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sáb, 14 março 26

PBH diz que Lagoa da Pampulha ‘já permite navegação’

As águas da Lagoa da Pampulha apresentam hoje qualidade suficiente para a prática de esportes náuticos e navegação. É o que demonstra análise técnica realizada com amostras coletadas no último dia 3 de junho e referente aos meses de março a maio deste ano. Todos os 27 parâmetros analisados obtiveram resultado positivo, especialmente o que diz respeito à presença de indicadores da existência de elementos patogênicos (que transmitem doenças): do limite de até 2,5 mil NPM/100 ml do E. Coli, a Lagoa apresentou índice de 220 NPM/100 ml – ou seja, menos de 10% do limite total.

Para se ter uma ideia, o Rio Sena, em Paris, apresentou recentemente resultados superiores a 1.000 NPM/100ml, o que inviabiliza a prática de competições do triatlo e maratona aquática, e foi um alerta para os organizadores das Olimpíadas de Paris, que acontecerá daqui a menos de 30 dias.

No caso da Lagoa da Pampulha, todos os indicadores estão abaixo do limite da Classe 3 – que é o padrão almejado pela Prefeitura de Belo Horizonte – e atende à resolução 357/2005 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).
Com essa condição, o espelho d’água da Lagoa da Pampulha apresenta boa transparência, sem presença de floração de algas e de maus odores. “As ações da Prefeitura de Belo Horizonte, somadas a outras medidas de combate às causas da poluição, têm se mostrado assertivas e necessárias, devendo manter o seu caráter continuado”, explica  Leandro Pereira, secretário municipal de obras e infraestrutura (SMOBI).

”E vale lembrar que estamos em um momento de seca, que é desfavorável porque aumenta a concentração de poluentes na água, em razão da escassez de chuva. Mas ainda assim os índices encontrados foram positivos”, completa Leandro Pereira. A análise técnica da água da Pampulha foi feita pelo Laboratório Limnos Hidrobiologia e Limnologia, devidamente acreditado pela norma ABNT NBR ISSO/IEC (CRL 0462).

A Secretaria de Obras é a responsável pelas ações de tratamento da água da Pampulha e tem colecionado melhorias expressivas na qualidade ambiental, conforme os últimos resultados analisados. Na execução dos trabalhos é utilizada uma combinação de um biorremediador e de um remediador físico-químico.

O primeiro tem a função de degradar o excesso de matéria orgânica (Demanda Bioquímica de Oxigênio – DBO) e reduzir a presença de coliformes fecais (E. coli). O outro remediador é capaz de promover a redução do fósforo e controlar a floração de algas. Ambos são registrados junto ao Ibama, já foram testados em outros lugares do Brasil e do exterior, com excelentes resultados.

Além do tratamento da qualidade das águas, a SMOBI realiza diariamente a limpeza do espelho d’água da Lagoa. O volume diário de lixo recolhido é de cerca de 5 toneladas durante o período de estiagem e de 10 toneladas no período chuvoso.

Lagoa resiliente     

É fundamental compreender que, mesmo com indicadores de qualidade da água da Lagoa da Pampulha com limites compatíveis à classificação de  Classe 3, ela continuará sujeita a variações em sua qualidade, pois trata-se de um lago urbano, que sempre será afetado por fontes poluidoras.

Entre elas, a poluição difusa em função da lavagem do solo pelas chuvas, eventuais vazamentos no sistema de esgotamento sanitário, lançamento de efluentes domésticos e/ou industriais clandestinos) que podem superar a sua capacidade de autodepuração. Assim, variações localizadas e momentâneas de qualidade de água no reservatório podem ocorrer.

O grande diferencial alcançado é que hoje a Lagoa está muito mais resiliente, respondendo em curto prazo às agressões provocadas pelo aporte de poluentes que provocam alterações na qualidade de sua água, estando com a sua capacidade de autodepuração aumentada em função da ação do tratamento realizado. Além disso, a lagoa mantém-se nas melhores condições para a contemplação das obras do seu conjunto moderno e a prática de esporte em seu entorno.

Esgoto

Em 2021, a Prefeitura de Belo Horizonte ajuizou uma ação judicial cobrando da Copasa um plano de trabalho para que 100% do esgoto na Bacia Hidrográfica da Pampulha fosse coletado e tratado, impedindo o despejo na Lagoa da Pampulha.

Como consequência, foi homologado na Justiça Federal um Plano de Ação que obriga a concessionária a atingir a meta da universalização por atendimento do sistema de esgotamento sanitário na Bacia da Pampulha em até 5 anos.

Das 9.759 ligações previstas no plano – das quais 7.038 em Contagem e 2.721 em Belo Horizonte -, já foram implantadas 3.476, ou 36% da meta. Deste total, 977 estão na capital.

 

 

*Por Laura Fialho, estagiária sob supervisão de Ícaro Ambrósio.

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