21 C
Belo Horizonte
qua, 07 janeiro 26

Johnny Herno apresenta o “berimlata” em “Tsuru”

Disco do percussionista e compositor mineiro apresenta 11 faixas inéditas; show de lançamento acontece no dia 20/4, no Teatro Raul Belém Machado, tendo como convidados o guitarrista André Cabelo e o percussionista Daniel Guedes

No Japão, tsuru é uma ave sagrada que simboliza boa sorte, felicidade, longevidade e fortuna. É, também, considerado o pássaro companheiro dos eremitas, que se refugiavam nas montanhas para meditar, pois podia viver até mil anos, reza a lenda. Percussionista, compositor e inventor de instrumentos, Johnny Herno pegou emprestado o nome desse animal fabular para dar título a seu primeiro álbum solo. Rico em significados, tal como o tsuru oriental, o “Tsuru” do artista mineiro celebra a potência da produção percussiva contemporânea e da inventividade musical brasileira, além de prestar homenagem ao músico pernambucano Naná Vasconcelos (1944-2016) e aos povos da floresta. O álbum apresenta 11 faixas autorais inéditas, sendo uma com “participação” do ilustre homenageado.

 

Criador do fascinante “berimlata” – tipo de monocórdio feito com arco de semente de biriba, tal qual o berimbau, mas com um arame de pneu e um latão de tinta no lugar da cabaça –, Johnny Herno lança o disco entre abril e julho deste ano, com uma série de quatro shows com convidados, além de oficinas e exposição, em Belo Horizonte. A estreia é no dia 20 de abril, sábado, mesma data em que o álbum chega às plataformas digitais de streaming. O show acontece às 19h, no Teatro Raul Belém Machado, com participações do percussionista Daniel Guedes e do guitarrista e produtor musical André Cabelo. Os ingressos são gratuitos, estão disponíveis para retirada online pela Sympla neste link e também serão distribuídos na portaria, a partir de uma hora antes da apresentação.

 

Após a estreia, a circulação de “Tsuru” contará com outras três datas: dia 1º de junho, sábado, às 15h, no Parque Lagoa do Nado, com os percussionistas Carlinhos Ferreira e Babilak Bah; dia 2 de junho, domingo, às 10h, no Parque Ecológico e Cultural Professor Marcos Mazzoni, com o pianista Rafael Martini; e dia 7 de julho, domingo, às 15h, no Centro Cultural Vila Fátima, com a cantora Elisa de Sena. Paralelamente aos shows, o artista ministra a oficina “O processo criativo que norteia o compositor intuitivo” no dia 2 de maio, quinta-feira, às 10h, no Centro Cultural Venda Nova; e no dia 4 de junho, terça-feira, às 14h, no Centro Cultural São Geraldo. Para completar o lançamento, será realizada uma exposição, em junho, em data a confirmar, no Centro Cultural São Bernardo, que apresenta o “berimlata” e conta mais a história do instrumento.

 

“Nesta primeira apresentação, teremos as participações de dois músicos que gravaram o álbum: Daniel Guedes, nas percussões; e André Cabelo, nas cordas e no som”, sublinha Johnny Herno, destacando que “Tsuru” foi gravado no estúdio Engenho, “pilotado” por Cabelo, prestigiado produtor musical de BH e guitarrista da icônica banda de metal Chakal. “Além de ter gravado o disco, Cabelo participou com sua guitarra, que envolveu o tribal e a distorção numa referência ao estilo de som pesado. Um encontro da percussão com a frequência do metal, na música ‘Carne Seca de Cigarra’, que também traz o baque dos tambores de Daniel Guedes. Bebendo da fonte do tambor mineiro, o percussionista assina, ainda, os arranjos de cuíca e pandeiro em ‘O Sol Afinou Zabumba’”, completa.

 

Sons e homenagens

 

O show “Tsuru” é um solo de percussão e canto à capela, em linguagem eletroacústica, com ditos populares e aboios, evocando os povos da floresta e homenageando o percussionista pernambucano Naná Vasconcelos. “Quem me apresentou a arte de Naná foi o músico paraibano Babilack Bah, com quem tenho uma parceria musical de mais de 24 anos. Em uma audição do disco ‘Cantando Estórias’ (1994), foi imediata a maneira de Naná apresentar a percussão como uma orquestra popular de diferentes timbres, bem como sua vontade de propagar a Amazônia como reservatório de vida e sabedoria”, conta Johnny, recordando-se das trocas que teve com o músico pernambucano. “Tivemos uma conversa depois de uma oficina que fiz com ele em São. Lembro-me que ele me estendeu a mão e disse: ‘Johnny, eu faço isso para que os outros também possam fazer’. Essa frase foi como um sol a iluminar meu caminho, foi como uma benção”.

 

Durante o período pandêmico, quando o disco “Tsuru” foi maturado, Johnny pegou-se tocado por um depoimento de Naná. “Ele recitava, depois de uma sessão de quimioterapia, uma mensagem vinda em sonho, que dizia a ele estar cheio de vida, de música, de uma vibração de várias ramificações religiosas. Fiquei energizado pela fala do mestre”, relembra. “Então, liguei para Patrícia Vasconcelos, viúva e curadora da obra de Naná, e pedi autorização para usar, na introdução de ‘O Berimlata’, a risada do mestre, uma de suas marcas registradas. Ela não só deu a benção, como disse que eu tinha sentido a fundo a alma de Naná. Na música, usamos também o poema ‘Um budista afro-budista’, recitado por ele, e um poema meu, chamado ‘Tsuru Naná’. Infelizmente, Naná faleceu antes que eu pudesse apresentá-lo ao ‘berimlata’, instrumento que deriva do berimbau da capoeira, que ele tanto propagou pelo mundo”, completa o músico, que também utiliza no disco objetos como penicos e brinquedos, além de sons onomatopaicos, gritos, sussurros e poesias.

