Por Dr. Warllon de S. Barcellos
O uso de celulares, tablets e televisões cada vez mais cedo na rotina das crianças tem acendido um alerta entre especialistas em desenvolvimento infantil. A presença constante das telas antes mesmo da consolidação da linguagem levanta uma questão central para famílias e educadores: quais são os impactos desse hábito na infância?
Os primeiros anos de vida são considerados decisivos para a formação do cérebro. Nesse período, milhões de conexões neurais são estabelecidas a partir das experiências vividas pela criança — como interações com os pais, brincadeiras, exploração do ambiente e comunicação. Essas vivências são fundamentais para o desenvolvimento cognitivo, emocional e social.
Segundo especialistas, quando o tempo de exposição às telas substitui essas experiências, podem surgir prejuízos importantes.
📱 Recomendações pediátricas
A Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que o uso de telas na infância deve ser limitado e sempre supervisionado por adultos.
•Crianças menores de 2 anos: não devem ser expostas a telas
•De 2 a 5 anos: até 1 hora por dia, com acompanhamento
•De 6 a 10 anos: até 2 horas diárias
•Adolescentes: uso monitorado e equilibrado
A entidade também recomenda evitar o uso de dispositivos durante refeições e antes de dormir, além de não substituir momentos de convivência familiar.
⚠️ Impactos do uso excessivo
Estudos apontam associação entre o uso exagerado de telas e alterações no desenvolvimento infantil. Um dos principais efeitos observados está na linguagem.
A comunicação se desenvolve por meio da interação humana — conversas, troca de olhares e respostas emocionais. Mesmo conteúdos digitais interativos não substituem essa troca. Quando a tela ocupa grande parte do tempo, a criança pode ter menos oportunidades de desenvolver habilidades comunicativas.
Outro ponto de atenção é a dificuldade de concentração. Muitos conteúdos digitais apresentam estímulos intensos, com mudanças rápidas de imagem e som, o que pode levar o cérebro a se acostumar a níveis elevados de estímulo. Isso pode dificultar o foco em atividades como leitura e tarefas escolares.
O sono também pode ser afetado. A luz azul emitida pelos dispositivos interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por regular o sono. Como consequência, pode haver atraso para dormir, sono de pior qualidade, irritabilidade e cansaço ao longo do dia.
Além disso, o tempo prolongado diante das telas pode reduzir a prática de atividades físicas, favorecendo o sedentarismo e aumentando o risco de obesidade infantil.
🧠 A importância das experiências reais
Especialistas destacam que o desenvolvimento saudável depende de experiências concretas. Brincar, correr, explorar o ambiente e interagir com outras crianças são atividades essenciais para o crescimento físico e emocional.
Atividades simples, como jogos de tabuleiro, leitura em família, desenho e brincadeiras ao ar livre, estimulam criatividade, linguagem, habilidades sociais e autonomia. Esses momentos também fortalecem vínculos familiares e contribuem para a autoestima.
👨👩👧 O papel dos pais
Diante de uma realidade cada vez mais digital, o desafio não é eliminar as telas, mas encontrar equilíbrio.
Entre as estratégias recomendadas estão:
•Estabelecer limites claros de tempo
•Evitar telas durante refeições
•Retirar dispositivos antes de dormir
•Incentivar brincadeiras e convivência familiar
Outro fator essencial é o exemplo dos adultos. O comportamento dos pais influencia diretamente os hábitos das crianças.
📌 Um desafio da atualidade
Garantir uma infância equilibrada, com espaço para o mundo digital e para experiências reais, é um dos principais desafios da sociedade contemporânea.
Embora a tecnologia possa ser uma aliada, especialistas reforçam que ela não substitui o contato humano, o brincar e a convivência — elementos fundamentais para o desenvolvimento saudável das crianças.

