Bianca Luísa, gestora da Prima Cordis, defende que tecnologia, controle financeiro e acolhimento devem atuar de forma integrada no setor de saúde
Hospitais e clínicas enfrentam custos crescentes com profissionais, estrutura, tecnologia e equipamentos, além de burocracias e ciclos de recebimento que nem sempre acompanham o ritmo das despesas. Para Bianca Luísa, gestora da Prima Cordis, em Belo Horizonte, a sustentabilidade exige gestão detalhada, redução de desperdícios e investimentos capazes de preservar a qualidade do cuidado.
“Gestão responsável é encontrar equilíbrio entre a estrutura financeira, os profissionais e o paciente que confiou sua saúde a nós”, afirma. Segundo Bianca, sustentabilidade não significa apenas cortar custos. A gestão deve acompanhar indicadores, identificar gargalos e avaliar o uso dos recursos, sem permitir que a lógica financeira se sobreponha à assistência.
A gestora defende uma assistência medida pelos resultados entregues ao paciente, e não apenas pelo volume de consultas, exames ou procedimentos. Essa abordagem envolve prevenção, acompanhamento contínuo, integração entre profissionais e uso consciente dos recursos.
“Saúde não pode ser apenas tratar a doença quando ela chega. Precisamos cuidar antes, acompanhar durante e continuar presentes depois”, destaca. A medicina preventiva, nesse contexto, ajuda a combinar melhores desfechos, sustentabilidade e uma relação mais próxima entre instituições, profissionais e pacientes.
Tecnologia com propósito humano
A inteligência artificial e a automação podem organizar dados, acompanhar indicadores, identificar falhas e agilizar tarefas administrativas. Para Bianca, porém, as ferramentas devem ampliar — e não substituir — o cuidado humano. “Tecnologia deve servir às pessoas, e não afastar as pessoas”, ressalta.
Ao reduzir burocracias e atividades repetitivas, a digitalização pode abrir mais espaço para que as equipes escutem, orientem e acolham. A integração de dados também favorece a continuidade do atendimento, mas ainda esbarra em sistemas que não se comunicam, além de desafios de segurança, privacidade e qualidade da informação.
“Integrar dados não significa apenas conectar computadores. Significa conectar a história do paciente para que o cuidado também tenha continuidade”, afirma.
Experiência do paciente
A jornada do paciente começa antes da consulta: no contato inicial, no agendamento, na recepção e na comunicação da clínica ou hospital. Reduzir espera, facilitar processos e oferecer informações claras são medidas operacionais que também expressam acolhimento.
“O tempo do paciente também tem valor. Ele pode estar com medo, com dor, ansioso ou simplesmente precisando de uma resposta, de uma escuta”, diz Bianca.
Para a gestora, eficiência e humanidade não são objetivos opostos. “Precisamos de eficiência para sermos sustentáveis, de tecnologia para evoluirmos e, acima de tudo, de humanidade para nunca esquecermos por que existimos. Antes do diagnóstico e do prontuário, existe uma pessoa que precisa ser vista, ouvida e acolhida.”
Crédito: Maria Duarte

