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qua, 18 março 26

Ônibus da Grande BH viram galeria de arte

Cerca de 20 ônibus da RMBH ganharam cor com as imagens que retratam a mineiridade e as belezas do Estado.

A paisagem cinza e a rotina apressada do trânsito na Região Metropolitana de Belo Horizonte ganharam novas cores nos últimos dias. O projeto Arte pela Via transformou 20 ônibus do transporte coletivo em telas gigantes, levando obras de arte para fora dos museus e diretamente para o cotidiano de quem circula pela capital mineira e cidades da região metropolitana.

O projeto, uma realização do Ministério da Cultura e da Result Gestão de Projetos e Produções, com a idealização da Total MídiaBus, conta com o patrocínio da Copasa, por meio da Lei Rouanet (Lei nº 8.313/1991). Até o momento é o maior projeto de mobilidade nas Américas com foco exclusivo em arte urbana. O objetivo é democratizar o acesso à cultura para um público que, muitas vezes, não frequenta museus e galerias de arte.

Ao todo, são seis obras estampadas na lataria dos veículos, assinadas por quatro artistas selecionados via edital. As ilustrações retratam a mineiridade, as tradições culturais do Estado como o Congado, além das paisagens e igrejas mineiras.

O novo trajeto da arte na Grande BH
O projeto possui um impacto logístico e social calculado. A curadoria da iniciativa desenhou o alcance das obras baseadas na capilaridade do transporte público. Para se ter uma ideia da dimensão, uma mesma linha contemplada pelo projeto chega a percorrer um longo itinerário ao decorrer do dia dependendo do número de viagens.

Um dos trajetos, por exemplo, pode chegar a cortar mais de 30 bairros de Belo Horizonte, conectando regiões periféricas a áreas nobres e centros comerciais por meio da cultura. Juntas, as 20 linhas, chegam a todas as regiões da capital mineira, do qual a audiência é estimada em mais de 100 bairros.

Além de Belo Horizonte, a galeria sobre rodas atende também os municípios de Caeté, Nova Lima, Santa Luzia, Rio Acima, Ibirité e Sarzedo. O volume de visualizações das obras, considerando o fluxo intenso de passageiros e pedestres, podem chegar a números surpreendentes, segundo os idealizadores.

Segundo a pesquisa “O Impacto das Artes Urbanas” (Offerwise/Jumppi, 2022), a sede por cultura é latente: 88,3% dos brasileiros manifestam o desejo de ter mais acesso a atividades culturais em seu cotidiano. Esse movimento vai muito além da estética, pois 85,8% acreditam que a arte nas ruas eleva a qualidade de vida, enquanto 80% enxergam nela um caminho sólido para a promoção de uma cultura de paz.

A aceitação visual também é expressiva, com 86,6% de aprovação para grafites em prédios, reforçando a ideia da cidade como uma galeria a céu aberto. Pelo viés financeiro, 85,5% percebem que esse investimento impulsiona a economia criativa e o turismo, o que explica por que 82,2% dos entrevistados defendem que o poder público deveria reconhecer e valorizar ainda mais essas manifestações artísticas.

Para José Megale, representante da Total Mídia Bus é uma das vozes ativas na cultura de rua de Minas Gerais é responsável por idealizar o projeto no campo da mobilidade urbana. Ele detalha que a iniciativa rompe barreiras invisíveis que separam a população do universo das artes visuais.

“A rua é o palco mais democrático que existe. Quando você coloca uma obra de arte em um ônibus, você tira aquele peso solene do museu e entrega a cultura no trajeto do trabalhador, do estudante, de quem está no ponto esperando para voltar para casa. É a arte pedindo passagem na vida real das pessoas”, afirma Megale.

Segundo ele, a seleção dos artistas privilegiou a diversidade regional de Minas, sendo que cada linha de ônibus carrega a assinatura de um talento distinto, compondo uma exposição coletiva em movimento. Dentre os nomes responsáveis pelas obras, estão:

  • Kaká Chazz: Traz elementos do Sul e Sudeste de Minas, fundindo realismo e intervenção urbana com destaque para a cultura do café e a fauna (lobo-guará e onça-pintada;
  • Samm Amarante: Representa o Norte e o Jequitinhonha, traduzindo em cores a força do sertão mineiro e a estética do povo da região.;
  • Kota: Representa a Região Metropolitana com a linguagem do asfalto, dialogando com a dinâmica e a diversidade da Grande BH;
  • Ed-Mun: Uma síntese da capital mineira através de suas formas icônicas, paletas vibrantes e a efervescência de suas expressões culturais.

A produção envolveu 16 artistas locais e premiou os artistas selecionados com cachês de R$ 15 mil cada, fomentando a cadeia produtiva da economia criativa no Estado.

Cenario Minas
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