Prof. Eduardo Dias – @profedudias
Quem vive o dia a dia do asfalto percebe: o mercado de motocicletas no Brasil atravessa uma ebulição que não víamos há décadas. Se você ainda associa a marca Shineray exclusivamente às “cinquentinhas” que dominaram a paisagem do Nordeste anos atrás, é hora de recalibrar seu GPS mental. O cenário mudou, o produto evoluiu e o epicentro dessa transformação acaba de ganhar um CEP mineiro.
A inauguração da linha SBM (Shineray Brasil Motos), em Belo Horizonte, não deve ser lida apenas como a abertura de mais uma vitrine. É, na verdade, um movimento estratégico de xadrez industrial que coloca Minas Gerais na rota de colisão com o que há de mais moderno na produção global.
Qual DNA da SBM
O grande trunfo desta nova fase tem nome e sobrenome: QJ Motor. Para o motociclista menos atento, a sigla pode soar como uma novidade passageira, mas no tabuleiro mundial, estamos falando de uma gigante chinesa que fabrica componentes e modelos para marcas europeias de prestígio e altíssimo valor agregado.
A parceria que desembarca agora no Barreiro traz esse DNA de robustez e acabamento que, sejamos honestos, o consumidor mineiro — exigente por natureza e acostumado com as ladeiras severas de nossa topografia — sempre cobrou. Não se trata mais apenas de preço; trata-se de valor. A Shineray está subindo a régua para competir em um patamar de qualidade que muitos duvidavam que ela alcançaria.
Casamento?
Como observador do setor, sempre defendo uma tese: comprar a moto é o começo do namoro; o casamento, para o bem ou para o mal, acontece na oficina. Historicamente, marcas desafiantes no Brasil sofreram com o “calcanhar de Aquiles” da reposição de peças e do suporte técnico, o que muitas vezes condenou bons projetos ao esquecimento precoce.
A Shineray parece ter feito o dever de casa. Ao investir em uma estrutura de pós-venda com equipe treinada diretamente pela fábrica, a marca sinaliza que não quer apenas vender o metal, mas garantir a longevidade da experiência. Em um mercado saturado de promessas, o foco no suporte técnico é o que separa uma marca passageira de uma protagonista.
“A chegada da linha SBM representa um salto de qualidade. Não é apenas vender motos; é oferecer uma ferramenta de ascensão para quem trabalha e um objeto de desejo para quem busca o prazer da liberdade sobre duas rodas.” Cristiane – SBM Barreiro.

SBM Uai em 2026?
O que esperar para o futuro próximo? Se 2025 é o ano da consolidação, 2026 promete ser o ano da ofensiva. A promessa de modelos de alta cilindrada indica uma ambição clara: a Shineray não aceita mais ser apenas a “alternativa barata”. Ela quer — e está se equipando para isso — ser uma protagonista de peso no mercado premium mineiro. A pergunta que fica no ar é: o mercado está pronto para ver uma Shineray dividindo espaço com as gigantes japonesas e europeias nas estradas de Minas?
E a Honda chega com a NC 750x 2026
Enquanto a Shineray sobe a montanha, a líder Honda não assiste ao movimento de braços cruzados. A chegada da NC 750X 2026 é a prova de que a hegemonia exige renovação constante. Com um valor que orbita os R$ 61.000, a nova NC aprimora a receita que a tornou um ícone de versatilidade.
Design e Ergonomia: O visual agora é minimalista, com um farol LED que exala modernidade e um para-brisa redesenhado que realmente protege o piloto em longas jornadas. A altura do assento (802 mm) e as rodas de alumínio mais leves mostram uma preocupação genuína com a agilidade urbana.
Performance Equilibrada: O motor bicilíndrico de 745 cm³ (58 cv) continua priorizando o torque em baixas rotações, ideal para quem quer força sem precisar “esgoelar” o motor. O câmbio DCT, agora mais refinado, torna o trânsito pesado de BH muito menos punitivo.
O Ponto de Atenção: Apesar do excelente painel TFT de 5 polegadas, a Honda ainda peca em um detalhe crucial para 2026: a falta de conectividade nativa com smartphones no modelo brasileiro. Em um mundo hiperconectado, essa é uma ausência sentida.

E quem ganha é a gente
O embate está montado. De um lado, a tradição tecnológica e a confiabilidade da Honda NC 750X; do outro, a audácia da Shineray SBM com o suporte da gigante QJ Motor e uma estrutura local agressiva.
Para o motociclista mineiro, este é o melhor dos mundos. A concorrência força a inovação, melhora o atendimento e, principalmente, diversifica as opções nas ruas. Seja pela praticidade do “falso tanque” da Honda ou pela promessa de ascensão da Shineray, o asfalto de Minas Gerais nunca esteve tão disputado. E que vença quem melhor entender o coração (e o bolso) do piloto.