 

Defensor do meio ambiente, dos povos da floresta e dos rios e nascentes, Johnny Herno presta outras homenagens em seu primeiro disco solo. “Além de homenagear Naná Vasconcelos, ‘Tsuru’ traz uma responsabilidade ambiental muito grande em defesa das nascentes e rios, tratando temas como a cigarra, inseto cujo dito popular o canto tem o poder mágico de evocar as águas, em ‘Carne Seca de Cigarra’; e o mitológico, no encontro do minotauro e da mula sem cabeça, da fênix e do sagitário, em ‘A Encruzilhada dos Cardumes Carnívoros’. Outra homenagem é dedicada ao artista do ruído Babilack Bah, que traz a enxada é apresentada como ferramenta-arma e instrumento musical na canção ‘A Cura da Fome’. E há, ainda, a participação mais que especial de meus pais, Eunice e Horácio, na faixa ‘Bença Mãe Bença Pai’, que retrata o percurso rumo ao óvulo”, afirma Johnny, ressaltando que a arte de “Tsuru” é assinada pelo artista visual Caio Ronin, que também é natural de Santa Luzia.

 

Depois da circulação, Johnny Herno pretende juntar no palco, em sua cidade-natal, parceiros com quem se apresenta desde o começo de sua trajetória. “Quero fazer uma grande apresentação reunindo artistas que acompanho desde o início da carreira, como Tom nascimento, Seu Ribeiro, Erick Duarte e Gui ventura. E aí o voo ‘ Tsuru’ parte pelo Brasil e, quem sabe, pelo mundo, para nutrir o planeta com o bem estar da criação; apresentando a percussão como elemento fundamental da composição, a exemplo de grandes músicos como Naná Vasconcelos, Airto Morera, Djalma Corrêa, Hermeto Paschoal, Babilack Bah e Carlinhos Ferreira, todos banhados pela cultura popular e a música súbita”.

 Johnny Herno

Artista mineiro com 20 anos de dedicação à música e às artes, já realizou trabalhos nas Américas, na Europa e na Ásia. Iniciou suas investidas percussivas ainda na adolescência, na Escola de Samba Esculacho, de Santa Luzia, sua cidade-natal, onde se enveredou pelas trilhas sonoras, absorvendo conhecimentos com mestres consagrados, tais como Carlinhos Ferreira, Babilak Bah e Naná Vasconcelos. Fiel aos músicos que acompanha desde o inicio da carreira, como Tom Nascimento, Tocaiangá, Djalma Januário e Seu Ribeiro, desenvolveu estilo próprio de se expressar ritmicamente para além dos instrumentos e hoje ministra oficinas pelo mundo, se firmando como referência da percussão contemporânea.

Premiado pelo “LAB Cultural BDMG 2020” na categoria “Música e Experimentação Sonora”, foi convidado a integrar o projeto “Playing for Change” e já se apresentou em diversos eventos e festivais nacionais e internacionais, entre eles “Caravana Pixinguinha de Música”, “Rumos Itaú Cultural” e “Festival Penang Word Music 2014”, na Malásia. Já recebeu condecorações como o “Diploma de Honra ao Mérito” da Academia Luzience de Letras – ALUZ e a “Medalha Teófilo Otoni das Artes”, e atua pela Associação de Ideias Ambientais e Ações Socioculturais, desde 1999, em Santa Luzia.

SERVIÇO

JOHNNY HERNO APRESENTA ‘TSURU’ | SHOW DE ESTREIA

COM PARTICIPAÇÃO DE ANDRÉ CABELO E DANIEL GUEDES

Quando. Dia 20 de abril, sábado, às 19h

Onde. Teatro Raul Belém Machado (Rua Leonil Prata, s/n – Alípio de Melo)

Quanto. Os ingressos são gratuitos, estão disponíveis para retirada online neste link e serão distribuídos na portaria a partir de uma hora antes do show

Johnny Herno nas redes

Cenario Minas
Cenario Minashttps://cenariominas.com.br
Revista Cenário's ou (Portal Cenário Minas) é uma revista digital de variedades que destaca a vida na capital nas suas mais diferentes vertentes: sociedade, comportamento, moda, gastronomia, entre outros temas. A publicação digital se notabiliza pela absoluta isenção editorial e por praticar um jornalismo sério, correto e propositivo, cuja credibilidade e respeito ao leitor são seus apreços primordiais.

Posts Relacionados

Ian Oliver firma parceria para enlatados premium do Cortês

Consultoria do “Crítico Antigourmet” vai orientar a criação de...

Paula Toller e Nando Reis no Festival da Flor em BH

O Festival da Flor fecha o mês de janeiro...

Krug Bier divulga calendário de visitações para 2026

A Experiência Krug Bier confirmou seu tão esperado calendário...

Leve Long Neck aposta em novo visual e reposiciona marca

A Cervejaria Läut apresenta a nova De Leve Long...

Sofitel Barú Cartagena se destaca como luxo no Carnaval

Localizado em um cenário paradisíaco na exclusiva península caribenha...

Novidades

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui