Com embriões, pecuária encurta salto geracional dos rebanhos e aumenta produtividade

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CRV apresenta linha de embriões das raças Nelore e Girolando.  

Portfólio crescerá nos próximos meses. 

A CRV, uma das líderes no mercado de inseminação artificial de gado de corte e de leite no Brasil, entra agora no mercado de embriões. A linha CRV Embryo começa com as raças Nelore e Girolando e o portfólio receberá novas opções nos próximos meses. “O mercado brasileiro está aquecido porque os produtores querem acelerar o melhoramento genético de seus rebanhos”, explica Flávio Moraes, gerente executivo de vendas da CRV. “Com os embriões, é possível promover um avançamento genético de pelo menos três gerações em apenas uma gestação”, diz ele.

Além da genética do macho (obtida pelo sêmen), o embrião traz também a genética da fêmea, por meio do óvulo de uma doadora escolhida. Depois o embrião vai para a “barriga de aluguel” de qualquer outra fêmea do rebanho. “Assim, potencializamos a genética dos doadores macho e fêmea, encurtando o intervalo de gerações e obtendo resultados melhores e mais rápidos”, diz Moraes.

“As características a serem transferidas para o embrião podem ser escolhidas de acordo com as necessidades do produtor”, ressalta Moraes. Ele aponta que os produtores visam tanto o mercado brasileiro como o de exportações. “O planejamento desses criadores já prevê rebanhos de tipo corporal com desenvolvimento precoce e maior peso de carne comercializável, especialmente nas características de marmoreio e espessura de gordura, que garantem maciez e sabor à carne”, avalia Moraes.

O projeto Embryo da CRV, apresentado na convenção nacional de vendas da CRV em fevereiro deste ano, foi desenvolvido ao longo de 2021 pelo médico veterinário Antônio Carlos Nogueira Vieira, com mais de 15 anos de experiência em biotecnologia da reprodução, contratado pela CRV em maio de 2021 para esse trabalho. “Podem ser desenvolvidos embriões para animais com carcaças mais pesadas ou que desmamam mais pesados, e no leite o avanço se dá no aumento do volume produzido por animal durante o período de lactação, qualidade do leite, saúde e longevidade dos animais”, informa Vieira. “O produtor que obtém entre 5 e 7 litros de leite por animal pode multiplicar esse volume em uma única geração”, avalia o veterinário.

O processo usado pela CRV é o do embrião “in vitro”, feito em laboratório, diferente do processo “in vivo”, no qual o desenvolvimento se dá no corpo da fêmea doadora. A produção está sendo feita por laboratórios credenciados pela CRV. “O Brasil é uma referência mundial na produção In vitro de embriões”, diz o responsável pelo projeto da CRV.

Embriões: mercado em desenvolvimento no Brasil 

A produção e transferência de embriões bovinos no Brasil vem se desenvolvendo nas últimas décadas, junto com a posição relativa do Brasil no contexto mundial desse segmento da pecuária de corte e de leite. O país passou de referência apenas regional, nos anos 1990, para maior produtor mundial entre os anos de 2012 e 2013, tornando-se líder no uso da produção in vitro de embriões (PIVE), segundo estudo de Rômany Louise Ribeiro Gonçalves, da Universidade de Brasília, e João Henrique Moreira Viana, da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Trabalho apresentado pelos dois pesquisadores no XXIII Congresso Brasileiro de Reprodução Animal, realizado em 2019 em Gramado (RS), aponta que desde 2017 o total de embriões in vitro no país superaram a produção de embriões in vivo. Mas naquele ano, os Estados Unidos ultrapassaram o Brasil como o maior mercado de embriões do mundo. Conforme o estudo, naquele ano o Brasil passou para a segunda posição no ranking global, com cerca de 35% da produção global de embriões bovinos.

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