, o teatro nos oferece um silêncio compartilhado.

Não pense que essa pausa é vazia de sentido — pelo contrário, ela comunica, comove e alimenta um coletivo ávido por emoções. São experiências vividas em grupo e, ao mesmo tempo, profundamente individuais. No estádio ou na plateia, somos tocados por algo que vem de fora — um gol ou uma fala — e que, paradoxalmente, revela o que há dentro de nós. Quem sabe, até dois de nós?

Enquanto alguns insistem em repetir que o Brasil é um país sem cultura — os mesmos que torcem por clubes europeus em vez dos brasileiros —, os dados mostram outra realidade. A pesquisa Hábitos Culturais, realizada pela Fundação Itaú em parceria com o Instituto Datafolha e divulgada no fim de 2024, revela que 97% dos brasileiros realizaram alguma atividade cultural nos 12 meses anteriores. Houve crescimento nas visitas a bibliotecas, espetáculos de teatro e circo, museus, festivais literários e musicais em comparação com a edição anterior.

Assim como os atletas, quem pratica teatro desenvolve disciplina, atenção, preparo físico, coordenação motora e trabalho em equipe. Já o público — seja da arquibancada ou da plateia — experimenta pertencimento, catarse emocional, empatia, pensamento crítico, sensibilidade e inclusão social. São benefícios que unem o esporte e a arte como potências formadoras da sociedade.

A peça Dois de Nós é um exemplo vívido disso. Com humor e sensibilidade, mergulha nas complexidades da experiência humana — ou seja, do simples fato de estar vivo. Trata das frustrações cotidianas, dos afetos silenciados, das pequenas verdades que, mesmo íntimas, falam de todos nós. Se o futebol revela nossa paixão coletiva, o teatro nos oferece um olhar profundo sobre nossas contradições mais íntimas. Um grita, o outro escuta. Um corre, o outro pausa. Ambos, como diria qualquer gramático exagerado – mas, entretanto, porém e todavia – pertencem à alma brasileira. Um país sem cultura viva perde a capacidade de se ver, de se entender e de sonhar diferente. Que possamos todos vestir a camisa da cultura. Viva o Brasil!

Modernos Eternos leva arte e memória às ruas de BH

Apresentada pelo Governo de Minas Gerais e pela Cemig, a temporada Modernos Eternos Street toma as ruas de Belo Horizonte até 20 de julho, com uma programação extensa que ocupa diversos espaços culturais da cidade. Neste ano, o projeto traz o eixo temático central “Educação em Minas Gerais: do século XIX aos dias atuais”, celebrando o legado dos educadores e a evolução do ensino no estado, reforçando como o trabalho do professor transcende a sala de aula. A iniciativa é parte da 10ª edição da Modernos Eternos BH, que ocupa a Escola Estadual Afonso Penna e a Casa Afonso Penna Jr. com 47 ambientes assinados por grandes nomes da Arquitetura, Design e Paisagismo, apostando no mix & match de peças vintage, antigas e contemporâneas para apresentar as últimas tendências do setor. Em 2025 a mostra têm como patrocínio a Cemig por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura de Minas Gerais.

“A Modernos Eternos Street é uma iniciativa tradicional da Modernos Eternos, que expande nossa atuação para além da mostra de ambientes. Criamos um circuito gratuito em vários espaços da cidade, com o objetivo de democratizar o acesso à arte e à cultura, e instigar reflexões sobre temas relevantes no cotidiano”, explica Josette Davis, realizadora da Modernos Eternos BH. “Nesta décima edição, a ação Street ganha uma dimensão ainda mais robusta, se debruçando sobre a Educação em Minas Gerais. Queremos, mais uma vez, que a arte e a cultura transbordem para além da nossa mostra de ambientes, dialogando com Belo Horizonte e seus cidadãos de forma aberta e inspiradora”, completa.

O programa Street 2025 foi concebido em duas vertentes que se alimentam mutuamente, criado em uma colaboração entre o curador de Arte da Modernos Eternos, Marcos Esteves, e o curador de Cultura, Fabiano Lopes de Paula. A agenda ocupa o Mercado Novo, MM Gerdau, Botânico Shopping, Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais, Museu Mineiro, Arquivo Público Mineiro e Casa Fiat de Cultura.

Programação Street

Uma das principais ações da Modernos Eternos é a exposição “Afonso Penna em 4 Capítulos”, que convidou dezesseis artistas — quatro por capítulo — para pintarem cenas da trajetória do estadista. As obras foram divididas em quatro partes emblemáticas: A Infância e Formação, interpretada por Letícia Pinto, Carol Perillo, Luiz Pêgo e Mônica Batitucci; Do Império para a República do Brasil, com Nadu, Lucas Castilho, Bárbara Rigamonte e Liliane Coelho; Belo Horizonte – A Capital de Minas Gerais, por Bárbara Novaes, Olister, Rafael Abreu e Angélica; e O Brasil do Presidente Afonso Penna, com Ângela Costa, Adriana Drumond, Luciano Ribeiro e Lenice Pitangui. As obras estão expostas no Mercado Novo, MM Gerdau, Botânico Shopping e Biblioteca Pública Estadual de Minas Gerais.

Como ação complementar, a iniciativa “Marcas de Honra” reuniu 10 artistas convidados para retratar  personalidades contemporâneas de Afonso Penna que marcaram a história do país — entre eles João Pinheiro, Bias Fortes, Cesário Alvim, Augusto de Lima, Prudente de Morais, Ruy Barbosa, Cândido Rondon, Oswaldo Cruz e Afonso Penna Júnior. A chamada “galeria ao ar livre” contou com o talento de Alexandre Rato, Caio Ronin, Darío Velasco, Fátima Miranda, Luiz Luzcla, Luíza Azam, Michel Salazar, Regina Moraes, Sandra Motta e Zanne Neiva, e as obras são exibidas no Museu Mineiro.

O Museu Mineiro também sedia uma Oficina de Pintura inspirada em seu acervo (16 de julho, com Marcos Esteves e Fabiano Lopes de Paula) e uma Oficina de Desenho e Pintura a partir da Fotografia, com Telma Isabel Vieira Martins, em parceria com a Escola de Design da UEMG, 12/7 somente para alunos da UEMG.

