MAMU ocupa o Aglomerado da Serra pela 2ª vez

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Entre os dias 19 de outubro e 13 de novembro de 2026, o MAMU – Morro Arte Mural realiza a sua 5ª edição. Em 2026, o projeto retorna ao Aglomerado da Serra, dessa vez transformando o território próximo à região do Canão e da Avenida Mem de Sá, em Belo Horizonte. Em sua quinta edição, o projeto pioneiro em arte pública no Brasil, que desde sua primeira edição conta com o patrocínio da CEMIG, cria um macromural integrado a partir da pintura das fachadas de 28 casas da comunidade. Uma das novidades deste ano será a parceria com a Prefeitura de Belo Horizonte para requalificação de uma das quadras da comunidade.

O MAMU é uma iniciativa viabilizada por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, com patrocínio da CEMIG – parceira do projeto desde a primeira edição – conta com parceria da Prefeitura de Belo Horizonte e realização do Governo de Minas Gerais.

O Serrão pediu bis

Após o impacto da edição de 2025 na Praça do Cardoso com o tema Águas da Serra e uma obra assinada por Jorge dos Anjos, o MAMU retorna ao Aglomerado da Serra, a maior favela de Minas Gerais, com o tema Serrão 2026. O território é composto por oito vilas e segundo dados do Censo, abriga aproximadamente 46 mil moradores, distribuídos em mais de 13 mil moradias, abrangendo uma área de 1.470.483 metros quadrados.

A permanência no mesmo aglomerado, porém em um novo microterritório — a região do Canão —, reforça o compromisso do projeto com a continuidade e o fortalecimento de vínculos comunitários. Diferente das primeiras edições, pensadas para o olhar de quem transitava por grandes avenidas da capital, a 5ª edição consolida a virada conceitual iniciada no ano anterior: o ponto de observação é voltado prioritariamente para os próprios moradores e frequentadores do morro. revela sua totalidade a partir de um ângulo específico dentro da própria comunidade.

O MAMU tem como premissa a construção de relações reais e duradouras com as lideranças locais por onde passa. A escolha da região do Canão/Coqueiro para a 5ª edição nasceu organicamente no ano anterior, durante as ações com o Quilombo Manzo e intervenções artísticas na comunidade. Foi nesse processo que a equipe se sensibilizou com as demandas sociais locais e com o abandono histórico de uma antiga quadra esportiva, situada em um dos acessos mais movimentados da favela, no pé da Avenida Mem de Sá. Neste momento nasceu o desejo do projeto de unir esforços institucionais e financeiros ao poder público para reformar o espaço e devolvê-lo à comunidade.

Para a diretora artística e curadora do MAMU, Juliana Flores, atender a esse chamado fortalece a essência de permanência do projeto: “O Aglomerado da Serra é gigante. Desde o ano passado, moradores e lideranças falavam comigo: ‘aqui cabem vários outros MAMUs’. O MAMU tem esse desejo de se expandir, mas é muito atento às relações que constrói e que perduram por anos. Quando fizemos as ações no Canão e a bênção com o Quilombo Manzo no ano passado, fui muito tocada pela vulnerabilidade da região e por aquela quadra, que estava abandonada há anos, mas que os moradores lembravam com tanto carinho. Decidi dedicar nossas energias e recursos para, junto com a Prefeitura de Belo Horizonte, recuperar essa quadra,” explica a diretoria que considera a ação paralela ao macromural e uma devolução muito importante para quem vive na região.

Juliana Flores também ressalta que retornar ao Aglomerado também é um ato de valorização da estética urbana e das potências periféricas, uma vez que o território serve de inspiração para o tema de mais uma edição. “O MAMU traz esses grandes marcos visuais e circuitos de arte pública para dar destaque às regiões periféricas e favelas de Belo Horizonte. Se no ano passado desaguamos com as ‘Águas da Serra’, agora, no Canão, a gente está imerso na própria paisagem do morro, no grafite e no picho que já habitam as paredes e a quadra local. Queremos que os jovens vejam que a arte que eles criam e que muitas vezes é estigmatizada é linda, é arte de nível internacional. É um esforço conjunto que alia o macromural em 3D à recuperação da quadra, conectando com o coração e as mentes dessa juventude.”

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Da arte rupestre ao grafite, conheça o conceito do MAMU Serrão 2026

A direção criativa da 5ª edição partiu de um aprofundamento na história da escrita, dos sinais e das marcas humanas no espaço físico, partindo da observação das linguagens grafadas no território. A pesquisa traçou um paralelo entre as primeiras inscrições rupestres registradas em locais de difícil acesso, como nas cavernas do Parque Nacional do Peruaçu, no norte de Minas, e as tags urbanas e pichações que marcam a paisagem das metrópoles contemporâneas. Essa ancestralidade da atitude de escalar para deixar uma marca, um nome ou uma assinatura no mundo fundamenta a escolha do conceito visual deste ano. O projeto joga luz sobre o picho e o graffiti como expressões de existência e comunicação que transbordam os limites do espaço higienizado.

A diretora criativa do MAMU, Fatini Forbeck, destaca a importância da narrativa e da perspectiva de futuro para o território: “A pichação e o grafite são ancestrais; é o grito de ‘eu existo e eu estive aqui’. No MAMU Serrão, a gente traz essa estética para a arte pública e mostra que é possível transformar a vivência em profissão e prosperidade. Se no ano passado a nossa caminhada foi no campo da ancestralidade e da consciência ecológica com as nascentes, agora a gente chega falando de geração de renda. Contratamos profissionais e serviços do próprio território para redistribuir o recurso público na comunidade. Queremos fortalecer essa nova narrativa de futuro com a juventude: ter tinta na mão também é ter dinheiro no bolso.”

Ações educativas, impacto local e parceria institucional

Além da pintura do macromural nas casas, o MAMU 2026 promoverá ações formativas e oficinas voltadas para os moradores da comunidade, estimulando o aprendizado de técnicas de pintura e abrindo caminhos para a economia criativa local. O projeto também conta com a parceria da Prefeitura de Belo Horizonte para a reforma e pintura da quadra de esportes e lazer da região, integrando a intervenção artística à melhoria da infraestrutura urbana.

O MAMU

Conheça o MAMU – O MAMU tem como objetivo fomentar a arte em regiões com potencial artístico, além de envolver a comunidade local na criação e execução do projeto. A equipe do MAMU conta com a participação de artistas locais e moradores, que são treinados em oficinas de formação artística. O MAMU não apenas embeleza as favelas, como também promove o senso de pertencimento e coletividade entre os moradores, transformando a arte em um elemento de transformação social.

SERVIÇO

5ª Edição do MAMU – Morro Arte Mural (Aglomerado da Serra)

Período de pintura do macromural: 19 de outubro a 13 de novembro de 2026

Local: Aglomerado da Serra (Região do Canão / Av. Mem de Sá) – Belo Horizonte/MG

Mais informações: instagram.com/mamumorroartemural | mamu.publica.art

Abaixo nova área que irá receber o macromural no MAMU Serrão 2026 (Crédito Lucas Motta)

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