“Quando desenhamos o projeto, partimos de uma percepção que já aparecia na pesquisa Por Dentro do Corre: o brasileiro não corre de um único jeito. O que descobrimos ao longo dessa jornada é que essa diversidade é ainda maior do que imaginávamos. Existem diferentes motivações, diferentes culturas e diferentes formas de se relacionar com o esporte convivendo ao mesmo tempo. Acreditamos que mergulhar nessa pluralidade e reconhecê-la de verdade é o primeiro passo para fortalecer a cultura da corrida no país e criar iniciativas que façam cada vez mais pessoas se sentirem parte desse movimento”, afirma Bianca Dallegrave, diretora-executiva de Marketing da Olympikus.
Se durante décadas boa parte das conversas sobre corrida esteve concentrada no eixo Rio-São Paulo, o projeto e o documentário mostram um cenário muito mais amplo. Em Roraima, a prova Tepequém Up levou os corredores ao ponto mais ao norte do país, com uma subida tão íngreme que virou um dos momentos mais marcantes da jornada. Em Santarém, no Pará, a corrida cresce impulsionada por grupos locais que transformam a prática em eventos comunitários, além de ser diretamente influenciada pelo clima — o calor é tão intenso que a corrida precisa acontecer à noite. Em Salvador, comunidades utilizam o esporte como ferramenta de ocupação de território e fortalecimento de identidade, e a Maratona Salvador, ao lado do grupo de corrida SBN Running, revelou como o espírito festivo da cidade atravessa também a corrida.
No Rio Grande do Sul, crews reúnem milhares de pessoas em encontros que misturam atividade física, cultura e pertencimento, enquanto no Centro-Oeste a forte presença de provas em meio à natureza reforçou a busca por aventura e conexão com a paisagem. E em todas as cidades turísticas, a corrida se conecta à experiência de explorar paisagens e destinos.
Em comum, todas essas iniciativas demonstram que a cultura da corrida brasileira está se desenvolvendo de forma descentralizada. “Uma das maiores lições foi perceber que inovação nem sempre nasce nos grandes centros. Muitas das conversas mais interessantes sobre corrida, comunidade e experiência estavam acontecendo em cidades que tradicionalmente não aparecem no radar do mercado. Quando você se dispõe a olhar para o Brasil inteiro, percebe que existem muitos pólos criativos ajudando a construir o futuro do esporte”, afirma Bianca.