Celebrando seus 130 anos, o Arquivo Público Mineiro (APM) é palco de uma homenagem à educadora Helena Antipoff, com participação da Escola Guignard, Fundação Helena Antipoff e UNA. A programação no APM contempla as exposições “Belo Horizonte – Cidade Imaginada”, com mapas e fotos antigas que investigam a cartografia e iconografia da cidade; e a mostra especial “Registros de Memória & História – A Escola Normal de Montes Claros”, com documentos originais que resgatam o papel do pólo educacional no norte de Minas, além de uma mesa-redonda sobre a história da educação no estado.

O circuito Modernos Eternos Street ainda realiza uma exposição especial na Casa Fiat de Cultura, com curadoria de João Caixeta, que também assina a expografia junto de Angélica Araújo. A mostra apresenta obras de Andréa Vilela e Mirella Spinelli, na forma de recortes visuais e poéticos a partir de observações pessoais sobre a Praça da Liberdade – um dos principais cartões-postais de Belo Horizonte. A exposição “Cartografias Inventadas: Caminhos, Memórias e Pertencimentos” conta com 17 pinturas inéditas, que buscam não só ilustrar a cidade, mas reinventá-la por meio de traços tênues, transparências sobrepostas e vazios carregados de sentido — características das percepções sensíveis das artistas. Com técnicas distintas que variam entre aquarela, acrílica e óleo, as formas e as cores que se apresentam com a leveza do traço, revelam-se também como uma ferramenta de escavação poética, capaz de acolher silêncios, vestígios e a impermanência do tempo.

SERVIÇO:

 A programação detalhada da Modernos Eternos Street 2025, incluindo horários específicos de cada atividade, eventuais necessidades de inscrição para oficinas e atualizações sobre locais, estará disponível no site oficial do evento e em suas redes sociais.

 

Site: modernoseternosbh.com

Instagram: @modernoseternosbh

 

MODERNOS ETERNOS BH 2025 

Data: 24/06 a 20/07

Locais:

– Escola Estadual Afonso Penna – Av. João Pinheiro, 450, Boa Viagem

– Casa Una Anima Lab – Residência de Afonso Penna Jr. – Rua dos Aimorés, 1451

Horários de Funcionamento:

Terça a sexta: 14h às 22h

Sábado: 12h às 22h

Domingo: 12h às 19h

Ingressos:

-Pré-venda por R$67 (valor único com 25% de desconto)

-24/06: R$90 (inteira) e R$45 (meia)

Vendas Online: https://modernoseternosbh.byinti.com

Instagram: @modernoseternosbh

Site: https://www.modernoseternosbh-2025.com

Museu Padre Toledo inaugura nova exposição em Tiradentes

No dia 18 de julho de 2025, às 15h, o Museu Casa Padre Toledo, espaço integrante do Campus Cultural UFMG em Tiradentes, reabre suas portas ao público com a exposição Tiradentes Passado Presente, que convida visitantes a refletirem sobre as múltiplas camadas de memória, história e cultura da cidade. A cerimônia de abertura contará com a presença da Reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, do Pró-reitor de Cultura, Fernando Mencarelli, da diretora do Campus Cultural UFMG em Tiradentes, Patricia Franca-Huchet, do Presidente da Fundação Rodrigo Mello Franco de Andrade, Pedro Vasconcelos Maia do Amaral, além de outras autoridades, representantes de instituições parceiras e convidados.

A nova expografia, em constante movimento ao longo dos últimos dois anos, propõe renovar o olhar sobre o passado colonial e reconectar o patrimônio histórico às questões contemporâneas, como diversidade, pluralidade, direitos culturais e democracia. O projeto busca estimular uma aproximação crítica e sensível entre o público e os bens culturais, contribuindo para o fortalecimento dos valores que sustentam a convivência em sociedade.

Localizado em uma das mais expressivas e significativas construções civis do século XVIII em Minas Gerais, o solar que abriga o Museu Casa Padre Toledo é testemunha de momentos fundamentais da história nacional, como as primeiras articulações da Conjuração Mineira. A antiga residência, palco de reuniões dos inconfidentes durante o período da opressão fiscal imposta pela Coroa Portuguesa, foi também um dos marcos iniciais do movimento modernista de preservação do patrimônio cultural no Brasil, liderado pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN), sob a direção de Rodrigo Mello Franco de Andrade.

A nova expografia apresenta um percurso imersivo que articula as diversas dimensões da história da cidade e da própria casa. Os eixos expográficos convidam à reflexão sobre o cotidiano da vida colonial, os modos de morar, produzir e conviver nas Minas do século XVIII, as expressões de religiosidade e sincretismo, e a presença marcante das populações afrodescendentes na construção da identidade local. A memória das irmandades religiosas, as festas do Rosário e os congados ganham destaque, assim como os registros das práticas agrícolas, dos ofícios tradicionais e dos saberes transmitidos ao longo das gerações. O próprio edifício — com seu torreão, porão e pinturas raras — constitui testemunho dos processos construtivos coloniais e das transformações pelas quais passou ao longo dos séculos: de residência senhorial a sede administrativa, de teatro a cinema, de seminário a espaço museológico.

Entre os destaques da exposição, o visitante encontrará peças da Coleção Rodrigo Mello Franco de Andrade, que reúne obras, documentos e objetos emblemáticos do diálogo entre o modernismo brasileiro e a preservação do patrimônio. Pinturas, esculturas, plantas arquitetônicas e registros históricos evocam nomes como Cândido Portinari, Lucio Costa, Roberto Burle Marx, Guignard, entre outros artistas e intelectuais cuja atuação ultrapassou o campo das artes, influenciando profundamente a formulação das políticas culturais e preservacionistas no Brasil.

O trabalho de curadoria da nova expografia, conduzido pelo Diretor do Centro Cultural da UFMG, Fabrício Fernandino, contou com a participação de Diná Marques, Coordenadora do Patrimônio Cultural da PROCULT, da diretora do Campus, Patricia Franca-Huchet, do Pró Reitor de Cultura Fernando Mencarelli e da Museóloga Lorena Mello. A definição da linha conceitual para a exposição Tiradentes Passado Presente considerou trilhar os caminhos da vocação do Museu Casa Padre Toledo, materializada em 2017 em seu Plano Museológico.

