Ricardo Gennari defende inteligência, tecnologia, integração das forças e investigação financeira para enfrentar organizações criminosas cada vez mais sofisticadas
O crime organizado mudou de perfil no Brasil. Incorporou tecnologia, ampliou sua capacidade financeira e passou a utilizar estruturas cada vez mais sofisticadas para movimentar dinheiro e ocultar patrimônio. Diante desse cenário, surge uma questão: a segurança pública brasileira evoluiu na mesma velocidade?
Para Ricardo Gennari, especialista em segurança pública e autor do livro Inteligência do Crime Organizado Brasileiro, o enfrentamento à criminalidade precisa ir além do modelo concentrado principalmente no policiamento ostensivo.
“A presença policial nas ruas continua sendo fundamental, mas segurança pública hoje não pode ser medida apenas pelo número de viaturas ou policiais. O crime evoluiu e a estratégia de enfrentamento também precisa evoluir”, afirma.
Segundo Gennari, quatro pilares precisam ganhar protagonismo: inteligência, tecnologia, integração entre as forças de segurança e investigação financeira.
Seguir o dinheiro para enfraquecer o crime
Um dos pontos centrais dessa estratégia está no rastreamento dos recursos que sustentam as organizações criminosas. Mais do que prender integrantes, o desafio é descobrir de onde vem o dinheiro, como ele circula, onde é lavado e quem participa das estruturas financeiras que mantêm essas organizações.
“Quando conseguimos seguir o dinheiro, começamos a atingir a estrutura do crime e não apenas quem está na ponta. Hoje é impossível falar seriamente em combate ao crime organizado sem falar de inteligência financeira”, explica.

Segurança pública entra no debate eleitoral
Em ano eleitoral, segurança pública ganha ainda mais espaço nas discussões. Para Gennari, o eleitor deve analisar propostas que ultrapassem promessas de aumento de efetivo, compra de viaturas e realização de operações.
“É fácil prometer mais viaturas, mais policiais e mais operações. A pergunta é: qual é o planejamento? Como será utilizada a tecnologia? As forças de segurança vão compartilhar informações? Como será fortalecida a inteligência? Como vamos atacar financeiramente as organizações criminosas?”, questiona.
Para o especialista, o debate precisa avançar de uma visão predominantemente quantitativa para uma estratégia capaz de acompanhar a evolução das organizações criminosas.
“O Brasil precisa discutir menos a imagem da segurança e mais a inteligência por trás dela. O crime já entendeu o valor da informação, da tecnologia e do dinheiro. O Estado precisa estar um passo à frente.”
Sobre Ricardo Gennari
Ricardo Gennari é especialista em segurança pública e autor do livro Inteligência do Crime Organizado Brasileiro. Seus estudos abordam inteligência, planejamento, tecnologia, gestão e estratégias de enfrentamento às organizações criminosas.

