Por Yuri Elias, biólogo e gerente da Inovar Ambiental
Quando falamos em mudanças climáticas, é comum pensarmos em desmatamento, combustíveis fósseis e emissões industriais. Mas existe uma questão que também precisa ganhar espaço nesse debate: o que fazemos com os resíduos que geramos diariamente?
A realização da COP31, entre os dias 9 e 20 de novembro, na Turquia, representa uma oportunidade para ampliar essa discussão. Afinal, enfrentar a crise climática exige rever não apenas nossas fontes de energia, mas também a maneira como produzimos, consumimos e descartamos materiais.
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a geração mundial de resíduos sólidos urbanos poderá alcançar 3,8 bilhões de toneladas em 2050. O cenário reforça a necessidade de incorporar a gestão de resíduos às estratégias de enfrentamento das mudanças climáticas.
A relação é direta. A decomposição de resíduos orgânicos em aterros gera metano, um potente gás de efeito estufa. Além disso, quando materiais que poderiam ser reaproveitados ou reciclados são descartados inadequadamente, perdemos recursos e ampliamos a necessidade de extração de novas matérias-primas.
No ambiente empresarial, essa discussão é especialmente importante. Muitas organizações ainda enxergam a gestão de resíduos como uma obrigação operacional, algo a ser resolvido apenas depois que o material perde sua utilidade. Entretanto, uma gestão ambiental eficiente começa muito antes da coleta.
É preciso identificar os resíduos gerados, compreender suas características, garantir a segregação adequada e acompanhar sua destinação. Uma separação incorreta pode contaminar materiais recicláveis, elevar custos e limitar possibilidades de reaproveitamento. Por outro lado, processos bem estruturados permitem reduzir desperdícios e identificar oportunidades de melhoria.
Também é fundamental compreender que a responsabilidade não termina quando o resíduo deixa as instalações da empresa. A rastreabilidade e a destinação ambientalmente adequada são essenciais para reduzir riscos e assegurar o cumprimento das obrigações ambientais.
A transição para uma economia de baixo carbono depende de políticas públicas, investimentos e avanços tecnológicos, mas também de decisões tomadas diariamente pelas empresas e pela sociedade.
A COP31 reforça a urgência de transformar compromissos ambientais em ações concretas. Precisamos avançar de uma lógica baseada exclusivamente em produzir, consumir e descartar para outra, na qual os recursos sejam utilizados com mais eficiência. A gestão de resíduos, isoladamente, não resolverá a crise climática. Mas não existe uma resposta consistente a essa crise que possa ignorá-la.