Em diálogo com o Centro de Estudos e Biblioteca e com o Quatro Cantos Espaço Cultural, o Museu reafirma o compromisso da UFMG com uma abordagem crítica, inclusiva e participativa da história e do patrimônio, valorizando as múltiplas vozes e memórias que compõem o passado da cidade. Ao propor novas formas de fruição, interpretação e apropriação simbólica do patrimônio, a exposição Tiradentes Passado Presente convida o público a redescobrir Tiradentes como um lugar vivo: onde o silêncio das pedras coloniais e a força das manifestações culturais seguem inspirando o encontro entre memória, presente e futuro.

A reabertura do Museu Casa Padre Toledo contou com recursos do projeto “Democracia cultural em Tiradentes: valorização do patrimônio, das artes e dos saberes da população afro-brasileira para requalificação do Museu Casa Padre Toledo”, viabilizado por meio de emenda parlamentar da deputada estadual Andréia de Jesus.

Por: Jardel Santos

SERVIÇO

Tiradentes Passado Presente – Nova Exposição de longa duração do Museu Casa Padre Toledo

Data: 18 de julho, às 15h

Local: Museu Casa Padre Toledo (Rua Padre Toledo, 190, Centro – Tiradentes/MG)

34ª Expocachaça celebra feira de negócios e cultura em BH

Entre os dias 7 e 9 de agosto, Belo Horizonte será palco da 34ª edição da Expocachaça, evento que exalta a cachaça de alambique patrimônio cultural e histórico de Minas Gerais, símbolo da identidade cultural brasileira. Consolidada como evento pioneiro e  a maior vitrine mundial da cachaça de alambique, a feira retorna este ano ao CenterMinas Expo (Av. Pastor Anselmo Silvestre, 1495 – União) ,  com uma programação intensa nos formatos B2B (feira de negócios) e B2C (festival aberto ao público), se consagrando como a maior edição do evento já realizado ocupando três Pavilhões, reunindo tradição, inovação e oportunidades em um só espaço.

Para além da Expocachaça, O evento ainda âncora dois projetos que fortalecem ainda mais sua proposta cultural e gastronômica: a 3ª edição do Minas + Doce, que tem curadoria de Rosilene Campolina – e o objetivo principal de dar visibilidade à riqueza cultural da produção de doces do Estado de Minas expressa numa linguagem do amor, que transpira dos tachos de cobre, mexidos com carinho pelas mãos com poesia – e a BrasilBier, que chega à sua 18ª edição ampliando a visibilidade das cervejas especiais brasileiras, com experiências sensoriais e oportunidades de negócios em torno de rótulos especiais de todo o país.

Um total de 18 estados brasileiros estarão entre os 12.170m², totalizando 100% da área do centro de convenções ocupando os Pavilhões Ouro Preto , Atrium e Tiradentes,  representando suas marcas. Serão cerca 250 expositores distribuídos em stands coletivos e individuais com mais de 2000 marcas de produtos e equipamentos, com destaque para as cachaças de alambique. A bebida, feita com tecnologia e tradição passada entre gerações, ganha aqui seu merecido protagonismo. “Mais uma vez reforçamos a nossa missão de promover a cachaça de alambique, agregando valor ao produto e fomentando negócios em todo o ecossistema. Somada todas as edições, a Expocachaça já gerou cerca de R$ 500 milhões em negócios e recebeu aproximadamente 2,36 milhões de visitantes consolidando a cachaça de alambique como o destilado de prestígio nacional e internacional”, afirma José Lúcio Mendes, diretor do evento.

Com patrocínio do Governo de Minas Gerais e da Cemig via Lei de Incentivo à Cultura, do Sicoob Divicred e apoio da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte , a feira se firma como berço ideal para geração de renda, visibilidade internacional, trocas comerciais e estratégias de futuro para o setor e afirma o compromisso com a formalização, inovação e sustentabilidade .

Informações: expocachaca.com.br

Um paraíso de oportunidades e negócios

Mais que um festival, a Expocachaça se posiciona como um verdadeiro hub de negócios e conexões, envolvendo produtores, distribuidores, lojistas, exportadores, pesquisadores e apreciadores. O evento responde a um setor que segue em ritmo de crescimento e fortalecimento, como revela o Anuário da Cachaça 2025 (Acesse aqui para ter acesso ao documento), divulgado recentemente pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Os dados, referentes ao ano de 2024, mostram que o Brasil conta atualmente com 1.266 estabelecimentos registrados, um aumento de 4% em relação ao ano anterior e de 33% na comparação com 2018. A região Sudeste lidera com folga, reunindo 65,4% do total nacional. Nesse cenário, Minas Gerais reafirma sua posição de protagonismo: são 501 cachaçarias registradas no estado, o que corresponde a 39,6% de todos os produtores do país.

O número de rótulos de cachaça registrados também teve avanço expressivo, totalizando 7.223 produtos, um crescimento de 20,4% em relação a 2023. Mais uma vez, Minas Gerais se destaca, sendo responsável por 2.492 desses registros, ou seja, 34,5% do total nacional, o que demonstra a riqueza e a diversidade da produção artesanal no estado.

A produção nacional também registrou uma alta significativa. Em 2024, foram declarados 292,46 milhões de litros de cachaça, um crescimento de 29,6% frente aos 225,6 milhões de litros produzidos em 2023. A região Sul foi a que apresentou o maior avanço percentual: um salto de 300,6%, com 58,2 milhões de litros produzidos. Já a região Sudeste permanece na liderança, com mais de 172,6 milhões de litros, o equivalente a 59% da produção nacional.

Em termos de empregabilidade, a cadeia produtiva da cachaça também se mostra relevante. Em 2024, o setor gerou cerca de 6.363 empregos diretos mensais, o que representa 4,5% de todos os empregos formais no setor de bebidas do país, segundo dados do CAGED/MTE.

No campo das exportações, o setor enfrentou retração. O Brasil exportou 5,58 milhões de litros da bebida para 74 países, o que representa uma queda de 22,7% no volume e de 28,1% no valor, totalizando US$ 14,54 milhões.

Minas Gerais, além de ser o berço da cachaça de alambique, permanece como motor cultural e econômico da bebida, seja pela quantidade de alambiques, seja pela variedade de marcas e estilos, preservando o saber-fazer tradicional ao mesmo tempo em que impulsiona inovação e profissionalização no setor.

