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Maior roubo de arte do Brasil prescreve

Obras de Picasso, Dalí e Monet levadas da Chácara do Céu no Carnaval de 2006 chegam à prescrição sem punição aos culpados e com prejuízo superior a R$ 260 milhões.

Vinte anos após o maior roubo de obras de arte já registrado no país, o assalto ao Museu da Chácara do Céu atinge um desfecho frustrante: a prescrição legal. Como apontou o Diário do Rio, o Estado brasileiro perde o direito de punir os criminosos por uma ação que expôs a grave vulnerabilidade do patrimônio nacional, mesmo que venham a ser identificados futuramente.

O crime no Carnaval

A ação ocorreu em 24 de fevereiro de 2006. Enquanto o bloco das Carmelitas lotava as ruas de Santa Teresa, quatro homens armados invadiram o museu, que não possuía alarme conectado à polícia. Em minutos, renderam visitantes, arrancaram as telas das molduras e fugiram de Kombi, misturando-se aos foliões. O único vestígio encontrado dias depois foram pedaços de molduras queimadas.

Prejuízo milionário

Avaliado em US$ 50 milhões na época, o valor de mercado do conjunto roubado hoje ultrapassa R$ 260 milhões. As peças nunca foram recuperadas:

* “A Dança”, de Pablo Picasso
* “Os Dois Balcões”, de Salvador Dalí
* “Marinha”, de Claude Monet
* “O Jardim de Luxemburgo”, de Henri Matisse
* Livro “Toros”, com poemas de Pablo Neruda e gravuras originais de Picasso

Investigação falha

A impunidade no caso foi facilitada por uma sucessão de erros e despreparo do Estado na época:

* Sem especialização: O Rio não tinha delegacia de patrimônio cultural; o caso foi para uma unidade ambiental.
* Atraso na perícia: Digitais não foram colhidas no dia e os reféns não foram ouvidos de imediato.
* Fronteiras abertas: Alertas aos aeroportos foram enviados sem a descrição detalhada das telas, facilitando a fuga do país.

A cicatriz que fica

O Museu da Chácara do Céu, com seus jardins de Roberto Burle Marx e acervo de 22 mil peças, permanece aberto. No entanto, as paredes vazias daquele Carnaval seguem como um lembrete permanente do preço da negligência com a nossa própria memória.

Por podcast edinhotaon/ Edno Mariano

Cenario Minas
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