Festival alerta sobre impactos de incêndios

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Duas mulheres, uma brigadista e uma indígena, seguram em suas mãos cinzas e terra fértil de onde brotam árvores vivas: essa é a obra criada com tinta feita a partir de cinzas de incêndios florestais na empena de um prédio residencial na região do Barreiro, em Belo Horizonte. Intitulada “Renascer das Cinzas”, a pintura foi criada pela artista Fênix e propõe uma reflexão sobre preservação ambiental, resistência e reconstrução da vida após a devastação. A atividade faz parte do Festival Paredes Vivas, que acontece em Belo Horizonte até a próxima sexta (17).

Layout da pintura do prédio

Para a artista, a obra destaca que a proteção da natureza nasce tanto da resistência de quem enfrenta o fogo quanto da “sabedoria ancestral de quem historicamente preserva o território”, afirma Fênix.

Além da empena, a Escola Estadual Cecília Meireles, no bairro Teixeira Dias, recebeu uma série de atividades de arte urbana e educação socioambiental para fomentar a conscientização sobre o impacto dos incêndios florestais. Para encerrar a edição em Belo Horizonte, estudantes participam de uma oficina com exibição do curta “Cinzas da Floresta” e debates conduzidos pela arte-educadora Zi Reis. A atividade acontece em dois turnos, na próxima segunda (13), às 7h30, e na terça (14), às 09h50.

Na escola, também foi realizado o mural “Braços Erguidos — Pela vida e pela floresta”, criado pelo artista mineiro Marcos Asher. A obra homenageia brigadistas florestais e destaca a força coletiva necessária para proteger a vida e os biomas.

Acesse fotos do Festival em BH

Crédito: Joca Corsino

No mural, homens e mulheres aparecem simbolicamente com braços erguidos, representando proteção, luta e esperança. A composição também aborda a ideia de recomeço, mostrando que, mesmo após a devastação, a vida encontra caminhos para renascer por meio da união e do cuidado coletivo.

Das cinzas à tinta 

Durante os meses de maio a julho de 2024 foram coletadas cinzas de incêndios de todo o Brasil para transformar em pigmento. Para isso, foi realizada uma articulação com brigadas florestais, com apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV). Recebidas pela equipe do projeto, as cinzas foram pesadas, peneiradas e enviadas para os artistas de cada cidade. Mistura com resina acrílica, ela funciona como uma aquarela. As variações das cores das cinzas de cada bioma e em decorrência do tipo de matéria queimada permitem aos artistas desenvolver diferentes tons de cinzas.

Parte do processo de fabricação das tintas utilizadas no festival foi registrado no documentário “Cinzas da Floresta”. Dirigido por André D’Elia, o filme acompanha uma viagem de Mundano, em 2021, por um Brasil em chamas para coletar as cinzas e produzir a tinta que foi usada em uma nova obra, “O Brigadista da Floresta”, em São Paulo, que deu origem ao projeto. Assista ao trailer.

“É importante que as pessoas conheçam esse trabalho, apoiem e divulguem. Esperamos a partir disso conseguir cada vez mais pessoas envolvidas nesse cuidado ambiental, para que um dia a gente não precise mais combater incêndios”, conclui Bea Mansano, coordenadora do Festival.

O Festival Paredes Vivas – Edição Cinzas da Floresta é uma realização da Parede Viva, com apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV). Saiba mais em https://paredeviva.art.br.

Sobre a Parede Viva 

Parede Viva é uma iniciativa sociocultural que acredita na arte urbana como uma poderosa ferramenta para abrir paredes que dividem pessoas e espaços. Arte para nós é uma janela que permite a conexão e a reflexão com um mundo mais colorido, sustentável e justo. Transformamos ideias em arte e assim impactamos positivamente pessoas e ambientes. Atuamos desde 2010 desenvolvendo projetos sob encomenda para diferentes clientes e demandas, sempre buscando a valorização e remuneração justa dos artistas brasileiros, valorizando as diversidades culturais  e com foco na qualidade da entrega dos serviços.

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Cenario Minas
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