3ª Minas + Doce: Tradição e inovação da doçaria mineira

Desde 2023, a Expocachaça abriga também o evento Minas + Doce, uma feira e festival ancorado que celebra a riqueza e a diversidade da doçaria mineira, envolvendo a produção de doces artesanais, quitandas, queijos minas artesanais, licores, cachaças, azeites e vinhos. Em sua 3ª edição, o evento ocupa um espaço ainda mais estruturado e afetivo, com cerca de 40 estandes selecionados a dedo, conforme destaca José Lúcio, diretor do evento. “Começamos com apenas 12 estandes, dentro da Expocachaça, de forma experimental. Mas a parceria entre a doçaria e a cachaça deu muito certo e o projeto cresceu. Ambos vêm da cana-de-açúcar e usam o cobre como símbolo da tradição e da técnica: o tacho nos doces e o alambique na cachaça”, pontua José. Ele continua: “A doçaria mineira vai muito além do queijo com goiabada, do doce de figo ou de laranja. Temos muita tradição unida à inovação e é isso que também iremos mostrar em nosso festival”, reforça o empresário.

Além da exposição e comercialização dos produtos, o Minas + Doce investe em vivência e conhecimento gastronômico por meio da “Cozinha Viva Minas + Doce”, com nove oficinas distribuídas ao longo dos três dias de evento, sendo três por dia e duração de 50min / aula, todas ministradas por chefs confeiteiros premiados. Cada oficina recebe até 30 participantes, com inscrições gratuitas feitas no local, garantindo o acesso democrático para quem estiver presente na feira. “Essa cozinha é viva, porque mostra o preparo ao vivo, valoriza as receitas afetivas e a cultura por trás das mãos que fazem o doce. Cada receita conta uma história. Teremos releituras de doces históricos com toques de inovação, como brigadeiro de cachaça com café, broa de fubá com queijo Minas + doce de jabuticaba e toque de cachaça, trufa de doce de leite com queijo, são alguns exemplos de deliciosas receitas com ingredientes típicos de Minas que teremos no dia”, explica Rosilene Campolina, curadora da 3ª edição do Minas + Doce.

Os queijos artesanais mineiros também são presença garantida na feira, ingredientes essenciais da cultura gastronômica do Estado. “Doce sem queijo é igual a moça sem beijo”, brinca Rosilene, destacando a parceria com a Amiqueijo (Associação Mineira do Queijo Artesanal) e outros expositores que estarão presentes ao lado dos estandes de doces. O evento ainda reúne uma cadeia diversa de profissionais que movimentam a economia criativa da gastronomia: do confeiteiro ao designer de embalagem, do produtor ao comunicador. “Estamos unindo produtores, chefs, jornalistas, comerciantes e empreendedores em um só espaço, celebrando o que Minas tem de melhor. Receberemos representantes de quase 20 estados brasileiros, o que mostra a força da Expocachaça como vitrine nacional”, completa.

O Minas + Doce também abre espaço para os sabores salgados que carregam a identidade mineira. Nesta edição, o público poderá se deliciar com opções como pão de queijo com doce de leite ou com goiabada de São Bartolomeu, reconhecida como patrimônio imaterial, além de quitutes afetivos como o famoso pão com linguiça artesanal, aquele típico das paradas de estrada que mora na memória afetiva dos mineiros. A chef Elzina Cimenta assina essa iguaria, que poderá ser apreciada no seu estande no evento. Também terão sanduichinhos de pão de queijo recheados com pernil, reafirmando a proposta do festival de valorizar a tradição, a simplicidade e o sabor das receitas mineiras, sejam doces ou salgadas.

Outro destaque da edição é a valorização das associações de produtores, que desempenham papel fundamental na estruturação e no fortalecimento do setor. Entre elas estarão presentes associações de doceiras de diversas regiões, como a Rota  das Doceiras da Lapinha, em Lagoa Santa, e a Associação de Quitandeiras de Congonhas, além da Associação dos Produtores de Azeites do Sul de Minas (Solive), a Associação dos Vinhos de Mesa e de Sobremesa da Uva, a Associação das Prodejas (Produtoras de derivados de jabuticaba de Sabará). “As associações agregam, formalizam e viabilizam a presença de pequenos produtores em eventos grandiosos como esse. Muitas vezes, é por meio delas que os expositores conseguem participar e mostrar a qualidade do seu trabalho. Há ali um espírito de cooperativismo muito bonito e necessário”, ressalta Rosilene Campolina.

Ao impulsionar a geração de renda e formalização dos produtores locais, o Minas + Doce se firma como uma plataforma estratégica de visibilidade para o setor, promovendo conexões entre público, produtores, associações e negócios. Segundo Rosilene, o evento já garante não só a venda no local, mas encomendas, pós-venda e networking entre os expositores. “Queremos manter viva essa tradição e, ao mesmo tempo, criar caminhos para transformar a arte de fazer doces em negócios sustentáveis. Toda essa visibilidade que a vitrine Expocachaça proporciona tem sido um sucesso para a construção dessas pontes”, concluiu José Lúcio.

18ª BrasilBier: cervejas artesanais em evidência

A BrasilBier, ancorada na Expocachaça desde 2017, chega à sua 18ª edição como espaço dedicado às cervejarias artesanais brasileiras. O espaço oferece degustações, harmonizações e oportunidades de negócio em um ambiente que promove cultura cervejeira, diversidade e empreendedorismo. O público poderá vivenciar experiências com IPAs, sours, lagers, stouts e outros estilos que mostram a qualidade e a criatividade das cervejarias mineiras

“Com a BrasilBier, fortalecemos a imagem das cervejas especiais e oferecemos uma plataforma sólida para exposição, inovação e crescimento do setor, que em 2007 precisou muito do impulsionamento da Expocachaça, mas hoje caminha mais independente, afirma José Lúcio Mendes. “A 18ª BrasilBier não é apenas mais uma parte da Expocachaça, é um evento consolidado, que impulsiona o ecossistema cervejeiro, com resultados de longo prazo em visibilidade, negócios e cultura. Uma experiência imperdível para todos que buscam a essência das cervejas especiais , finaliza o empresário.

Programação Cultural e Ingressos

A Expocachaça 2025 será muito mais do que uma feira de negócios: é também um verdadeiro festival cultural e musical, com uma programação pensada para embalar o público em três dias de celebração da cultura brasileira em shows de rock, soul,  e sertanejo. As apresentações acontecem sempre a partir das 19h, no palco principal do evento, no CenterMinas Expo, em Belo Horizonte.

