Nesta terça-feira, 27, o Cine Graciano apresenta com um conjunto filmístico de curtas contemporâneos do cinema nacional. A sessão começa com o documentário Procura-se Irenice, de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça, que revela a história da atleta mineira e negra Irenice Maria Rodrigues vítima da discriminação racial durante a ditadura. Ela foi banida de uma Olimpíada e teve seus registros esportivos “apagados” dos documentos esportivos oficiais nacionais. Na sequência, Forrando a Vastidão, de Higor Gomes. O filme mineiro foi gravado em Sabará em ambiente doméstico e fabula com o cotidiano da dona de casa Lia e sua rotina. E encerrando a sessão, o filme Ser Feliz no Vão, de Lucas H. Rossi dos Santos. Para além da discriminação e secregação racial, a narrativa volta-se para o negro e periférico em busca do direito à cidade se movendo em direção às praias e ocupando espaços.
Já na quinta-feira, 29, na Sessão da Tarde, às 15h, uma programação infantil com a cinco filmes na Mostra Múmia. Seu vô e a baleia, Mariana Elisabetsky, a animação traz o jovem Mundinho que encontra a baleia que tanto o avô pescador falava. Enquanto ela repousa ao seu lado na praia, dia após dia, Mundinho elabora sobre a morte do avô com a ajuda de um grande amigo. Eu e o boi, o boi e eu, de Jane Carmen Oliveira, volta-se em formato de animação para a história de uma menina amedrontada pelo temido Boi da Manta. Após o estranhamento inicial, o medo se esvai e dá lugar ao fascínio, ao reconhecimento e à admiração por essa criatura e pela festa.
Na animação O Enigma do Tempo, de Anderson Lister, Lupi descobre uma lenda para acelerar o tempo, na narrativa, ele vive aventuras com Baduki e se questionam: será que acelerar o tempo é mesmo uma boa ideia? Quintal, de Mariana Netto, é uma animação inspirada na obra de Manoel de Barros. Diadorim é uma menina sonhadora, e Riobaldo, um alegre passarinho azul. Em um terreno abandonado, aparentemente esquecido pela cidade grande, eles buscam juntos se libertar das limitações impostas pelo cotidiano. E o último filme da sessão é Ernesto e Oscar, de Fabio Belotte. Ernesto é um morcego criança que não pode voar devido a uma deficiência congênita. Ele enxerga bem na claridade e adora ler e desenhar. Seu melhor amigo é uma garça desengonçada chamada Oscar.
Última sessão do mês
A quinta-feira, 29, às 19h, marca a última sessão do mês de janeiro com o filme Neirud, de Fernanda Faya. No documentário, a cineasta reconstrói a vida de sua enigmática tia,que foi lutadora circense em uma trupe feminina clandestina nos anos 60 e descobre uma história de amor que transformará o papel de Neirud em sua própria família.
Sobre o Cine Graciano – A Sala Cine Graciano foi inaugurada em novembro de 2025 e leva no nome uma homenagem a Hugo Graciano, um dos jovens com trajetória marcante junto à Filme de Rua, participante do coletivo desde o seu início, e que partiu em março de 2024, com apenas 26 anos. Conhecido por sua persistência, alegria, amizade e criatividade, ele atuou como artista, criador e mobilizador da Filme de Rua. Com uma trajetória de muitas vidas em transformação, filmes premiados e experimentações de produção, a Filme de Rua, com a sala Cine Graciano, amplia o acesso à cultura na cidade, promovendo o circuito não comercial de exibições em BH e fortalecendo a rede de proteção e valorização das camadas mais esquecidas e invisibilizadas da sociedade brasileira.
Serviço
Cine Gracino
Rua Itapecerica, 468, Lagoinha
Entrada gratuita (sem retirada de ingressos. é só chegar!)
Informações: instagram.com/filmederua