Crianças são vítimas que sofrem em silêncio na pandemia

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Dorinha Aguiar desenvolve coleção de livros para inspirar os adultos a conversarem com as crianças sobre os temas da vida real.

Entre 2010 e 2020, mais de 100 mil crianças e adolescentes, entre zero e 19 anos morreram vítimas de agressões no Brasil, conforme o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SBP). Outro dado alarmante disponibilizado pelo Programa de Atenção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Violência (FIA/RJ), é que 58% das crianças estão na faixa etária de 0 a 6 anos, sendo as meninas as que mais sofrem violência.

A realidade da violência contra a criança é uma das consequências da falta do Estado na formação de seus cidadãos. Uma família que sobrevive de misérias e descasos dificilmente conseguirá passar valores humanos aos seus descendentes. Ao contrário, será na parte mais fraca que os adultos alienados e abandonados refletirão sua ira interior.

Acresce-se a herança genética da perversidade, que pode estar em qualquer seio familiar, inclusive naqueles em que se espera estrutura emocional para a condução da vida.

Unindo genética e descaso social, hoje temos a triste realidade de uma criança antes dos quatro anos ser assassinada dentro de sua própria casa, por aqueles que deveriam dar a ela a segurança, a estrutura emocional, social e ética para uma vida plena e longa.Livros para inspirar o diálogo com a criança, mas que desafiam os mediadores

A coleção As 7 Virtudes – Histórias do Ranchinho do Gavião foi desenvolvida para inspirar os adultos a conversarem com as crianças sobre os temas da vida real. Com animais humanizados, os personagens demonstram que mesmo no mundo animal existem emoções, sentimentos e valores!

Dorinha Aguiar, jornalista e escritora e autora da coleção, afirma que “todos
podemos aprender com eles – tanto as criancinhas quanto os adultos, a viver de uma forma mais equilibrada, pensar formas de sentir e de agir que tragam para si a cidadania no seu mais profundo aspecto, refletindo em bem-estar para toda a sociedade.”

A escritora mostra que tudo o que fazemos está sob nossa responsabilidade. “A forma como tratamos os animais é sintomático de como tratamos o outro. Talvez por ignorância, talvez por omissão, de qualquer forma, somos responsáveis pelo que fazemos e pelo que deixamos de fazer também.”

A história que mostra os dois lados de um relacionamento

A história da Blume, amiga fiel, nos apresenta os dois lados de um relacionamento. Do poder, dos donos da cachorrinha, onde se decide desde o que fazer no corpo do indefeso animal ao seu destino. Do lado da cachorrinha, o dominado – que apenas obedece, faz o que lhe ensinam e lhe pedem.

Uma história para se posicionar quanto a defesas dos vulneráveis, que requer ação. Mas para isso, é preciso ter as bases da cidadania e da ética. “É nesse contexto que o Brasil se apresenta relapso há décadas – e as consequências hoje vemos em tantos “lares” destruídos por tantas violências cometidas por tantos atores. Refletem no ser mais fraco e indefeso. É essa a sociedade que queremos? O que você faz contra isso? ”

Não podemos nos calar

Todo cidadão de bem precisa se inserir na defesa das crianças. Os fatos ou indícios de violência infantil devem ser denunciados, investigados, acompanhados sem trégua por todos!

Fez uma denúncia e não surtiu efeito? Faça novamente! Acompanhe! Lute por uma nação mais equilibrada e justa. Não é possível assistirmos imobilizados a tanta barbárie.

Essa é uma das realidades da violência contra a criança, que não sabe e não consegue se defender – e nela está o futuro de nosso país. É uma das formas de violência visível. Mas temos as outras, nas quais o pequeno ser é destituído de sua auto-estima, de valores não lhe ofertado, da subsistência básica como um ser humano.

Uma nação se forma com a condução de seus cidadãos. Reflete o investimento público – do povo – nas áreas em que seus dirigentes decidem – pior, com o aval do voto. Esse é um convite para efetivar a sua cidadania: a participar das decisões que afetam a todos. Não podemos fingir que a violência está longe de nós. Ela é real e destrói a nossa nação.

Sobre a autora
Dorinha Aguiar é jornalista, escritora e ambientalista premiada no Furnas Ouro Azul, com projeto de Educação Ambiental infantojuvenil. Além da coleção As 7 Virtudes – Histórias do Ranchinho do Gavião, escreveu três livros de registro da história oral de guerras e sobre o ensino do design em Minas; uma coleção de iniciação à filosofia de Kant, com 4 livros em coautoria com a filha Cibele Aguiar Kadomoto; e a série Guardiões da Saúde, que por enquanto tem 24 títulos de doenças de veiculação hídrica. É mentora de novo formato de livro: o Videolivro, um livro criado para ler, ver e ouvir na TV e outros dispositivos.

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