Na quinta-feira (07/08), a abertura musical fica por conta da Banda Beatles Rock Show, trazendo os clássicos eternos dos Beatles em uma apresentação cheia de nostalgia e carisma. Em seguida, quem assume o palco é a Rock Beats, com um repertório recheado de sucessos do pop e do rock nacional e internacional, além de músicas autorais.

A sexta-feira (08/08) será dedicada ao rock clássico. Às 19h, a Banda Creedence Cover transporta o público direto para os anos 70 com os maiores hits do Creedence Clearwater Revival. Logo depois, às 21h30, é a vez da Lurex – Queen Tribute, banda que homenageia Freddie Mercury e companhia com uma performance eletrizante e fiel ao legado do Queen.

No sábado (09/08), a programação traz ainda mais diversidade. com três bandas no palco o Arteria Trio a partir das 17h00 e no início da noite o groove contagiante do Super Tim, show tributo a Tim Maia, um dos maiores ícones da música brasileira. Para encerrar a Expocachaça 2025 com emoção, a dupla sertaneja Marcos Paulo & Marcelo sobe ao palco às 21h30. O destaque vai para Marcos Paulo, filho de José Rico, da histórica dupla Milionário & José Rico, que promete uma apresentação marcada por clássicos do sertanejo raiz e suas baladas além de sucessos autorais.

Os ingressos já estão disponíveis para compra pela AQUI, através da pataforma Ingresse, com diferentes modalidades e vantagens para quem garantir presença com antecedência. Os valores individuais por dia são de R$ 50,00 (inteira) e R$ 25,00 (meia-entrada). Há também os passaportes promocionais “Galera”, válidos para grupos de quatro pessoas, com preços especiais até 30 de julho ou enquanto durar o estoque: R$ 110,00 (inteira) e R$ 80,00 (meia) para acesso em todos os dias do evento; além dos ingressos específicos para grupos nas datas isoladas: Quinta (07/08) – R$ 120,00, Sexta (08/08) – R$ 120,00 e Sábado (09/08) – R$ 120,00. A recomendação é garantir com antecedência para aproveitar os valores promocionais e evitar filas.

Programação de palestras 

Além de consolidar-se como a maior vitrine mundial da cachaça de alambique, a 34ª Expocachaça também será palco de debates, lançamentos e reflexões sobre o futuro da cadeia produtiva, reunindo especialistas, pesquisadores e protagonistas do setor em uma programação nos dias 8 e 9 de agosto (sexta e sábado).

Na sexta-feira (08/08), a programação terá início com uma participação especial da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), com palestra das 14h às 15h00 – Promoção da Cachaça e dos Projetos setoriais por Alberto Bicca e Mapa de Oportunidades e Estudo de Acesso a Mercado sobre a Cachaça por Zimmer de Souza Bom Gomes. Em seguida, das 15h30 às 18h00, acontece o aguardado lançamento do “Guia do Mapa da Cachaça”, projeto encabeçado pelo pesquisador e divulgador Felipe Januzzi, com edição do Senac, que também promoverá sessão de autógrafos e venda de exemplares no local e depois no seu estande na Feira.

No sábado (09/08), o conteúdo técnico e prospectivo ganha força com duas palestras de alto nível. A partir das 14h, o especialista João Almeida conduz a palestra “A Cachaça do Futuro: Como a Inteligência Artificial Pode Melhorar a Produtividade, a Sustentabilidade e o Lucro na Destilaria”, trazendo uma visão inédita sobre o papel da tecnologia de dados na gestão moderna das produções artesanais e industriais.

Às 15h30, Maria das Graças antecipa debate do III Simpósio e VII Seminário Brasileiro de Cachaça de Alambique. Durante a programação do evento, o público poderá conferir a palestra da especialista Maria das Graças, que trará o tema “Cachaça de Alambique: Bebida Genuinamente Brasileira! Crescimento, Qualidade Atrelados à Tecnologia e Inovação!”. Com duração de 1h30, a apresentação será uma prévia dos debates que vão nortear dois grandes encontros do setor marcados para abril de 2026, na Universidade Federal de Lavras (UFLA): o III Simpósio Brasileiro de Cachaça de Alambique e o VII Seminário Brasileiro de Cachaça de Alambique.

A trajetória da Expocachaça

Criada em 1998, em Belo Horizonte, a Expocachaça tornou-se a primeira feira e festival da cadeia produtiva e de valor do agronegócio da cachaça do mundo. Com uma proposta ousada e pioneira, o evento foi ganhando força e projeção até se consolidar como a maior vitrine internacional da cachaça de alambique.

Em 2005, a relevância da feira foi reconhecida pelo Governo de Minas Gerais, que, por meio da FAEMG e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, convidou a Expocachaça para ancorar um grande evento do agronegócio mineiro. Essa parceria público-privada foi realizada de 2005 a 2013, no Expominas e no Parque de Exposições da Gameleira, em Belo Horizonte, envolvendo milhares de produtores e profissionais do setor em edições com mais de 16 mil m² de área ocupada.

Entre 2010 e 2013, a Expocachaça também teve uma edição anual em São Paulo, chamada “Expocachaça Dose Dupla”, realizada com sucesso no Mercado Municipal Paulistano (O Mercadão). A iniciativa conquistou o público paulista e gerou grande repercussão na mídia e nos negócios e é considerada até hoje em evento modelo..

Com a chegada da pandemia de Covid-19, o evento precisou ser interrompido em 2020. No entanto, em 2021, a Expocachaça retornou com fôlego renovado na Serraria Souza Pinto, em Belo Horizonte, um espaço menor, mas que reafirmou a força da feira e sua conexão com o público. O sucesso dessa retomada impulsionou um novo salto: em 2024, a Expocachaça passou a ser realizada no CenterMinas Expo, triplicando seu tamanho e consolidando-se como a maior edição de sua história.

SERVIÇO
EXPOCACHAÇA
Data: 7 a 9 de agosto de 2025
Horário: a partir das 12h
Local: CenterMinas Expo – Av. Pastor Anselmo Silvestre, 1495, União, Belo Horizonte (MG)
Ingressos: à venda no local e online via Ingresse, com meia-entrada para 40% dos tickets

Conexão Turismo entrevista a Cônsul Honorária da Rússia

O podcastConexão Turismo, uma iniciativa da Abrajet-MG (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo – Seccional Minas Gerais), chega à sua segunda edição com um tema de grande relevância internacional. A convidada é a Cônsul Honorária da Rússia em Minas Gerais, Carolina Bernardes, que abordará temas relacionados ao turismo, cultura, diplomacia e as relações entre Brasil e Rússia.

