Há três décadas na cena, Duda Diamba explica como o reggae conquistou fãs, festivais e um espaço histórico indiscutível na cultura nacional
Das ruas e avenidas para os streamings e grandes festivais, o ‘reggae’ tem espaço e voz no Brasil. Sustentado pela base fiel de ouvintes, o estilo caribenho encontrou no país um público cativo, que levou a nação à segunda colocação no consumo mundial de reggae, atrás apenas dos EUA, segundo dados do Spotify.
O gênero musical chegou ao Brasil na década de 70 e, com o passar do tempo, foi absorvido e reinventado para diferentes contextos urbanos, engajando audiências e comunidades inteiras em torno do groove. A presença foi tanta que em São Luís do Maranhão, cerca de 22% da população escuta reggae, o equivalente a três vezes mais que a média das capitais brasileiras, segundo o estudo “Cultura nas Capitais”.
Além do Maranhão, a cidade de Salvador (BA), também se destacou por iniciativas em favor do gênero musical, como o Palco do Reggae, no Pelô, e festivais como o Salvador Cidade do Reggae. Somente em 2026, o Programa Ouro Negro prevê um investimento de R$ 17 milhões para a participação de instituições culturais do reggae e demais grupos no Carnaval e em festas populares.
Inserido no ‘circuito de reggae’ da capital e reconhecido pela carreira de trintas anos à frente do gênero, o cantor ‘Duda Diamba’ têm contribuído para o legado do reggae em shows, festivais e festas que movimentam a agenda cultural da cidade. O artista, que já dividiu palco com grandes nomes da cena nacional e internacional, como Natiruts, Ponto de Equilíbrio e Planta & Raiz, além de ter cantado ao lado da banda The Wailers, criada por Bob Marley, afirma que o gênero caribenho é um dos pilares da expressão cultural no país.
“O reggae nunca deixou de existir no Brasil. É um fenômeno transversal, opera nas ruas, nas rádios, porém, o que vemos agora é um processo de amadurecimento da cena. Durante muitos anos, o gênero operou à margem do mercado tradicional, mas conseguiu se estruturar e construir uma linguagem própria de ‘dentro para fora’. Das ruas para os grandes festivais. Esse movimento passou pela atuação dos artistas, circulação em festas, espaços independentes, e, principalmente, pela capacidade de dialogar com questões sociais (principalmente com a periferia)”, explica Duda.
A influência da Jamaica dos Anos 70 não ressoou exclusivamente no Brasil, mas se espalhou por diversos países ao redor do globo, expandindo seu legado cultural. A presença notória em palcos como o ‘Rototom Sunsplash’, que reuniu em 2025 mais de 218 mil pessoas, de 100 países diferentes, para apreciar o ritmo caribenho, evidencia o alcance e o potencial contínuo do gênero em atrair novos ouvintes.
Para Duda, o legado do reggae envolve à articulação entre artistas, produtores e público, devido a ampliação do ritmo em festivais e políticas culturais. De acordo com o cantor, a circulação constante e o investimento em novas linguagens têm sido determinantes para que subgêneros como o ‘dancehall, rocksteady, ragga’ e outros mantivessem a sua relevância e o crescimento por diferentes cidades do país.
Atração aguardada do Carnaval de Salvador, após o lançamento da faixa ‘Salvamor’ (2026), o cantor segue como uma das maiores referências do reggae no Brasil e não esconde o seu amor pela cidade – e pelo gênero que acompanha a sua carreira há mais de três décadas.
“O reggae escreveu seu legado no nosso país justamente porque se estruturou de forma independente, com circuitos próprios e uma base de fãs fiel. Hoje, ele circula em circuitos culturais, rádios, streamings, e isso não é efeito da ‘moda passageira’, mas do acúmulo de décadas de trabalho de artistas e produtores que mantiveram a cena ativa. Além do legado da Jamaica, existe indiscutivelmente o legado brasileiro por trás da permanência do reggae em diferentes escalas, sejam elas local, nacional ou mundial”, conclui o artista.
Sobre Duda Diamba
Duda Diamba é cantor, compositor e referência do reggae brasileiro. Com quase 30 anos de trajetória, une música, identidade e pertencimento em shows que transitam entre a consciência social e a celebração popular, mantendo o reggae vivo, atual e conectado ao seu tempo. Reconhecido como Duda Diamba, fundador e vocalista da banda Diamba por quase 30 anos, ajudou a construir e consagrar o reggae da Bahia. Hoje, consolida sua trajetória solo com repertório autoral, identidade definida e circulação nacional. Artista com cinco álbuns lançados, tem reconhecimento em festivais e grandes palcos pelo país.