Cães e gatos também podem ser doadores, mas transfusões exigem exames, compatibilidade e acompanhamento veterinário
Pouco conhecida por muitos tutores, a doação de sangue entre cães e gatos pode ser decisiva para salvar animais em situações de emergência. Acidentes, hemorragias, cirurgias e doenças que provocam anemias graves estão entre os casos em que uma transfusão sanguínea pode representar uma nova chance de vida.
Apesar da importância desse recurso na Medicina Veterinária, encontrar sangue disponível ainda pode ser um desafio. No Brasil, a quantidade de bancos de sangue veterinários e de animais cadastrados como doadores é limitada, situação que se torna ainda mais delicada diante de uma emergência, quando cada minuto pode ser determinante.
Além da disponibilidade, a segurança é uma questão fundamental. Denúncias relacionadas à coleta e ao comércio clandestino de sangue animal reforçam a necessidade de que todo o procedimento seja realizado em locais preparados, com acompanhamento de médicos-veterinários e protocolos que preservem tanto o animal doador quanto aquele que receberá a transfusão.
“Não basta encontrar um doador. É fundamental garantir que o sangue seja seguro e compatível com o animal que vai recebê-lo. Esse cuidado é indispensável para reduzir os riscos e aumentar a segurança das transfusões”, destaca Otávio Valério, médico-veterinário do Time de Pesquisa & Desenvolvimento.
Compatibilidade é essencial
Assim como ocorre com os seres humanos, cães e gatos possuem diferentes tipos sanguíneos. Por isso, não basta que um animal esteja saudável para se tornar doador. A tipagem sanguínea e os testes de compatibilidade são etapas essenciais, já que uma transfusão incompatível pode provocar reações graves.
O hemograma também integra a avaliação, permitindo verificar as condições de saúde do possível doador e identificar alterações que possam impedir temporariamente ou definitivamente a doação.
Outro ponto de atenção é a investigação de doenças infecciosas que podem ser transmitidas pelo sangue. Nos cães, infecções como babesiose, erliquiose e leishmaniose estão entre as que precisam ser consideradas. Nos gatos, FIV, FeLV e infecções por hemoplasmas exigem cuidados específicos.
Um dos desafios é que animais infectados podem não apresentar sintomas, reforçando a importância dos exames laboratoriais antes de qualquer doação.
“Os exames laboratoriais desempenham um papel fundamental na avaliação dos animais doadores e receptores. A identificação de possíveis doenças infecciosas, a avaliação hematológica e a verificação da compatibilidade sanguínea contribuem para decisões clínicas mais seguras e para a redução dos riscos envolvidos no procedimento”, explica Valério.
Tecnologia a serviço da segurança
O diagnóstico veterinário é um dos pilares para tornar a transfusão mais segura. Entre as empresas que atuam nessa área está a Bioclin Vet, que disponibiliza tecnologias voltadas à realização de hemogramas, tipagem sanguínea felina e investigação de doenças infecciosas em cães e gatos.
A empresa também trabalha com soluções de biologia molecular destinadas a investigações laboratoriais complementares. Os recursos auxiliam o médico-veterinário na avaliação dos animais e na tomada de decisões, associados aos demais exames e protocolos indicados para cada caso.
Um doador pode representar uma nova chance
A conscientização dos tutores é outro passo importante para aumentar o número de potenciais doadores. Animais saudáveis que atendam aos critérios estabelecidos pelo médico-veterinário podem contribuir para que outros cães e gatos tenham acesso ao sangue necessário em momentos críticos.
“Ampliar a conscientização sobre a doação de sangue animal é um passo importante para incentivar os tutores a conhecerem essa possibilidade. Cães e gatos saudáveis, que atendam aos critérios veterinários para doação, podem contribuir para salvar outras vidas”, reforça Otávio Valério.
Mais do que um procedimento médico, a doação de sangue animal representa uma corrente de solidariedade entre tutores, profissionais e instituições. Quando realizada com responsabilidade, exames adequados e respeito ao bem-estar dos animais, pode transformar uma situação de emergência em uma oportunidade de sobrevivência.
Para quem convive com um cão ou gato saudável, conhecer os programas de doação existentes e conversar com um médico-veterinário pode ser o primeiro passo. Afinal, o sangue de um animal pode ser exatamente o que outro precisa para continuar vivendo.