A gravação acontecerá no próximo dia 11 de julho, às 17h, nos estúdios da Rede Prime de Comunicação, no bairro Palmares, em Belo Horizonte.

 

O programa tem formato de podcast e videocast, reunindo jornalistas associados da Abrajet-MG em um bate-papo descontraído, mas cheio de informações.

De acordo com o presidente da Abrajet-MG, Antônio Claret Guerra, nesta edição, Carolina Bernardes compartilhará sua trajetória, desafios e as oportunidades do trabalho consular, além de comentar sobre as possibilidades de intercâmbio turístico, cultural e econômico entre Minas Gerais e a Rússia.

O Conexão Turismo tem como proposta discutir temas ligados ao turismo, economia criativa, cultura e comunicação. Sempre trazendo convidados de destaque no cenário regional, nacional e internacional.

A estreia do programa ocorreu em maio, com exitosa repercussão no meio jornalístico e trade turístico. O primeiro entrevistado foi o Cônsul do Uruguai, o diplomata Luís Dario Ávila.

Após a gravação, aAbrajet-MG oferecerá um happy hour à Cônsul da Rússia no Hotel Piemonte, no bairro Vila da Serra, em Nova Lima.

O videocast será disponibilizado no canal oficial da Abrajet-MG no YouTube. Para assistir e seguir o canal, basta acessar: https://abre.ai/abrajetmg

Conexão Turismo: 11 de julho às 17h
Local: Estúdios da Rede Prime de Comunicação
Rua Coronel Jairo Pereira, 420 Palmares
Convidada: Carolina Bernardes – Cônsul honorária da Rússia em Minas Gerais

 

Delegada que atirou em PMs não irá a júri popular

Juíza sumariante entendeu que não houve intenção de matar e que somente uma das vítimas foi alvo de disparo

A juíza sumariante do 1º Tribunal do Júri, Ana Carolina Rauen Lopes de Souza, impronunciou a delegada M.Z, pelos crimes de tentativa de homicídio praticados contra três policiais civis e desclassificou a denúncia do crime de tentativa de homicídio em relação a uma quarta vítima, também policial civil, determinando, assim, a redistribuição do processo para uma das varas criminais comuns.

A delegada foi denunciada pelos crimes de tentativa de homicídio, com agravante de terem sido praticados contra agente de segurança pública, por quatro vezes e ainda pelo crime de resistência a ato legal.

De acordo com a denúncia, no dia 21 de novembro de 2023, equipes especializadas de policiais civis foram acionadas e mobilizadas para irem até a casa da delegada.

Consta na denúncia que a acusada estava de licença saúde, por questões mentais, e deveria ter voltado a trabalhar naquela data, porém não o fez.

Também, segundo a denúncia, ela teria postado na mesma data, em rede social, mensagens que sugeriram intenção suicida de sua parte, o que, segundo a denúncia, motivou que as equipes especializadas comparecessem ao local, juntamente com uma profissionais do Hospital da Polícia Civil e uma equipe do Corpo de Bombeiros.

Uma equipe subiu até o apartamento residencial da delegada. Durante a abordagem, a delegada se mostrou muito agitada e nervosa e teria solicitado às equipes que deixassem o local, pois ela não estaria precisando de ajuda, o que não foi atendido, segundo os policiais, por entenderem que o estado emocional agitado em que a encontraram justificava a continuidade da operação.

Diante do impasse, uma outra equipe da Coordenadoria de Recursos Especiais da Polícia Civil (Core), compareceu e assumiu os trabalhos, liderados por um negociador.

Consta do documento apresentado pelo Ministério Público que depois de horas de tentativas infrutíferas para que a delegada deixasse o apartamento e os acompanhasse, ela saiu de arma em punho exigindo que os policiais deixassem o hall de entrada de seu apartamento.

Ela teria batido com a arma no escudo do negociador, momento em que um segundo policial tentou atingi-la, sem sucesso, com uma arma não letal de descarga elétrica.

Nesse momento, a delegada teria reagido e disparado um tiro em direção ao negociador, e voltado em direção ao seu apartamento, quando um terceiro policial tentou atingi-la com uma arma calibre 12, municiada com balas de borracha.

De acordo com a denúncia, a delegada reagiu novamente e efetuou vários disparos na direção dos policiais.

Decisão

Ao analisar a denúncia, a juíza Ana Carolina Rauen avaliou se os disparos teriam sido intencionais ou acidentais, se a acusada teria agido ou não com dolo (intenção) de matar uma ou mais vítimas, ou agido em legítima defesa.

Ela observou ser “praticamente incontroverso nos autos o envolvimento da ré com os disparos de arma de fogo que ocorreram no interior do seu prédio residencial”.

Porém, considerou que a forma escolhida pelas equipes da Polícia Civil para abordagem da delegada em sua residência, “para atender e impedir uma aparente intenção de autoextermínio”, teve um impacto essencial em todo o ocorrido.

Ela avaliou que as ações culminaram com figuração da suposta pessoa a ser protegida como homicida, e os policiais que teriam ido ao local para garantir a sua integridade física, como vítimas, “que acabou tomando uma proporção avassaladora e que perdurou mais de 30 (trinta) horas, com vasta cobertura midiática”.

De acordo com a decisão da juíza Ana Carolina Rauen, a ré não agiu com intenção homicida.

A juíza observou que no primeiro evento, a ré disparou uma única vez, depois de ter sido alvo do disparo de dispositivo eletrônico.

Também corroborou esse entendimento, o fato de a acusada recuar e voltar para adentrar ao seu apartamento, “mesmo possuindo mais munições, de modo que, se realmente quisesse, poderia ter efetuado mais disparos contra a vítima, a fim de efetivamente atingi-la”.

Ela ainda observou que as provas apresentadas não permitem concluir que os demais disparos, efetuados pela delegada em resposta aos disparos de balas de borracha, foram direcionados aos outros policiais, pois se encontravam alinhados em fila indiana, atrás do fosso do elevador.

