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sex, 13 março 26

Psicanalista Hugo César lança a novela O impostor cotidiano

A adolescência é uma travessia. Entre o peso das expectativas e as pequenas tragédias cotidianas, um adolescente busca se afirmar no mundo, ora pelo exagero, ora pelo desencanto, em uma narrativa sobre identidade, pertencimento e as farsas do dia a dia. O impostor cotidiano, de Hugo César, publicado pela Editora LiteraturaBr, apresenta um olhar irônico e mordaz sobre essa fase de transição, explorando as nuances da autoficção com humor e autocrítica. O livro será lançado no dia 30 de março (domingo), às 11 horas, Livres — Livraria do Mercado, no Mercado Novo, em Belo Horizonte.

Com orelha assinada pelo premiado escritor e pesquisador Jacques Fux e posfácio de Ana Cecília Carvalho, professora aposentada da UFMG e imortal da Academia Mineira de Letras, a obra se insere em um panorama literário que questiona as verdades e imposturas do próprio ato de narrar. Para Hugo César, “a ficção não é mentira, é outra coisa”. A obra aborda, com olhar afiado e perspicaz, como a literatura contemporânea muitas vezes se leva a sério demais e elimina as nuances em nome de um discurso homogêneo. Hugo César, no entanto, escolhe a via oposta: “A adolescência é uma tragédia engraçada. Olhada de longe, deveria provocar risos.”

De acordo com a imortal da AML, Ana Cecília Carvalho, “O impostor cotidiano oferece uma reflexão impor­tante: a vida não para de nos confrontar com algumas das experiências da juventude que acreditávamos terem sido superadas – por exemplo, o sentimento de exclusão, complicado pelo desprezo com que os mais velhos são tratados em uma cultura que, aspirando ser eternamente jovem, volta as costas para tudo que mostra a nossa pró­pria finitude.”

Entre narrativas que flertam com a autoficção e a comédia do cotidiano, o autor reflete sobre a própria experiência e sobre o ato de contar histórias. Para ele, toda narrativa pessoal é, em alguma medida, romantizada. “Cada pessoa assume um estilo, uma forma de se narrar. Eu escolhi o desencanto, pois o personagem toma decisões querendo impressionar. E não impressiona ninguém. É uma novela em que um narrador finge reconstruir a memória para narrar o desencanto do fim da adolescência, esse entre lugar: nem tão criança, que possa se eximir das consequências dos seus atos, nem tão adulto, ciente dos próprios limites. Ao longo da reconstrução, surge o desamparo por trás da impostura do personagem, exilado de si mesmo no processo de transição”.

O livro também explora um dos conflitos fundamentais da experiência humana: ninguém pode ser exatamente o modelo que tenta imitar. Além disso, aborda a frustração inerente ao desejo, que, uma vez realizado, perde o valor. Segundo o autor, “A originalidade, a autenticidade, vai vir de uma certa metabolização dessas imitações. Nas artes isso é mais óbvio. É comum você ver um estudante de artes plásticas na frente do quadro de um grande mestre copiando. Imitando. Em algum momento, talvez do erro dessa imitação, vai surgir o novo. Eu gosto de pensar que a gente imita pra aprender o básico, depois é uma montagem de referências (igual a nossa identidade). Não existe cópia fiel. Nem de artista nem de adolescente copiando o novo ídolo do momento. Cervantes imitou os escritores de cavalaria, mas só se tornou original na torção que fez: seu cavaleiro é igual aos outros, mas num mundo em que a cavalaria não existe”, conclui.

Em termos de forma, O impostor cotidiano se insere na tradição da novela na América Latina, marcada por uma flexibilidade formal e uma experimentação estética que desafia as convenções do romance tradicional. Autores como César Aira, Mario Bellatin, Alejandro Zambra, Roberto Bolaño e Sergio Pitol transformaram o gênero em um espaço de liberdade narrativa, combinando fluidez estilística, fragmentação e um senso de improvisação que se aproxima do ensaio e da crônica. O impostor cotidiano dialoga com essa linhagem ao construir uma narrativa ágil, mordaz e metalinguística, em que a autoficção se entrelaça com o humor e a ironia. Assim como Aira desconstrói a ideia de um romance fechado e autocontido, Hugo César utiliza a novela como um campo aberto para explorar a construção da identidade e a impostura inerente a qualquer tentativa de se narrar.

Com influências que passam por Philip Roth, Karl Ove Knausgård e Ricardo Lísias, O impostor cotidiano é um convite à reflexão sobre a forma como nos construímos e nos contamos. Um romance que, mais do que narrar uma história, desvela o próprio mecanismo da ficção.

Sinopse

O que significa ser um impostor? Fingimos para os outros ou para nós mesmos? Em O impostor cotidiano, Hugo César entrega uma narrativa afiada, que transita entre a autoficção e o romance de formação, expondo as contradições da juventude, a busca por pertencimento e a eterna sensação de estar interpretando um papel. Com humor ácido e uma escrita envolvente, a obra captura a inquietação de quem se vê deslocado, seja em um intercâmbio internacional ou dentro da própria rotina. O protagonista, Rhugo, se debate entre a nostalgia e a realidade, tentando encontrar sentido naquilo que já passou. Entre memórias distorcidas e reflexões mordazes, o livro nos leva a questionar nossas próprias versões da história.

Sobre o autor

Hugo César nasceu no interior de Goiás em 1984, mas tem sotaque mineiro. Formado em Psicologia pela UFMG, se especializou em Teoria Psicanalítica. O impostor cotidiano é seu livro de estreia.

Serviço
Lançamento de O impostor cotidiano, de Hugo César | R$58
Data: 30 de março (domingo)
Hora: 11 horas
Local: Livres — Livraria do Mercado (Mercado Novo)
Endereço: Av. Olegário Maciel, 774, 3º andar, corredor E, Loja 3085, Belo Horizonte.
Vendas: https://www.livroselivros.com.br/o-impostor-cotidiano

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