O músico Ciano Whake, conhecido artisticamente como Whake, oferece um retrato sensível de como a cena independente reagiu ao abalo emocional provocado por 2020. O que nasceu como uma produção funcional para o YouTube, baseada em batidas eletrônicas e estruturas pop genéricas, acabou sofrendo uma transformação profunda com o avanço da pandemia. A mudança não seguiu tendências de mercado, mas respondeu a uma urgência interna, tornando sua obra algo além de um simples som de fundo.
Entre 2021 e 2022, o artista consolidou a transição ao abandonar o pop vibrante e se aproximar do New Age e do instrumental meditativo. A ironia é evidente: o produtor que antes buscava engajamento rápido nas redes passou a criar trilhas voltadas ao descanso e à introspecção. Ao mesclar instrumentos ocidentais com elementos da música indiana, Whake dialoga com a ansiedade da vida urbana sem romper com a tecnologia, criando visualizers que contrastam estéticas energéticas com composições contemplativas.
A criação do selo independente Whake, no fim de 2022, reforça sua visão crítica sobre a indústria fonográfica atual. Ao optar por lançamentos independentes, o músico se distancia de fórmulas padronizadas para algoritmos de relaxamento. Marcada por experiências pessoais com depressão e ansiedade, sua música se apresenta menos como produto e mais como um “curativo sonoro”, cru, honesto e necessário.