Por essas conclusões, a juíza Ana Carolina Rauen Lopes de Souza impronunciou a delegada em relação às imputações de tentativas de homicídio de três das vítimas e desclassificou a imputação inicial de tentativa de homicídio, com relação ao negociador, para crime de competência do juízo comum, que deverá ser indicado pelo juiz criminal que receber o processo.

A decisão ainda determinou a revogação das medidas cautelares impostas à delegada.

Programa capacita gratuitamente moradores da periferia de BH

“Foto & Tal: Oficina de Narrativa Fotográfica” terá quatro turmas em 2025; região do Padre Eustáquio é a terceira contemplada

O programa de capacitação “Foto & Tal: Oficina de Narrativa Fotográfica” abre as inscrições para a terceira oficina nesta quinta-feira, 10 de julho. Ao todo são 25 vagas e a próxima edição acontecerá no Padre Eustáquio. A iniciativa é realizada com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, por meio do Edital Multilinguagens – Fundo Municipal de Cultura / 2024.

A primeira oficina foi realizada em Venda Nova e a exposição já pode ser conferida no Centro Cultural da região. A segunda acontece no Barreiro, com grande adesão da comunidade local. “É uma grande alegria ver a Foto & Tal chegando à sua terceira turma. Nesses últimos meses, tenho percebido o quanto a fotografia pode ser uma ferramenta poderosa de expressão, pertencimento e transformação. Esta é uma oportunidade valiosa para que mais pessoas descubram sua própria forma de contar histórias por meio da imagem, e nós estamos aqui para acolher, incentivar e caminhar junto com quem quiser se experimentar nesse processo, explica a coordenadora geral, Mônica Veiga.

Para Dalila Pires, proponente e produtora, um dos grandes diferenciais da oficina Foto & Tal é proporcionar a compreensão de que o território não é apenas um espaço físico, mas um campo simbólico e afetivo, onde memórias, afetos e experiências se entrelaçam. “Ao fotografar seus próprios bairros, ruas, casas ou locais de convivência, os participantes poderão refletir sobre a forma como esses ambientes influenciam sua trajetória pessoal, ao mesmo tempo em que reconhecem seu papel como sujeitos que também transformam esses espaços. Terceira turma de 2025 na área! Coração sorrindo de satisfação por ver, a cada turma, olhares se abrindo para novas percepções e formas de enxergar o local que habitam. Beagá são muitas e nossos pupilos mostram isso com muito talento”, destaca.

Podem participar da Oficina maiores de 18 anos, havendo prioridade para os moradores de periferias ou favelas, pessoas negras, mulheres, LGBTQIA+ e PcD (com espectros de deficiência física). Ao final, haverá exposição fotográfica e cada participante recebe um certificado. Este projeto é realizado com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte, por meio do Edital Multilinguagens – Fundo Municipal de Cultura / 2024.

Serviço

Abertura de inscrições para a oficina “Foto & Tal: Oficina de Narrativa Fotográfica”

Período: 10 a 30 de julho

Local: Centro Cultural Padre Eustáquio (R. Jacutinga, 550 – Padre Eustáquio)

Quem pode participar: maiores de 18 anos, sem necessidade de experiência prévia

Aulas: em agosto, terças e quintas no período noturno

Inscrições gratuitas: https://forms.gle/ManRwBxjPijwnfQz8

Instagram: @fotoetalartevisual

Minas Gerais recebe 259 novos profissionais do Mais Médicos

O estado de Minas Gerais recebeu o reforço de 259 profissionais do Programa Mais Médicos, iniciativa do governo federal que tem como foco ampliar a cobertura da atenção primária em regiões de maior vulnerabilidade social. Do total de médicos, dois foram alocados para atuar no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Minas Gerais e Espírito Santo, que atende populações indígenas em áreas de difícil acesso. Os demais médicos reforçarão as equipes de Saúde da Família nos municípios mineiros.

Desde o último dia 2, acontece a chegada nos territórios dos médicos formados no Brasil com registro no Conselho Regional de Medicina (CRM). Já os médicos brasileiros formados no exterior irão participar, a partir de 4 de agosto, do Módulo de Acolhimento e Avaliação (MAAv), um treinamento específico para atuação em situações de urgência, emergência e no enfrentamento de doenças prevalentes nas regiões de trabalho.

Os profissionais que compõem o Mais Médicos estão diretamente ligados ao fortalecimento da Atenção Primária à Saúde e no esforço contínuo em acelerar o atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS). A atuação integrada desses profissionais, pelo prontuário eletrônico e os fluxos que vão reduzir o tempo de espera do paciente, facilitará o acesso à média e alta complexidade para todos os cidadãos.

“São mais de 3 mil profissionais que iniciam suas atividades dentro do Mais Médicos, qualificando o atendimento na atenção primária e reduzindo o tempo de espera. Além disso, o programa também investe na formação e qualificação desses profissionais, proporcionando oportunidades de especialização em Medicina de Família e Comunidade e mestrado profissional em Saúde da Família”, explica o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Felipe Proenço.

SOBRE A DISTRIBUIÇÃO DOS MÉDICOS – A oferta das vagas do programa considerou o cenário atual de distribuição de profissionais no país, segundo o Demografia Médica 2025. O estudo – realizado pelo Ministério da Saúde, Universidade de São Paulo (USP) e Associação Médica Brasileira (AMB) –, aponta a proporção de médicos por habitante nas diferentes regiões do país.

A prioridade do Mais Médicos é atender aquelas regiões de maior vulnerabilidade social e com menor número de profissionais. As vagas do edital contemplaram, em sua maioria, regiões vulneráveis de municípios de pequeno porte (75,1%), médio porte (11,1%) e grande porte (13,8%).

O Programa Mais Médicos garante assistência a mais de 63 milhões de brasileiros em todo o país. Com a meta de alcançar 28 mil profissionais, atualmente conta com cerca de 24,7 mil médicos atuando em 4,2 mil municípios – o que representa 94% do território nacional coberto pelo programa.

Especialista explica como são feitos os projetos de design de lojas de franquias, que aumentam no país

As franquias crescem ano a ano. Faturaram R$ 273 bilhões em 2024, cifras que devem aumentar 10% este ano pelas previsões da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Tomam ruas, avenidas e praças, compõem as construções das cidades, imprimem suas marcas, reforçam sinais da empresa. Como são feitos os projetos? A empresária e designer de interiores Priscilla Nardini, proprietária do Estúdio Pri Nardini – Design e Arquitetura de Interiores, que há 15 anos tem experiência com franquias, diz que eles exigem integração de critérios estéticos, funcionais e operacionais, mantendo sempre a coerência com a identidade da marca.

