A estrada como companheira para irmandade e filantropia

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professor Eduardo Dias*

A estrada não é apenas um caminho entre dois pontos; para milhares de entusiastas, ela é um estilo de vida. O asfalto mineiro, com suas curvas sinuosas e paisagens de tirar o fôlego, torna-se o cenário perfeito para um dos eventos mais tradicionais do motociclismo nacional: o Abraçando Minas, organizado pelo Moto Clube Bodes do Asfalto.

Para entender o “Abraçando Minas”, é preciso primeiro desmistificar a cultura dos motoclubes. Longe dos estereótipos de rebeldia sem causa propagados pelo cinema antigo, os motoclubes modernos são organizações baseadas em pilares rígidos de irmandade, respeito e filantropia.

Ser um “motociclista de escudo” (que usa o colete do clube) significa pertencer a uma rede de apoio global. Esses grupos funcionam como uma extensão da família, onde o objetivo principal é o prazer de viajar com segurança, a troca de experiências técnicas e, quase sempre, a realização de ações sociais nas comunidades por onde passam.

O Abraçando Minas é um evento de integração regional promovido pelo Moto Clube Bodes do Asfalto (MCBDA) que foi fundado em 2003, o MCBDA é um dos maiores do Brasil com mais de 14.500 membros. O evento não é apenas uma “viagem de fim de semana”, mas uma verdadeira expedição coordenada. O objetivo é percorrer diversas cidades do estado, visitando as chamadas “facções” (núcleos locais do clube) para fortalecer os laços entre os membros e promover o turismo regional.

São Lourenço vai tremer com o ronco dos motores

O asfalto de Minas se prepara para tremer outra vez. Entre os dias 14 e 17 de maio, São Lourenço recebe o IX Bike Fest, um dos maiores encontros de motociclismo do país, que já virou parada obrigatória no calendário de quem vive a cultura das duas rodas. Mais do que um simples evento, o Bike Fest consolidou a cidade do Sul de Minas como ponto de convergência entre turismo, música e paixão motociclística. A proposta é clara já no convite oficial: inscrições gratuitas e obrigatórias, com acesso mediante QR Code, reforçando a organização e o controle do público que desembarca em peso na estância hidromineral. Para o comércio local, a data virou sinônimo de casa cheia: hotéis lotados, bares estendidos pela madrugada, restaurantes adaptando cardápios para receber os capacetes sobre a mesa. O ronco dos motores divide espaço com o som das bandas de rock, elemento que deu identidade própria ao encontro e o transformou em um verdadeiro festival ao ar livre.

Mochila, alforjes, bauletos, paixão pelo rock, motos e estradas

Pois é, um dia me perguntaram se não é um tanto desconfortável uma viagem de moto. Claro que sim… respondi com entusiasmo. Mas logo veio o questionamento do por que viajar de moto então? Claro que uma viajem para eventos como o encontro de São Lourenço, ou o tradicional encontro de Tiradentes, nos alimenta a alma com a plenitude da sensação de liberdade. As chuvas, o suor escorrendo dentro do capacete, nada incomoda a paixão pela liberdade de fazer parte da estrada, entendê-la em cada curva, em cada contra esterço que nos aventuramos. O brilho da lama em nossos alforjes são troféus que podem sair dos alforjes, mas a marca em nossa história jamais será apagada. Isso nos fascina ao pilotarmos e entendermos a irmandade motociclística em prol da compreensão, empatia, respeito. Nada contra o ar condicionado sobre as quatro rodas, mas a paixão fala mais alto quando as mãos suadas tocam o guidão da extensão de nosso corpo… que chamamos, carinhosamente, de MOTOS.

O professor Eduardo Dias é o responsável pela
“coluna Sobre Duas Rodas”
Faça contato por msg para 31 98875-3814 ou insta @profedudias

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