Fui à chamada “Feira Nordestina” com expectativa alta. Sou apreciador da boa comida nordestina, convidei amigos e levei minha mãe, idosa de 80 anos, para vivermos juntos uma experiência afetiva, gastronômica e cultural. O que encontramos, porém, foi uma frustração coletiva.
Ao chegar à avenida Augusto de Lima, em frente ao Fórum Lafayette, o cenário destoava completamente do que foi anunciado. Entre cerca de 40 barracas, não havia praticamente nada que representasse, de fato, a culinária nordestina divulgada na programação oficial. Onde estavam o sarapatel, o abará, o arrumadinho com manteiga de garrafa? Pratos clássicos da Bahia e do Nordeste simplesmente não existiam.
No lugar disso, o público encontrou uma feira genérica, com produtos e comidas majoritariamente mineiras, além de serviços variados que nada tinham a ver com a proposta do evento. O nome “Festival Nordestino” virou apenas um rótulo vazio, distante da realidade entregue ao público que saiu de casa em busca de algo diferente em Belo Horizonte.
A decepção era visível no rosto das pessoas. Comentários de frustração se repetiam entre quem esperava vivenciar sabores, cheiros e referências do Nordeste e encontrou apenas mais uma feira comum, sem identidade e sem compromisso com o que foi prometido na divulgação.
Fica também o questionamento à Prefeitura de Belo Horizonte, que autorizou a realização do evento em um ponto central da cidade: houve cobrança por barraca? Houve fiscalização do conteúdo entregue ao público? Porque, ao que tudo indica, o único aspecto que funcionou foi o financeiro para a organização.
É uma pena. Uma pena para quem acreditou na proposta, para quem levou família, idosos e crianças, e para quem esperava respeito ao nome da cultura nordestina. O festival não falhou por pouco: falhou em sua essência. O que ficou foi apenas a sensação amarga de tempo perdido e expectativas frustradas.