“Desta forma, não só se constrói um ambiente visualmente harmonioso, mas também se cria um espaço estratégico que contribui para a eficiência operacional, a satisfação do cliente e o fortalecimento da rede de franquias”, afirma Priscilla Nardini. Cada decisão, segundo ela, desde a escolha dos materiais até a disposição dos espaços, precisa ser planejada para oferecer uma experiência consistente e alinhada com os valores da empresa.

A designer de interiores explica que um dos pilares fundamentais no desenvolvimento de projetos para franquias é garantir a padronização visual para que o design reflita fielmente a identidade da marca. “Isso envolve a aplicação consistente de cores, tipografia, materiais e elementos decorativos que remetam ao universo da franquia, fortalecendo sua imagem corporativa em todas as unidades.” Ela acrescenta que o ambiente deve ir além da estética e atuar como um canal de comunicação, transmitir a história e os valores do negócio.

“Elementos como murais, painéis gráficos, frases-chave ou displays interativos podem ser incorporados ao espaço, criando uma conexão emocional entre o cliente e a marca, e tornando a experiência mais memorável e alinhada com o propósito da franquia”, exemplifica Priscilla Nardini. De acordo com ela, não é tarefa fácil atender a vários públicos – funcionários, proprietários, clientes – e a diferenças regionais neste vasto país. “Mas a escuta ativa aliada ao estudo aprofundado do modelo de negócio e da cultura da marca são fundamentais para equilibrar os diferentes interesses envolvidos. Dessa forma, conseguimos oferecer uma experiência agradável aos clientes, garantir funcionalidade e ergonomia para a equipe, além de viabilidade em termos de custos, manutenção e implantação para os proprietários.”

Este mesmo princípio, explica a profissional, aplica-se à escolha dos materiais, que devem ser facilmente encontrados em todo o país e, em alguns casos, no exterior, com a crescente internacionalização das marcas. “É crucial manter um equilíbrio: preservar a uniformidade da identidade visual e funcional, ao mesmo tempo em que se permite ajustes regionais ou adaptações que respeitem as peculiaridades do imóvel e as necessidades do público local”, diz ela, que fornece manual completo de padronização das lojas.

Priscilla Nardini vê, atualmente, crescer o número de franquias voltadas para o setor de serviços e, cada vez mais, a atenção com a sustentabilidade. “Muitos materiais utilizados na construção civil já são produzidos com preocupação ambiental e optar por fornecedores comprometidos com essa causa é uma forma importante de incentivar práticas sustentáveis”. Ela afirma que no seu escritório é feita uma curadoria cuidadosa de empresas e materiais que priorizam essa responsabilidade. “Além disso, incorporamos estratégias de eficiência energética e aproveitamento da luz natural, que não só valorizam a franquia, mas também reduzem custos operacionais a longo prazo”, afirma a designer.

Más condições afastam candidatos de vagas de emprego

Por todo o país, empresas de setores como comércio varejista, indústrias de base e serviços operacionais têm enfrentado certa ociosidade com o número de vagas, acompanhado com a falta de candidatos. Porém, a dificuldade em preencher postos de trabalho não decorre apenas da escassez de profissionais qualificados. Alguns especialistas acreditam que há uma razão mais profunda, e menos discutida, para o desinteresse generalizado: a precariedade das condições de trabalho oferecidas.

“A verdade é que muitos empregadores ainda tratam o trabalhador como uma peça de reposição. Ignoram que o trabalho precisa ter sentido e oferecer dignidade. Por isso o desinteresse por certas vagas. Isso está diretamente relacionado à insalubridade, aos baixos salários e a uma cultura organizacional hostil ou ultrapassada”, afirma a psicóloga Bruna Antonucci, especialista em gestão de carreiras e liderança humanizada.

Dados recentes do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostram que, em 2024, o Brasil fechou o ano com mais de 600 mil vagas abertas sem preenchimento, grande parte delas em cargos de baixa ou média complexidade. No mesmo período, mais de 3,8 milhões de brasileiros formalizaram a abertura de um CNPJ como MEI (Microempreendedor Individual), número recorde. O fenômeno escancara a busca por alternativas ao modelo tradicional de trabalho com carteira assinada.

“Para além dos dados, há o impacto da pandemia. A experiência coletiva de isolamento e fragilidade impulsionou uma mudança de mentalidade no mercado. A pandemia escancarou que saúde mental, tempo com a família e propósito de vida não são mais ‘luxos’. São prioridades para uma nova geração de trabalhadores”, analisa Bruna.

As empresas que não acompanharam essa transformação cultural agora sentem os efeitos: alta rotatividade, ausência de engajamento e dificuldades na retenção de talentos. “O problema é especialmente visível em vagas operacionais com jornadas extensas, exigência física intensa e pouca perspectiva de crescimento. A pessoa olha para aquela vaga e pensa: por que eu faria isso por R$ 1.400 e sem reconhecimento?”, resume a psicóloga.

Estudo da consultoria Gartner de 2023 reforça esse diagnóstico: 78% dos entrevistados afirmaram que não aceitariam um emprego que comprometesse sua saúde mental ou seu bem-estar emocional, mesmo diante de necessidade financeira. A geração Z, especialmente, tem colocado qualidade de vida como critério central na escolha profissional.

Essa transformação do perfil dos trabalhadores, somada à ampliação das possibilidades de renda por meio da economia digital e do empreendedorismo individual, enfraquece o apelo de vagas que antes eram preenchidas quase automaticamente. Com isso, o que vemos na prática é que muita gente está preferindo vender bolo no Instagram a se submeter a ambientes de trabalho indesejados.

“Isso precisa ser ouvido com atenção. Para mim, a tendência é clara empresas que não revisam suas práticas internas, que não desenvolvem lideranças mais humanas e que ignoram o bem-estar dos seus colaboradores, continuarão enfrentando escassez de mão de obra, não porque não existam trabalhadores disponíveis, mas porque as condições que oferecem já não convencem. Hoje, quem contrata precisa entender que o trabalhador não quer apenas um salário: ele quer respeito, propósito e qualidade de vida”, finaliza Bruna.