A centenária Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM) está sendo reinventada sob o olhar de quem vive à beira dos trilhos. Até 2028, o Projeto Estação percorrerá 905 km de extensão para ressignificar a memória ferroviária de 30 comunidades em Minas Gerais e no Espírito Santo, utilizando a fotografia e o audiovisual como ferramentas de preservação cultural.
No primeiro ano da iniciativa, o projeto já impactou cidades mineiras como Belo Horizonte, Barão de Cocais, Rio Piracicaba, João Monlevade, Itabira, Nova Era e Antônio Dias. Ao todo, 80 jovens desses municípios redescobriram paisagens e personagens reais que dedicaram décadas de vida à ferrovia, como o ex-maquinista Agostinho dos Santos, que trabalhou por quase 30 anos na linha.
Arte e Identidade em Minas Gerais
O resultado desse mergulho histórico são instalações artísticas que reconfiguram a paisagem urbana. Em Minas, as obras podem ser vistas em locais como:
O interior da Estação Ferroviária de Belo Horizonte;
Muros de escolas estaduais em Coronel Fabriciano;
Praças e espaços públicos em Barão de Cocais.
Segundo Preto Filho, idealizador do projeto, a intenção é criar uma rede de afetos e saberes. “A extensão férrea se tornou um ponto de conexão entre arte, território e memória imaterial”, explica. O Diretor-Geral da ANTT, Guilherme Theo Sampaio, reforça que a Estrada de Ferro Vitória a Minas é um “território vivo”, onde o desenvolvimento técnico deve caminhar junto à valorização social.

Diversidade e Tecnologia
Um dado relevante do projeto é o foco na inclusão: em 2025, 69% dos inscritos eram mulheres e 67% autodeclarados negros. Os jovens, entre 16 e 25 anos, utilizam as lentes de seus próprios smartphones para capturar a essência da vida ferroviária, democratizando o acesso à produção artística.
Próximos Passos (2026-2028)
Para o triênio que se inicia, o Projeto Estação planeja visitar mais 23 comunidades ao longo do eixo Vitória-Minas. Além das exposições físicas, o público pode conferir o acervo digital através da galeria virtual (www.estacao.art.br), que reúne fotos e curtas-metragens que imortalizam o cotidiano de quem faz do trem o seu caminho diário.