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ToggleCom apresentações entre 18 e 21 de setembro, em Belo Horizonte, montagem do grupo de teatro naLama coloca mulheres no centro de uma narrativa sobre território, cultura popular e os impactos da exploração de lítio

O Vale do Jequitinhonha, reconhecido pela riqueza de sua cultura popular, por seus saberes tradicionais e pela força de sua população, será levado ao palco da Funarte MG, em Belo Horizonte. Entre os dias 18 e 21 de setembro de 2026, o grupo de teatro naLama apresenta o espetáculo “En(tupi)r: Jequitinhonha”, escrito e dirigido por Bianca Freire.
As sessões acontecem nos dias 18, 19 e 21 de setembro, às 19h. No domingo, 20 de setembro, haverá uma apresentação especial às 16h30. Com classificação livre e duração aproximada de 60 minutos, a montagem convida o público a refletir sobre ancestralidade, memória, território, cultura popular e os impactos causados pela mineração de lítio no Vale do Jequitinhonha.
A história acompanha Dorinha, uma mulher que retorna à sua terra natal e encontra um território profundamente modificado pela exploração mineral. O reencontro com esse lugar desperta memórias, afetos e questionamentos sobre as transformações ocorridas na região e sobre o verdadeiro significado do chamado progresso.
Ao lado de Dorinha estão Alfonsina e Rita, guardiãs da Festa do Boi e representantes dos conhecimentos transmitidos entre diferentes gerações. Por meio dessas personagens, o espetáculo valoriza a oralidade, as manifestações populares e a participação das mulheres na preservação da história e da identidade das comunidades.
Mulheres como guardiãs da memória e do território
Em “En(tupi)r: Jequitinhonha”, as mulheres não aparecem apenas como personagens que observam as mudanças ao seu redor. Elas conduzem a narrativa, preservam os saberes de seus antepassados e representam a resistência de comunidades que lutam para manter vivas suas tradições diante das transformações econômicas e ambientais.
A montagem apresenta o território como um espaço que vai muito além de suas características geográficas. Ele também é formado por lembranças, relações familiares, celebrações, histórias, rituais, modos de trabalho e vínculos afetivos. Quando esse território é alterado, todo o conjunto de experiências e referências de uma comunidade também pode ser afetado.
Esse olhar permite que o espetáculo dialogue com questões contemporâneas sem abandonar a dimensão poética do teatro. A trajetória de Dorinha e seu encontro com Alfonsina e Rita ajudam a aproximar o público de uma realidade marcada por disputas entre a preservação dos modos de vida tradicionais e os interesses ligados à exploração dos recursos naturais.
Mineração de lítio entra em cena
A presença da mineração de lítio no Vale do Jequitinhonha tem provocado debates sobre desenvolvimento econômico, preservação ambiental e participação das comunidades nas decisões relacionadas ao território. Utilizado principalmente na produção de baterias, o mineral passou a ocupar uma posição estratégica diante do avanço dos veículos elétricos e de diferentes tecnologias.
O espetáculo transforma esse debate em experiência artística. Em vez de apresentar somente números ou informações técnicas, “En(tupi)r: Jequitinhonha” mostra como as mudanças no território atravessam a vida das pessoas, atingindo memórias, tradições, relações comunitárias e perspectivas de futuro.
A proposta não se limita a apresentar respostas prontas. A montagem provoca o público a pensar sobre quem define o significado de progresso, quais grupos recebem seus benefícios e quais comunidades convivem diretamente com seus impactos. Também questiona o que pode ser perdido quando as transformações econômicas acontecem sem considerar a história e os vínculos das populações locais.
Espetáculo acumula prêmios em festivais
Antes de chegar à Funarte MG, a produção conquistou reconhecimento no circuito de festivais. No Festival Nacional de Teatro de Passos, evento de caráter internacional, “En(tupi)r: Jequitinhonha” recebeu o prêmio de Melhor Trilha Sonora. Cecília Rivière também foi indicada na categoria de Melhor Atriz.
A montagem alcançou resultados expressivos durante a quinta edição do FESTEI, Festival de Teatro de Ibiúna, em São Paulo. Ao todo, foram dez prêmios, incluindo Melhor Espetáculo do Festival, Melhor Espetáculo na Categoria Alternativa, Melhor Direção, Melhor Figurino, Melhor Iluminação, Melhor Sonoridade, Melhor Caracterização, Melhor Intérprete e Melhor Intérprete Coadjuvante, além de indicações em diferentes categorias.
O reconhecimento demonstra a força do trabalho desenvolvido pelo grupo de teatro naLama e a capacidade da produção de reunir diferentes elementos da linguagem cênica, como atuação, música, iluminação, figurino e caracterização, na construção de uma narrativa conectada à identidade mineira.
Cultura popular e questões ambientais no palco
A temporada na Funarte MG representa uma oportunidade para o público de Belo Horizonte conhecer uma produção teatral mineira que une cultura popular, questões ambientais e territoriais e a força das narrativas femininas.
Ao levar o Vale do Jequitinhonha para o palco, o espetáculo amplia a visibilidade de histórias que nem sempre encontram espaço nos grandes centros. A montagem também reforça o papel da arte como instrumento de preservação da memória e de discussão sobre temas urgentes da sociedade.
Entre celebrações populares, lembranças familiares e as marcas deixadas pela exploração mineral, “En(tupi)r: Jequitinhonha” propõe um encontro entre passado, presente e futuro. A pergunta que atravessa a narrativa também permanece com o público após o encerramento da apresentação: o que acontece com uma comunidade quando o avanço de uma atividade econômica transforma profundamente seu território e seus modos de vida?
Serviço
En(tupi)r: Jequitinhonha
Local: Funarte MG, Belo Horizonte
Data: 18 a 21 de setembro de 2026
Horários: 18, 19 e 21 de setembro, às 19h
Sessão especial: 20 de setembro, domingo, às 16h30
Classificação: Livre
Duração: aproximadamente 60 minutos
Texto e direção: Bianca Freire
Realização: Grupo de teatro naLama

